Vários ataques russos contra a Ucrânia fizeram pelo menos 24 mortos, incluindo 18 no mesmo edifício residencial atingido por um míssil em Prylouky, no norte do país, segundo um novo balanço das autoridades ucranianas divulgado esta quarta-feira.
Jornalistas da agência noticiosa francesa AFP destacados no local relataram ter visto os serviços de emergência a procurar vítimas entre os escombros do edifício e a retirar corpos. Pelo menos 55 pessoas ficaram feridas, incluindo sete crianças, especificaram os serviços de emergência.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, indicou esta quarta-feira que 18 pessoas morreram no edifício em Prylouky, incluindo quatro crianças.
“Os russos sabem muito bem que estão a atingir cidades comuns, a vida quotidiana”, lamentou.
Referindo-se a esta última vaga de bombardeamentos contra o país, que luta desde fevereiro de 2022 contra a invasão russa, Zelensky denunciou “um dos ataques mais ignóbeis: 70 mísseis no total, muitos deles balísticos”, mais difíceis de intercetar, e drones enviados contra 12 regiões.
“Um dos principais alvos eram as nossas infraestruturas energéticas”, afirmou o chefe de Estado ucraniano.
A aproximação do inverno faz temer a repetição do cenário do ano passado, quando a Rússia bombardeou incessantemente as instalações energéticas, deixando por vezes milhões de lares às escuras e sem aquecimento. Já foram impostas restrições ao consumo de energia em Kiev.
Zelensky, que tem pedido aos aliados mais sistemas capazes de intercetar mísseis balísticos, deu também conta de dois mortos em Oleksandrya e de outros tantos em Krementchouk, cidades situadas no centro da Ucrânia. Outras duas pessoas foram mortas em Kiev, segundo o líder ucraniano.
Em Prylouky, os serviços de emergência conseguiram socorrer 15 pessoas, incluindo uma criança. Prosseguiram durante o dia as buscas entre os escombros do edifício residencial atingido.
O exército ucraniano tinha também acionado um alerta de mísseis balísticos em Kiev, onde um jornalista da AFP ouviu explosões durante toda a noite.
Em Moscovo, o Ministério da Defesa afirmou, por seu lado, que o exército russo atingiu, nomeadamente em Kiev e na região da capital, em Prylouky e em Krementchouk, fábricas que montam e armazenam mísseis de cruzeiro, em particular os Flamingo de fabrico ucraniano, e drones de longo alcance.
O Presidente ucraniano tinha alertado na véspera para o risco de um “ataque maciço” russo contra a capital, que tem sido alvo de ataques dia e noite há semanas. Os ataques visam, entre outros alvos, armazéns, instalações logísticas e pontes.
As autoridades ucranianas acusam a Rússia de procurar destruir frequentemente as infraestruturas, perante a incapacidade de avançar na frente de batalha quase cinco anos depois do início da guerra pelo Kremlin.
Os ataques russos atingiram recentemente duas das principais pontes de Kiev e, na terça-feira, o operador local DTEK impôs restrições na distribuição de eletricidade após ataques contra instalações energéticas.
A sucessão de alertas afeta a atividade económica, com a população a ser instada a abandonar os locais de trabalho para se proteger.
A cidade de Zaporijia (centro) também foi alvo durante a noite: uma “infraestrutura de transporte” foi atacada, salientou o chefe da administração militar local, Mykhailo Semikine, sem dar mais pormenores.
A Rússia reivindicou, por seu lado, um ataque “direcionado” contra uma ponte sobre o rio Dniepre, garantindo que é utilizada pelas forças ucranianas.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país.
Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.