Os representantes dos alunos franceses do ensino secundário, esta sexta-feira recebidos pelo Presidente Emmanuel Macron, decidiram prosseguir com a mobilização e os protestos no país, até que sejam tomadas medidas concretas para o setor da educação.
Na segunda-feira, dia 26, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, recebe, entre outros, organizações de alunos do ensino secundário, professores e sindicatos, sendo aguardado o anúncio de medidas concretas para o setor.
Embora se tenham mostrado satisfeitos pela atenção prestada por Emmanuel Macron, para os alunos do ensino secundário a reforma prometida pelo chefe de Estado é insuficiente para o setor, uma vez que exigem a abolição total do sistema Parcoursup, um processo de acesso ao ensino superior complexo que tem também sobrecarregado o corpo docente.
O presidente da associação Renouveau Lycéen (Renovação do Ensino Secundário, na tradução em português), Nathanael Combary, afirmou que “a mobilização constante” é “a única forma de alcançar progressos concretos”, uma opinião partilhada pelo responsável da União Sindical dos Estudantes do Ensino Secundário, Ryad Rani, que lamentou que Macron tenha ficado a meio caminho com a sua contraproposta.
“Nós falamos da revogação do Parcoursup, e ele responde com uma reforma total. Grandes promessas, palavras vazias”, continuou Rani em declarações no final da reunião à imprensa francesa, na véspera de uma nova jornada de protestos convocada não só pelos estudantes, mas também pelos “coletes amarelos”, movimento cuja contestação aos preços dos combustíveis abalou França em 2018 e 2019.
O país está em alerta máximo para sábado, em particular após o Governo francês ter prometido que os distúrbios do fim de semana passado não se repetirão.
No passado fim de semana, protestos contra o aumento do custo de vida e a situação do setor da educação acabaram por ficar marcados por atos de violência em várias cidades francesas, incluindo danos em edifícios públicos e pilhagens em estabelecimentos comerciais.
Macron apelou à “proibição das manifestações organizadas por indivíduos ‘ilegítimos'”, um termo que os partidos de esquerda afirmam não compreender, uma vez que não há nada na lei francesa que preveja essa definição.
Paralelamente, sete partidos políticos de esquerda (entre os quais a França Insubmissa, os Verdes, os Socialistas e os Comunistas) apresentaram esta sexta-feira um recurso junto do Conselho de Estado para contestar as declarações de Macron, proferidas na quinta-feira, sobre a proibição de manifestações não organizadas por sindicatos.
O Governo francês anunciou também neste dia que estabeleceu uma “cooperação reforçada” com as plataformas digitais para evitar que estas sirvam de canal de organização ou propagação de distúrbios e que essa medida já está em vigor face ao risco de novas ações violentas este fim de semana.
Num comunicado, o gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, explicou que este mecanismo está em vigor desde quinta-feira e sublinhou que solicitou às plataformas “uma vigilância especial”.
Desde que foi ativado, já foram registadas mais de uma centena de notificações, metade das quais conduziram à suspensão de contas.
Esta cooperação traduz-se, em primeiro lugar, no facto de o Estado francês ir utilizar um canal único de comunicação com as plataformas, com uma equipa especial do Ministério do Interior associada ao seu portal, encarregada de receber informações sobre conteúdos ou comportamentos ilícitos na Internet.
Lecornu, que se reuniu na quinta-feira com os partidos e na quarta-feira com os sindicatos, tem sido amplamente criticado por todos os lados pela incapacidade do Governo em escutar as reivindicações e apresentar medidas concretas para apaziguar os manifestantes.
As autoridades decretaram na quinta-feira a prorrogação do recolher obrigatório em certas zonas de Paris, nomeadamente na Praça da República e no bairro histórico de Les Halles, todas as noites, das 23h00 às 06h00 locais (entre as 22h00 e as 05h00, hora de Lisboa), até segunda-feira de manhã.
A polícia acompanhou também, mais uma vez, este decreto com uma proibição que visa “qualquer concentração não declarada” durante a noite, nomeadamente nas imediações da Presidência da República (Palácio do Eliseu), da Assembleia Nacional (parlamento), da avenida dos Campos Elísios ou ainda das estações ferroviárias.
Na capital francesa, os museus parisienses do Louvre, d’Orsay, Picasso e o Grand Palais estarão encerrados no sábado devido às manifestações previstas.