Moradores e pais de alunos de escolas da zona da Rua de Guerra Junqueiro, no Porto, que criaram a petição “Guerra Junqueiro Mais Alegre”, saudaram esta quarta-feira a decisão da autarquia de suspender o concurso para as obras na rua.

A petição nasceu justamente em resposta a este concurso, “cujo programa pouco mais previa do que dificultar o estacionamento ilegal nas passadeiras”, explica, em comunicado, Tiago Castela, porta-voz do grupo.

“Damos também os parabéns ao presidente [da Câmara do Porto] por planear a promoção do diálogo com todos os moradores, incluindo os promotores da petição pública, que reúne mais de 1.200 assinaturas“, salienta.

O grupo considera essencial que esse diálogo envolva também outras partes interessadas, “como as próprias direções das escolas, as associações de pais e as muitas empresas e lojas da rua, assim como a paróquia e a sinagoga”.

Acrescenta que “no espaço público da cidade existem sempre vários interesses, e os bons programas urbanísticos podem responder a essa diversidade de perspetivas“.

“A suspensão tem outra vantagem: pode evitar obras repetidas”, salienta, referindo que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), atualmente em consulta pública, “prevê mudanças em toda a zona da Boavista. Entre elas estão a “rede 30″ (limite de 30 km/h), assim como os chamados filtros modais para limitar o tráfego de atravessamento.”

Na Rua de Guerra Junqueiro, que liga a Rua do Campo Alegre à Avenida da Boavista, “o plano prevê ainda um troço de ciclovia e todas essas alterações não estão contempladas no projeto de execução suspenso. Sem esta suspensão, a Câmara gastaria mais de um milhão de euros, expondo pais, crianças e outros moradores a obras durante pelo menos um ano, para, pouco tempo depois, voltar a fazer obras na rua para aplicar o previsto no PMUS”, acrescenta Tiago Castela, no comunicado.

Em seu entender, “urge refletir cuidadosamente sobre a obra, para incluir as propostas da petição ‘Guerra Junqueiro Mais Alegre’, respeitar a versão final do PMUS, e para, acima de tudo, assegurar a segurança, saúde e autonomia de mais de mil crianças que vivem a rua todos os dias”.

“Continuamos a defender a transformação da rua numa verdadeira rua de escola através da redução do espaço automóvel e da criação de espaços verdes e de convivência para todos, privilegiando os mais pequenos”, afirma.

A petição “Guerra Junqueiro Mais Alegre” reúne a comunidade educativa e os moradores em prol de uma rua de escola mais segura, com menos trânsito e mais espaço para as crianças.

A Câmara do Porto suspendeu na terça-feira a adjudicação da empreitada de beneficiação da Rua de Guerra Junqueiro, cujo concurso público foi lançado em março, e está a reavaliar o projeto.

À margem da reunião privada do executivo municipal, o presidente da autarquia, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), explicou aos jornalistas que, perante “interesses muito contraditórios”, o município decidiu não adjudicar a obra e que está a “avaliar e a ouvir” as diferentes partes.

A petição “Guerra Junqueiro Mais Alegre” foi lançada em março por um grupo de encarregados de educação de escolas naquela zona que pedia que a autarquia procedesse à revisão do projeto para aquela rua.

No final de junho, em Assembleia Municipal do Porto, a vice-presidente da autarquia, Catarina Araújo, explicou que o projeto foi herdado do anterior executivo, que descartá-lo significaria que a obra não seria feita nos próximos quatro anos, mas que “não sendo este o projeto que responde de forma cabal aos receios legítimos da petição” ele tem pontos comuns com o que é pedido pelos peticionários.

A petição foi apresentada às várias forças políticas da Assembleia Municipal por Márcia Pinto, que pediu que o Porto crie um “verdadeiro programa municipal de ruas escolares” começando na Guerra Junqueiro e “alargando rua a rua a todas as escolas da cidade” com calendário, orçamento e metas.