Carlos Brenes, um antigo coronel do Exército da Nicarágua e crítico do Presidente Daniel Ortega, desapareceu em agosto de 2025, juntamente com a mulher, Salvadora Martinez. Foram vistos a sair de casa com a polícia e, desde então, a família não voltou a ter notícias dos dois. O caso faz parte de um conjunto de denúncias de desaparecimentos forçados realizados pelas autoridades nicaraguenses, noticiou a agência Reuters.

Thelma Brenes, filha do antigo coronel, que vive nos Países Baixos, começou a ficar preocupada quando o pai deixou de responder às suas mensagens. O casal vivia numa propriedade rural a sul da capital, Manágua, e a filha pediu a um vizinho que verificasse se estava tudo bem. Quando este chegou à casa, encontrou-a vazia. Mais tarde, os moradores da zona disseram-lhe que viram a polícia a levar o casal num carro de patrulha.

Desde então, a família tem pedido às autoridades informações sobre o paradeiro, o estado de saúde e a situação judicial de Carlos Brenes e Salvadora Martinez. Até agora não obtiveram qualquer resposta e não sabem sequer se o casal está detido. “Para nós, enquanto familiares, isto é uma forma de tortura”, afirmou Thelma à agência noticiosa.

Carlos Brenes foi, em tempos, aliado de Daniel Ortega. Enquanto estudante, juntou-se aos protestos contra Anastasio Somoza, o último membro de uma família que governou a Nicarágua durante quatro décadas. Integrou a Frente Sandinista de Libertação Nacional e participou no planeamento da insurreição que derrubou a ditadura em 1979.

O afastamento entre os dois começou por volta do ano de 1992, quando Carlos se desiludiu com o líder sandinista e abandonou o Exército. Em 2018, chegou mesmo a participar em manifestações contra o Governo sandinista.

Ortega destacou-se no movimento sandinista de esquerda durante a década de 1970, quando combatia o regime de Somoza, que também detinha e fazia desaparecer à força pessoas suspeitas de dissidência. Depois da queda da ditadura, liderou o governo provisório e tornou-se Presidente. Regressou ao poder em 2007.

A prática destes desaparecimentos não é inédita na América Latina. Nas últimas décadas do século XX, as ditaduras militares na Argentina, no Brasil, no Chile e noutros países recorreram a desaparecimentos forçados como instrumento de repressão para se manterem no poder.

As Nações Unidas e organizações de direitos humanos acusam o regime de Ortega de intensificar a repressão política desde os protestos de 2018. No final de setembro, pelo menos 68 pessoas estavam detidas por motivos políticos, 31 das quais vítimas de desaparecimento forçado, segundo organizações de direitos humanos.

A ONU documentou 161 casos de desaparecimento forçado desde abril de 2018. Reed Brody, membro do grupo de peritos das Nações Unidas sobre a Nicarágua, afirmou que a prática é utilizada para “semear o medo” entre os detidos, as famílias e a população.

Em abril, o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos afirmou ter recebido “informações não oficiais” de que Carlos Brenes e a mulher teriam sido julgados por traição e condenados a 15 anos de prisão. A família diz que nunca foi informada do processo e teme pela saúde do antigo coronel, que sofre de neuropatia diabética. O tribunal pediu ao Governo que proteja o casal e esclareça o seu paradeiro.

Brenes não é o único antigo membro da Frente Sandinista desaparecido. Outro antigo coronel, Víctor Boitano, também desapareceu depois de ter denunciado a corrupção e os crimes políticos do Governo. Foi detido em abril de 2024, segundo a mulher, Eugenia Valle, que percorreu várias prisões à sua procura, sem conseguir encontrá-lo.

Seis meses depois, Eugenia fugiu para Itália, após ter sido avisada de que vários polícias cercavam a sua casa. “Não sabemos o que está a acontecer, como está ou onde está”, afirmou à Reuters, preocupada com o estado de saúde do marido.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]