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O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou esta sexta-feira que, apesar de o Presidente da República pedir consensos na habitação, o que existe abre as portas aos vistos gold e “borlas fiscais” para residentes não habituais.
“O que mais tem havido na habitação são consensos. O Chega, os liberais, o PSD e o Partido Socialista chegaram a um consenso para escancarar as portas aos vistos gold, aos nómadas digitais, para dar borlas fiscais a residentes não habituais, para construir hotéis e Airbnbs a cada esquina, para recusar qualquer medida de controlo dos preços (das rendas)”, disse José Manuel Pureza, que falava aos jornalistas na sede do Bloco de Esquerda, em Coimbra.
Referindo-se ao apelo de António José Seguro, que pediu consensos nesta matéria, o coordenador bloquista salientou que o consenso que vigorou e “continua a vigorar em Portugal” na habitação “é um consenso muito negativo” para o direito à habitação de todos os cidadãos.
“Esse consenso das direitas, que envolveu também o Partido Socialista ao longo de tanto tempo, deixou as gerações mais novas a ver o direito à habitação pelo buraco da fechadura. E agora (Luís) Montenegro e (André) Ventura chegaram a um novo consenso: um consenso para aumentar as rendas sem limites, para aumentar as cauções, para despejar até mesmo quem paga renda“, criticou.
Para José Manuel Pureza, “se Portugal precisa de um consenso para a habitação, é para fazer o contrário do que tem acontecido”.
Questionado sobre as recentes declarações do ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, que assumiu a responsabilidade política pelas intervenções policiais nas acampadas, José Manuel Pureza afirmou que “a primeira ilação a tirar é que estavam certos aqueles que foram sempre dizendo que a polícia bateu a mando do Governo“.
“A polícia teve uma resposta de natureza totalmente desproporcional relativamente àquilo que estava a acontecer. Nós tivemos sempre uma busca por parte do Governo de uma imagem de força, de uma imagem de imposição da força por contraposição a manifestantes que nunca exibiram qualquer sinal relevante de violência, de desacato que pudesse pôr em causa a ordem pública”, vincou.
Nesse sentido, o coordenador do Bloco de Esquerda entendeu que as intervenções da polícia, com recurso à bastonada, visaram “proporcionar uma imagem de força” para “compensar a fraqueza política do Governo e, muito em especial, a fraqueza política do ministro da Administração Interna”.
Face ao consenso negativo que sinalizou na habitação, José Manuel Pureza considerou que qualquer alteração terá de ocorrer após uma mobilização popular, tal como aconteceu na derrota do pacote laboral proposto pelo atual Governo.
Nesse sentido, o líder do Bloco de Esquerda apelou a toda a população que se revolte “com o preço das casas” e que “continue pacífica e democraticamente a sair à rua”.
“Por si, pelos seus filhos, pelos seus avós, pelos seus vizinhos, pelos seus amigos”, salientou.