A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou esta segunda-feira, em Roma, o lançamento do “Plano Venezuela Alimenta” e de uma nova lei de economia local, para alcançar a meta de “fome zero” no país, até 2030.

O anúncio foi feito perante o Fórum Mundial da Alimentação da FAO, durante o qual destacou a redução da prevalência da subalimentação para 3%, na Venezuela, este ano.

“Quero, a partir desta tribuna, anunciar o Plano Venezuela Alimenta, com o objetivo de articular todos os processos produtivos alimentares na consecução deste objetivo supremo: fome zero. E (…) anuncio que apresentarei nos próximos dias ao Parlamento venezuelano uma nova lei para a economia local“, disse Delcy Rodríguez.

A Presidente da Venezuela sublinhou tratar-se de uma lei que permitirá, a par da economia comunal, comunitária e do empreendedorismo, “a integração e o encadeamento produtivo para a produção de alimentos com a grande indústria agroalimentar”.

Delcy Rodríguez iniciou a sua intervenção sublinhando que a Venezuela tem a convicção profunda de que a alimentação é um direito inalienável, diretamente ligado à vida, à dignidade e ao desenvolvimento integral das pessoas.

“Garantir esse direito exige políticas públicas inclusivas e sustentáveis, mas exige também produção, investimento, ciência, tecnologia, financiamento e cooperação. São necessários paz e um sistema internacional capaz de cooperar, mesmo para além das nossas diferenças. Venho de um país que aprendeu a reerguer-se, a reconstruir-se com base nas suas próprias capacidades e a olhar para o futuro com confiança e esperança. Um país que procura renascer”, disse, agradecendo ao Programa Mundial de Alimentos pelo apoio dado aos venezuelanos após o duplo sismo que em 24 de junho abalou o país.

Explicou que para falar do renascimento há que voltar o olhar para a terra, para quem a trabalha e semeia, um processo que convida “a colocar a ciência, a tecnologia, a inovação, o investimento e os conhecimentos tradicionais ao serviço das pessoas, a transformar os sistemas agroalimentares e, acima de tudo, garantir que as soluções cheguem efetivamente àqueles que produzem e aos que ainda enfrentam a fome e a desnutrição”.

Segundo Delcy Rodríguez, a humanidade enfrenta o paradoxo de ter tecnologia sem precedentes enquanto milhões passam fome e os alimentos são desperdiçados.

O desafio atual, disse, exige produzir melhor e de forma mais eficiente, reduzindo perdas e fortalecendo os sistemas agrícolas contra a crise climática e o fenómeno El Niño na Venezuela e outros países da América do Sul.

Alertou que o calendário agrícola é determinado pelas alterações climáticas, exigindo financiamento para adaptação, a utilização de Inteligência Artificial e alertas precoces na produção.

“Os alimentos jamais deveriam converter-se num instrumento de pressão ou confrontação política. Onde existem diferenças entre Estados, o diálogo e a diplomacia devem prevalecer, e onde existe fome, a nossa responsabilidade comum deve ser encontrar soluções (…) insistimos no nosso apelo ao fim da aplicação de medidas [sanções] que, à margem do direito internacional, têm implicações negativas sobre a concretização do direito à alimentação”, frisou.

E recordou que no início do século, altura em que a FAO reconheceu a redução da subalimentação na Venezuela, passando de 14,1% para menos de 5%.

Mas, segundo Delcy Rodríguez, a combinação do conflito político interno com o impacto das sanções económicas impostas desde 2017 (que afetaram 16% do setor agroalimentar) provocou o colapso das cadeias de produção e uma crise de abastecimento que afetou toda a sociedade.

Fatores de Recuperação: A estabilização e recuperação económica e agrícola estão a ser impulsionadas pelo diálogo político interno com a oposição e pelas negociações diplomáticas diretas com os Estados Unidos.

“Mas começámos a reverter essa realidade. O diálogo nacional com os setores da oposição, bem como o diálogo diplomático com os Estados Unidos da América, contribuíram para a estabilidade política necessária para produzir e crescer”, disse, precisando que esse processo é apontado como a base para uma nova política agroalimentar, exigindo segurança jurídica sobre a terra e a propriedade para garantir o investimento no campo.

Destacou ainda a forte melhoria dos indicadores sociais em que a subalimentação caiu para 3% este ano (após 5,3% em 2025) e a má nutrição aguda em menores de cinco anos passou de 14,8% (em 2019) para 1,3% (em 2025).

“Queremos semear muito mais do que alimentos: queremos semear confiança, oportunidades e prosperidade, porque os povos, tal como a terra, têm a extraordinária capacidade de renascer”, concluiu.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]