Cem minutos depois, o Campeonato do Mundo versão a sério. No atual formato, dividido por ligas A e B com oito equipas, as formações mais fortes têm sempre entrada confirmada nos quartos tentando apenas na fase de grupos chegar à melhor classificação possível em busca de uma vantagem teórica na ordem do playoff. Ou seja, nas meias-finais, as quatro melhores equipas marcavam presença, com Portugal a cruzar com França e a Espanha a defrontar a Argentina. Um cenário igual a 2019, quando a Seleção se sagrou campeã mundial, parecido a 2022 (Itália em vez de Espanha) e também parecido a 2024 (Itália em vez de França). E numa fase de ascensão do conjunto francês, a equipa nacional tinha aquele que era o maior desafio até aqui.

Três minutos, dois golos, uma vitória: Portugal goleia Angola e vai defrontar França ou Suíça nas meias-finais do Mundial

“Sabíamos que uma entrada forte ia facilitar-nos o processo de jogo e que durante toda a partida tínhamos de ter uma alta intensidade. A equipa está focada, sabe bem aquilo que tem de fazer em todos os momentos do jogo. Logicamente, há momentos em que temos de sofrer mais, outros temos de estar nós por cima e a equipa está com uma capacidade tremenda de luta, de entrega. Estou muito satisfeito com essa vertente. Agora é continuar a trabalhar para conseguirmos atingir o primeiro objetivo que é chegar à final”, destacara Reinaldo Ventura depois da vitória de Portugal diante de Angola nos quartos por claros 5-1.

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“Com a velocidade que tem o jogo de hóquei é difícil corrigir todos os pormenores. Sabemos que as equipas que jogam contra nós vão ter sempre oportunidades de golo, faz parte do jogo. Mas sim, muitas das coisas que aconteceram na primeira parte com a Espanha foram corrigidas. Agora é continuar a crescer, continuar a ganhar este ânimo, muito comprometidos com o processo defensivo, muito comprometidos em estar sempre equilibrados no processo ofensivo, por isso, vamos com confiança. Em princípio jogaremos com a França, a não ser que haja uma enorme surpresa. É um jogo super combativo, uma equipa muito física. Portugal está habituado a jogar com a França, vamos tentar dar a melhor no jogo”, acrescentara.

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Não houve mesmo surpresa, com os gauleses a golearem a Suíça na última partida dos quartos por 9-0 com bis de Roberto, Carlo e Bruno di Benedetto, os irmãos que continuavam a ser as principais figuras de França e que seriam também a principal dor de cabeça de Portugal por uma vaga na decisão do Mundial, com a equipa de Portugal a ganhar todos os jogos em Campeonatos do Mundo à exceção da discussão do quinto e sexto lugares em 2007 e a “vingar” na final do último Europeu a derrota inicial na fase de grupos. Se antes o duelo era sinónimo de vitória quase garantida, as coisas foram mudando com o tempo devido à evolução do hóquei gaulês. Era isso que, mais uma vez, a Seleção Nacional iria tentar contrariar em Assunção.

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Ainda assim, o início da primeira parte mostrou que este seria um encontro marcado pelo equilíbrio. Houve mais momentos com Portugal por cima, houve algumas fases em que a França conseguiu adiantar as zonas em que tentava andar sem bola para criar mais dificuldades, Pedro Chambell e Xano Edo conseguiam encher as duas balizas. Nem mesmo os tempos técnicos pedidos pelos treinadores mudaram o rumo do jogo, apesar de o primeiro golo da partida ter surgido ainda antes do intervalo com Marc Rouzé a aproveitar uma bola que ficou perdida num ressalto para atirar sozinho para o 1-0 (20′). A Seleção ficava ainda mais pressionada mas foi novamente Gonçalo Alves, um especialista nestes momentos, a diminuir o impacto desse golo fazendo o empate de grande penalidade depois de uma falta de Rouzé sobre Miguel Rocha (23′). Numa partida que muitas vezes ficou demasiado “encaixada”, tudo ficava em aberto para os últimos 25 minutos.

No lance antes do descanso, Miguel Rocha ainda ficou “pegado” com Bruno di Benedetto, com os árbitros a tentarem serenar os ânimos percebendo que aquela faísca dificilmente não daria algo mais na segunda parte. Deu mas no sentido positivo: o jogador do Óquei de Barcelos disparou um “míssil” quase sem trajetória para o 2-1 no primeiro minuto (26′). Aí, em vantagem, a Seleção dava um exemplo da tal maturidade: geriu da melhor forma os momentos, não deu grande margem aos ataques franceses (com Xano Edo a responder quando necessário) e chegou mesmo ao 3-1, com Hélder Nunes a ficar com uma bola solta em posição frontal para atirar forte sem hipóteses para Chambell (39′). Parecia estar tudo definido mas a história seria outra.

Já depois de um livre direto falhado por Gonçalo Alves na sequência da décima falta dos franceses (43′), Luís Querido cometeu um penálti e Carlo di Benedetto não perdoou, reduzindo para 3-2 a sete minutos do final. Nuno Lopes, selecionador francês, pedia mais risco para forçar o empate até pelas oito faltas de Portugal, Reinaldo Ventura continuava a apelar à calma da equipa apesar da margem mínima no resultado. Aquele golo do avançado do FC Porto tinha mesmo feito a diferença, com Portugal a não conseguir aproveitar uma situação de power play depois do azul a Rémi Herman (45′) e a França a aproveitar um momento com João Rodrigues e Bruno di Benedetto de fora para fazer mesmo o empate a três por Marc Rouzé (47′).

Tudo ficaria adiado para o prolongamento, com Portugal “tapado” pelas nove faltas e a França a poder gerir ainda as 12 infrações acumuladas. Ao contrário do que se foi sentindo ao longo de grande parte do encontro, a meia-final podia cair para qualquer um dos lados, com Gonçalo Alves a não conseguir converter um lance de 1×0 com Chambell e Marc Rouzé a fazer o 4-3 com alguma sorte à mistura num ressalto na área que bateu no poste e em Xano Edo antes de entrar (53′) antes de um inexplicável vermelho direto a Zé Miranda que deixou a equipa nacional em inferioridade durante quatro minutos num lance que antes não teve a mesma avaliação entre Carlo di Benedetto e Hélder Nunes (53′). Portugal resistiu a esse under play, arriscou mas viu Rouzé completar o póquer numa situação 1×0 que fechou de vez o encontro (57′), tendo ainda sofrido mais um golo nos derradeiros segundos quando atacava sem guarda-redes em 5×4.