Mais de 201 mil pessoas foram deslocadas das suas casas no Iémen desde o início de setembro, após o retomar do conflito armado entre o movimento rebelde houthi e as forças armadas do Governo internacionalmente reconhecido.

Segundo avançou esta quarta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a crise humanitária está a agravar-se diariamente, mas os fundos destinados a satisfazer as necessidades da população têm diminuído.

A ajuda humanitária ao Iémen está financiada em apenas 20% do necessário e as reservas de ajuda estão a reduzir-se, indicou a OIM, que trabalha com equipas no terreno para tentar fornecer abrigo de emergência, artigos de primeira necessidade e serviços de proteção aos mais afetados.

A OIM manifestou ainda alarme com o aumento da taxa de deslocação nas últimas semanas, já que em meados de setembro havia cerca de 76 mil deslocados, número que, no final desse mês, tinha ultrapassado os 145 mil e chegou agora a 201.217 pessoas registadas.

A província de Taiz — uma das mais importantes e povoadas do Iémen, entre as montanhas do interior e a costa do Mar Vermelho — é a mais afetada, com mais de 114 mil deslocados internos, o que representa 57% do total.

A crise está também a levar muitas pessoas a tentar fugir do Iémen, sendo que mais de 3.700 já cruzaram o mar para o Djibuti em viagens que — segundo testemunhos recolhidos pela organização — são realizadas em barcos sobrelotados, transportando sobretudo mulheres e crianças, com escassez de alimentos e água.

“As pessoas estão a fugir para salvar as suas vidas e não conseguem encontrar um lugar seguro para onde ir”, lamentou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, que instou os doadores a agirem imediatamente para evitar que o Iémen se torne “uma crise esquecida”.