O PCP e o Livre apresentaram requerimentos para ouvir a diretora de informação cessante da Lusa, Luísa Meireles, e o Conselho de Administração, após o anúncio de que iria abandonar o cargo, depois de uma proposta da gestão.
No seu requerimento, o PCP disse que “as mais recentes notícias sobre os últimos desenvolvimentos na Lusa – Agência de Notícias de Portugal, especialmente sobre a destituição da diretora de informação e dos respetivos adjuntos e sobre alegadas divergências acerca da nomeação de jornalistas para a delegação de Bruxelas, lançam sobre esta empresa estratégica de comunicação social do Estado um inquietante quadro que importa clarificar”.
Já o Livre lembrou que na quinta-feira a diretora de informação da Agência Lusa, Luísa Meireles, “comunicou à redação que deixará o cargo a 12 de outubro”, uma saída que “resulta de um acordo de revogação do contrato de trabalho, celebrado depois de o Conselho de Administração lhe ter proposto a saída. Na mesma comunicação, a Diretora de Informação classificou a situação como tendo ficado ‘insustentável'”.
Segundo o relato da própria, destacou o partido, “os fundamentos para o seu afastamento foram apresentados publicamente pelo Presidente do Conselho de Administração, Joaquim Carreira, na audição realizada na Assembleia da República a 29 de setembro, tendo sido invocados a aproximação do limite legal para exercício de funções bem como um potencial conflito de interesses decorrente da presidência da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ)”.
Lembrou ainda um comunicado do Conselho de Administração, divulgado no mesmo dia, que refere apenas que ‘as partes chegaram a acordo quanto às condições da cessação contratual’, referindo que ficam, “no entanto, por esclarecer a razão pela qual a saída foi antecipada face à data em que a diretora completa 70 anos bem como a razão pela qual o alegado conflito de interesses com a presidência da CCPJ só foi invocado agora, quando a acumulação de funções existe desde fevereiro de 2026″.
Segundo o PCP, tais episódios ocorrem “num contexto de especial atenção em relação à Agência Lusa, em particular no âmbito da discussão, nesta Comissão Parlamentar [Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto], de diversas iniciativas legislativas relativas aos seus Estatutos, bem como da manifestação de receios de controlo governamental da atividade noticiosa da empresa”.
Para o partido justifica-se que a Comissão “obtenha os esclarecimentos que são devidos, desde logo por tratar-se de uma empresa do Estado, que deve estar ao abrigo de quaisquer suspeitas”.
O Livre acompanha as preocupações, apontando que “estes factos ocorrem num contexto de tensão crescente na agência”, tendo os membros eleitos do Conselho de Redação denunciado em audições na Comissão “decisões administrativas que permitem, alegadamente, interferências do Conselho de Administração em matérias editoriais”.
Além disso, lembrou, o Sindicato dos Jornalistas apresentou “queixa à Comissão Europeia relativa aos novos estatutos da Lusa e as negociações salariais terminaram sem acordo”.
Os partidos querem assim ouvir, com “caráter de urgência”, a diretora cessante, os restantes membros da direção de informação e o Conselho de Administração.