O fuzilamento do ex-militar norte-americano Nidal Hasan, que matou 13 pessoas numa base militar no Texas, em 2009, será transmitido em direto, via livestream. A informação foi confirmada pelo Pentágono, após o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ter afirmado que a execução seria “pública”.

“Vamos garantir que as pessoas conseguem vê‑la, que é pública”, afirmou Hegseth no canal conservador Real America’s Voice, citado pela Associated Press. No entanto, desconhece-se em que tipo de plataforma será transmitida.

Nidal Hasan será fuzilado no dia 3 de dezembro, em Fort Hood, no Texas, e esta será a primeira execução militar desde 1961 e a primeira pública nos Estados Unidos desde 1936. Hasan matou 13 soldados norte-americanos desarmados em Fort Hood, em 2009, enquanto gritava “Allahu Akbar” durante o ataque, tendo sido condenado em 2013. Na segunda-feira, Trump autorizou a execução do ex-militar por fuzilamento, uma escolha “recomendada” por Hegseth.

Trump ordena morte por fuzilamento a ex-militar que matou 13 pessoas no Texas. Será a primeira execução militar desde 1961

O anúncio foi condenado tanto nos Estados Unidos, como a nível internacional. O congressista democrata Adam Smith, coordenador do grupo parlamentar na comissão das Forças Armadas da Câmara dos Representantes, afirmou ao Politico que a execução pública “ridiculariza” o sistema legal norte-americano e recusa fazer do evento “um espetáculo”.

Mesmo entre os republicanos, o anúncio não foi bem recebido. O senador Thom Tillis escreveu nas redes sociais que, apesar de concordar com a condenação, a sua transmissão em direto é “nojenta” e afirmou que as execuções públicas “são o que fazem ditaduras opressivas como o Irão e o Afeganistão”. Estes são os dois únicos países que transmitem execuções, mas em diferido, refere a BBC.

Volker Türk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou à Agence France-Presse que a transmissão em direto “equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta de tortura”.

Elisabeth Semel, co-diretora da Death Penalty Clinic da Faculdade de Direito de Berkeley, da Universidade da Califórnia, alertou a Associated Press que a execução levanta uma série de questões jurídicas e políticas, mais concretamente a dignidade do réu e a motivação da administração Trump para transmitir a execução.

“Este é um Presidente focado no espetáculo e isso é, eu acho, precisamente a mensagem que ele pretende passar”, afirmou.

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