Um grupo de cerca de 200 bombeiros, alguns com a farda dos Sapadores de Lisboa, concentrou-se na tarde desta quinta-feira junto à sede do Governo, em Lisboa. Uma fonte oficial da PSP disse à Lusa que se tratou de “uma manifestação inopinada” e que não foi previamente autorizada. Os bombeiros começaram a juntar-se pelas 15 horas, com cânticos como: “Não temos medo”.
Durante a manifestação foram deflagrados alguns engenhos pirotécnicos, confirmou a mesma fonte da PSP. Num primeiro momento, a Polícia de Segurança Pública reforçou o policiamento com equipas de intervenção rápida e mais tarde a zona foi reforçada com o corpo de intervenção por a manifestação estar a decorrer junto a um órgão de soberania, justificou. No entanto, a mesma fonte adiantou que até às 17h15 não se registaram incidentes.
Ao Observador, o bombeiro Lourenço Ribeiro sublinhou que se tratou de um “encontro espontâneo” para mostrar ao Governo e aos sindicatos que estão atentos e descontentes com as negociações. “Fizemos este encontro para demonstrar o nosso desagrado face a estes dois anos de supostas reuniões para resolver as nossas reivindicações, todas elas sempre adiadas até à data de hoje”, criticou.
Bombeiro há 30 anos, Lourenço Ribeiro apontou várias críticas ao Governo. “Está a chutar para canto as resoluções. A carreira foi mal revista, é uma avaliação que é surreal para os bombeiros”, acusou.
O elemento dos Sapadores de Lisboa refere que entre as principais reivindicações que ali os trazem estão a revisão da carreira, a exigência da profissão como de desgaste rápido e a diminuição da idade de reforma. “É completamente ridículo, é surreal um bombeiro ficar até aos 60 anos no ativo. É impensável e desumano”, afirma.
Ricardo Ribeiro, também do Regimento de Sapadores de Lisboa, critica, por sua vez, o horário de trabalho que está em discussão. “O legislador não tem a mínima noção do que está a fazer. Na proposta que eles apresentaram disseram que o horário do bombeiro sapador seria o horário da função pública. Estamos a falar de sete horas diárias. Tendo em conta que estamos a fazer o socorro e que a emergência não tem hora, nem lugar eu pergunto como é que vamos fazer a organização do horário de trabalho em sete horas?”, questionou.
Os manifestantes também mostraram descontentamento quanto ao papel dos sindicatos nas negociações. “Nós não estamos a dormir. É também para as estruturas sindicais saberem que nós não estamos a dormir”, afirmou Filipe Silva, também do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa.
O bombeiro, de 50 anos, acredita que o Governo tem procurado limitar os sindicatos, lembrando as palavras do primeiro-ministro quando avisou que a capacidade negocial tinha sido esgotada. “As próprias estruturas sindicais ficaram de mãos atadas também um pouco”, reconheceu.