A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), anunciou este sábado que vai apoiar a candidatura presidencial de Daniel Chapo nas próximas eleições, previstas para 2029, sublinhando que em dois anos como Presidente da República estabilizou o país. “Foi por aclamação que o Comité Central tomou essa decisão e que o camarada Presidente será o nosso candidato a Presidente da República de Moçambique e será o nosso candidato às eleições presidenciais”, disse o secretário-geral da Frelimo, Shaquil Aboobacar, em conferência de imprensa, em Maputo.
Segundo o político, a decisão foi tomada durante uma reunião extraordinária do Comité Central realizada em Chimoio, província de Manica, devendo ainda ser formalizada no 13.º Congresso da Frelimo, agendado para julho de 2027, em Nampula, no norte do país. “De forma específica o Comité Central […] decidiu que o camarada Daniel Francisco [Chapo], nosso Presidente, seria candidato ao cargo de presidente do partido”, declarou o secretário-geral da Frelimo
Daniel Chapo assumiu a presidência da Frelimo em fevereiro de 2025, sucedendo a Filipe Nyusi, passando a acumular os cargos de chefe de Estado e líder do partido, após as eleições de 2024, marcadas por protestos de rua e manifestações de contestação dos resultados eleitorais.
Para Shaquil Aboobacar, a decisão do partido Frelimo de apoiar a candidatura de Daniel Chapo a Presidente da República teve em conta o seu desempenho desde que assumiu a liderança do país, num contexto marcado pela contestação aos resultados das eleições gerais de 2024, resultando na criação do Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (Cote), que conduz o diálogo político visando reformas. “Ainda existia o sentimento de desconfiança entre os moçambicanos, sentíamos nas instituições públicas, na função pública um ambiente de inconformismo principalmente por causa do pagamento das horas extras e turnos”, afirmou.
O secretário-geral apontou igualmente os problemas associados à implementação da Tabela Salarial Única (TSU) na função pública e destacou a saída de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), em 2025. “O camarada Presidente, neste curto espaço de tempo, em menos de dois anos foi capaz de estabilizar o país, iniciar um diálogo nacional inclusivo para a consolidação da paz e resgatar a confiança nacional e internacional, permitir que o investimento estrangeiro e nacional voltasse a confiar no mercado nacional”, declarou.
Daniel Chapo foi candidato presidencial nas eleições gerais de 2024, que incluem as presidenciais, em que saiu vencedor e tomou posse em 15 de janeiro de 2025, quando decorriam protestos e manifestações convocadas pelo então candidato Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados das eleições.
A contestação desencadeou uma onda de protestos pós-eleitorais durante cerca de cinco meses, provocando centenas de mortos, além de episódios de destruição e saques. Na sequência, Mondlane é alvo desde então de processos-crime, com o julgamento já marcado para 17 de novembro no Tribunal Supremo (TS).
O processo-crime foi movido pelo Ministério Público (MP) no âmbito das manifestações pós-eleitorais, estando o político acusado dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.
Segundo o despacho de acusação do MP, a que a Lusa teve acesso, a prova contra Venâncio Mondlane assenta, em grande medida, nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos feitos através de transmissões em direto nas redes sociais.