A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu esta sexta-feira um processo para apurar as circunstâncias da intervenção da PSP na manifestação contra os preços da habitação que decorreu na madrugada de quinta-feira no Porto, noticiou o Jornal de Notícias. O presidente da Câmara Municipal, Pedro Duarte, vê com “bons olhos” o processo aberto.

Ao mesmo jornal, a entidade liderada por Pedro Figueiredo referiu que solicitou informações à PSP sobre a intervenção que causou 37 feridos, com o objetivo de “apurar as circunstâncias da mesma e avaliação dos procedimentos adotados”.

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“Tudo o que seja esclarecer, investigar a bem da transparência e do escrutínio é favorável. Parece-me importante que seja levado até às últimas circunstâncias”, referiu o autarca portuense em declarações aos jornalistas à margem de uma ação sobre reanimação na praça em frente à Câmara do Porto, sublinhando: “Vimos todos algumas imagens gravadas por telemóveis, mas isso às vezes é uma parte daquilo que aconteceu”.

Pedro Duarte saudou, ainda, a “forma ordeira” como a manifestação da noite de quinta-feira decorreu, dentro do quadro legal vigente, e assume que “não vale a pena” contornar o problema da crise da habitação. Garante, contudo, que o município do Porto “é de longe o que tem mais respostas públicas para o problema da habitação”.

“Temos 13% da população a viver em casas municipais, não há nenhum município que se aproxime sequer disso. O segundo município está quase a metade disso. Para as classes médias temos políticas de arrendamento acessível”, enumera, ressalvando que “isso não quer dizer que o problema não exista e não seja muito legítimo, justo e autêntico o que foi proferido pelas pessoas”.

“Acho que é ótimo, em democracia, expressarmos as opiniões que entendermos. Sou muito sensível — e reconheço-me — no que é um aumento do custo de vida muito intenso na vida das pessoas, particularmente na área da habitação”, atirou o autarca.

Carneiro pede responsabilidades e que se apure se uso da força foi adequado no Porto

O líder do PS pediu esta sexta-feira que se assumam “todas as responsabilidades” e se apure se o uso da força policial “foi adequado e proporcional” na manifestação da habitação do Porto, acusando o Governo de “só trabalhar empurrado”.

“Este primeiro-ministro e este Governo só trabalham empurrados. Foi precisa a indignação dos cidadãos para que o Governo só agora tenha decidido abrir o inquérito por parte da IGAI aos acontecimentos vividos no Porto”, disse José Luís Carneiro numa nota enviada à agência Lusa.

Para o secretário-geral do PS, “é fundamental apurar com rigor se o uso da força [policial] foi adequado e proporcional e assumir todas as responsabilidades”.

“A defesa da segurança e da ordem públicas tem de ser compatível com o exercício das liberdades cívicas, entre elas o direito de manifestação”, defendeu.