Os protestos e bloqueios de escolas feitos por estudantes contra a falta de condições de aulas em França escalaram para “violência urbana”, afirmou esta quinta-feira o Governo francês, citando serviços de informação que sugerem uma “operação organizada” pela extrema-esquerda.

Os protestos começaram na semana passada, tendo-se intensificado na terça-feira ao coincidir com uma jornada nacional de greves da função pública.

França enfrentou dia marcado por greve geral e protestos estudantis. Ações violentas causaram incêndios, polícias feridos e 440 detidos

A partir daí, o movimento ganhou uma dimensão muito violenta e abrangente, afetando mais de 350 estabelecimentos de ensino e estendendo-se esta quinta-feira também às universidades.

Diretores de escolas foram atacados, polícias e manifestantes ficaram feridos e foram registados vários incêndios, obrigando o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a convocar uma reunião de crise.

Os serviços de informação franceses acreditam que o movimento é uma “operação organizada pelo partido La France Insoumise [LFI, França Insubmissa] e pelos seus aliados de extrema-esquerda”, disse o gabinete do primeiro-ministro, após a reunião.

O LFI tinha convocado “a expansão” dos bloqueios das escolas depois de o seu líder, Jean-Luc Mélenchon, ter denunciado “a repressão” do movimento, apelando aos eleitos e ativistas do partido para que “interviessem onde” pudessem.

O ex-primeiro-ministro e candidato centrista Gabriel Attal pediu aos partidários do LFI que “parem de usar os jovens como carne para canhão”, enviando-os “para se colocarem em perigo a si próprios e aos outros, incluindo polícias e funcionários da educação”.

Em várias cidades, contentores de lixo foram virados, incêndios foram provocados em frente ou dentro de escolas, projéteis foram atirados, paragens de autocarro foram destruídas e gás lacrimogéneo foi disparado, observaram jornalistas da agência de notícias francesa AFP.

Numa escola secundária de Marselha (sul de França), o vice-diretor e dois outros funcionários foram atingidos por gasolina lançada por “indivíduos que a estavam a colocar em recipientes”, afirmou a autoridade regional de educação.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]