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O porta-voz e vice-presidente do PSD disse esta quinta-feira acreditar que as sondagens desfavoráveis ao Governo “mudariam muito rapidamente” se PS e Chega se juntassem para o derrubar, manifestando confiança de que “os resultados estarão lá” no final da legislatura.
Num almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, o também eurodeputado Sebastião Bugalho fez uma intervenção sobre o tema “Europa – anão geopolítico ou parceiro preferencial?”, mas, na fase das perguntas, foi questionado sobre os vários estudos de opinião que têm colocado a coligação PSD/CDS-PP em terceiro lugar, atrás de PS e Chega.
O eurodeputado disse não ser indiferente àquilo que as sondagens revelam que as pessoas contactadas pensam neste momento, mas respondeu com outra pergunta.
“O que é que as sondagens diriam se o PS e o Chega se coligassem no parlamento para derrubar o Governo? Iam continuar a dizer o mesmo? (…) Eu acho que as sondagens mudariam muito rapidamente”, afirmou.
O dirigente social-democrata justificou ainda não estar preocupado com os cenários que as sondagens apontam por estar convencido de que a legislatura irá durar até ao fim, em 2029.
“No dia em que formos chamados novamente às urnas os resultados que todos queremos estarão lá”, disse.
Bugalho considerou que o executivo minoritário PSD/CDS-PP está a conseguir fazer o que muitos consideraram impossível, mesmo em contexto de instabilidade internacional.
“Vai continuar a haver Orçamentos do Estado? Vai. Vai continuar a haver reformas? Vai. Vai continuar a haver estabilidade política naquilo que depender de nós? Sim”, defendeu.
Na sua intervenção, Sebastião Bugalho fez o elogio de todo o executivo, mas destacou em particular a capacidade que três ministros – todos antigos eurodeputados – têm tido de influenciar a Comissão Europeia: Paulo Rangel, Maria Graça Carvalho e José Manuel Fernandes.
“Portugal muitas vezes faz coisas primeiro em Portugal que depois são reproduzidas na Europa. E muitas vezes são propostas dos ministros portugueses – e destes que eu vos referi em particular -, que influenciam aquilo que depois será feito pelos outros 26 Estados-Membros europeus”, afirmou.
O eurodeputado apontou como exemplos a posição da diplomacia portuguesa sobre o Médio Oriente, a estratégia “Água que Une” e o mecanismo de seguros contra catástrofes naturais, defendendo que estes dois últimos programas nacionais “influenciaram duas das propostas principais da Comissão Europeia no discurso mais importante do ano no Parlamento Europeu”, o Estado da União.
“Não há nenhum Governo que não seja influente, que não seja competente e que não seja arrojado que consiga este tipo de influência europeia”, disse.
Numa nota irónica, assegurou que, com estes exemplos, não está a defender que “os eurodeputados dão ótimos ministros”, acrescentando: “Mas o facto é que dão”.
Em resposta ao tema central da sua intervenção, o futuro da União Europeia, Sebastião Bugalho manifestou-se otimista, dizendo confiar que até final da década “a Europa se assumirá como parceiro preferencial de todos aqueles que querem ter parceiros no mundo” e até “uma superpotência económica”.
“A Europa, entre a coerção e a confiança, escolhe a confiança. Entre a estabilidade e a disrupção, escolhe a estabilidade. Entre a guerra e a segurança, investe na segunda para evitar a primeira e resiste à primeira para preservar a segunda. Nós, europeus, sabemos que nos dias de hoje, toda e qualquer forma de isolamento não significa autonomia, pelo contrário, prejudica quem quer ser autónomo”, defendeu.