O líder do Chega, André Ventura, recusou esta sexta-feira que o ex-primeiro-ministro António Costa seja uma vítima por estar impedido de consultar o processo Operação Influencer, criticando ainda o mediatismo em torno deste caso.

Influencer. PGR volta a defender que lei não permite que António Costa consulte processo

“O doutor António Costa, objetivamente, esteve, está envolvido numa teia que, venha ou não a demonstrar-se que ele próprio é culpado, acho que já ficou mais do que evidente que houve uma teia de prevaricação à volta dos negócios do lítio e do hidrogénio”, disse Ventura.

O presidente do Chega falava em Aveiro à entrada para uma sessão promovida pela Distrital do partido sobre Economia e a Reforma do Estado.

Ventura criticou ainda o mediatismo que tem sido dado a este caso, adiantando que quem vir esta sexta-feira alguns jornais ou comentadores parece que António Costa é vítima, “parece que é a ele que nós ainda temos que lhe pedir desculpa”.

“Nós agora olhamos para o caso do doutor António Costa e vejo, enfim, alguns jornalistas e comentadores preocupados, mas nunca se preocuparam com outros arguidos, que noutros anos ficassem seis anos, sete anos, oito anos, dez anos, sem ter acesso a nada”, acrescentou.

O presidente do Chega defendeu ainda a necessidade de fazer uma reforma na justiça, mas assinalou que isso não pode acontecer só quando o António Costa ou Luís Montenegro estão envolvidos.

“Tem de ser para todos os cidadãos, porque todos sofrem com os atrasos na justiça, com as precipitações ou com más decisões”, concluiu.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) insistiu esta sexta-feira que a lei não permite que o ex-primeiro-ministro António Costa consulte o processo Operação Influencer, por não ser formalmente interveniente no inquérito, sujeito a segredo de justiça externo.

O esclarecimento surgiu depois de o semanário Expresso ter noticiado que o Ministério Público (MP) recusou por seis vezes pedidos do ex-chefe de Governo entre novembro de 2015 e abril de 2024 para consultar o processo Operação Influencer, no qual é considerado suspeito, mesmo depois de, em março de 2026, este ter deixado de estar em segredo de justiça interno.

Em 7 de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da Operação Influencer cinco pessoas, incluindo o então chefe de gabinete de António Costa.

Em causa estão suspeitas de crimes económico-financeiros na construção de um centro de dados em Sines, distrito de Setúbal, na exploração de lítio em Montalegre e Boticas, no distrito de Vila Real, e na produção de energia a partir de hidrogénio também em Sines.

O caso levou à queda do Governo de António Costa (PS), tendo o agora presidente do Conselho Europeu sido, num comunicado emitido então pela PGR, considerado suspeito, sem ser constituído arguido, uma figura que concede determinados direitos no processo.

O caso está segmentado em vários inquéritos e continua em investigação, confirmou esta sexta-feira a PGR, adiantando que António Costa não é arguido em qualquer dos inquéritos.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]