O ministro da Defesa Nacional afirmou esta quarta-feira que este ano ingressaram na Escola Naval “o dobro” de jovens do ano passado, e apelou a mais entradas num ramo que está a adquirir novos meios.

“Registo, com particular satisfação, que este ano há mais jovens a ingressar na Escola Naval, praticamente o dobro do ano passado, e a escolher seguir uma vocação”, afirmou Nuno Melo, sem adiantar números, naquela instituição de ensino da Marinha, em Almada, distrito de Setúbal.

O governante, que presidiu à cerimónia de juramento de bandeira e entrega de espadas dos aspirantes do curso “Capitão-de-mar-e-guerra Saturnino Monteiro”, e dos cadetes do 3º ano da licenciatura em Tecnologias Militares Navais, apelou por diversas vezes para que mais jovens se juntem à Marinha, ramo que tem registado saídas de militares com vários anos de experiência.

Nuno Melo fez referência ao ciclo de investimentos na Defesa, que inclui os empréstimos europeus SAFE, como forma de apelar a novos recrutas.

“Venham para a Marinha, que garante aos jovens uma oportunidade de carreira tecnológica, sofisticada, melhor remunerada, com oportunidade de ver o mundo e ter mundo. Experiência que dificilmente encontram, na maior parte dos casos, na vida civil. Venham para a Marinha com a motivação de encontrar novos meios navais que chegarão nos próximos anos, dotados dos equipamentos mais modernos, experimentados e sofisticados”, realçou.

Dirigindo-se aos oficiais que esta quarta-feira juraram bandeira, o ministro apontou que serão estes militares “os construtores desta Marinha, deste ciclo” que considerou estar a atravessar um “salto quântico de valorização”.

Dos três ramos das Forças Armadas, a Armada é dos que tem maiores dificuldades de recrutamento devido ao facto de concentrar as principais oportunidades para a formação na Base Naval de Lisboa.

Para responder a esta questão, a Marinha criou a “Aldeia Naval”, um conjunto habitacional de 39 casas pré-fabricadas na Base Naval de Lisboa destinada a alojar militares deslocados, solução que o ministro realçou na sua intervenção.

Este mês, em entrevista à agência Lusa, o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Nobre de Sousa, afirmou que a tendência de saídas de efetivos do ramo diminuiu, mas avisou que a Marinha continua a perder pessoal com muitos anos de experiência, estando atualmente com 6.370 militares, menos 30% do que o autorizado.