Mais de 90% das crianças e jovens acolhidos em Portugal continuavam em instituições em 2025, apesar do aumento do acolhimento familiar, que abrangia apenas uma em cada 13 crianças e jovens, segundo dados oficiais.
De acordo com o Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens (CASA) 2025, do Instituto da Segurança Social, apenas 459 das 6.120 crianças e jovens acolhidos viviam em famílias de acolhimento, enquanto os restantes 5.661 estavam distribuídos por diferentes respostas residenciais.
Os números mostram que o acolhimento familiar representava 7,5% do total, contra 92,5% de acolhimento residencial, apesar de o número de crianças e jovens a viver em famílias de acolhimento ter aumentado 27,1% face a 2024, passando de 361 para 459.
A predominância das respostas residenciais verifica-se também entre as crianças mais novas, apesar de o acolhimento familiar ser considerado uma resposta prioritária para esta faixa etária.
Segundo o relatório, 69,5% das crianças até aos cinco anos estavam em casas de acolhimento generalistas, enquanto 26,4% viviam em famílias de acolhimento.
Isto significa que quase três em cada quatro crianças desta faixa etária continuavam fora do acolhimento familiar.
Apesar disso, os dados revelam uma evolução positiva relativamente a 2024, com a proporção de crianças até aos cinco anos em acolhimento familiar a aumentar 6,3 pontos percentuais, enquanto o peso das casas de acolhimento generalistas diminuiu 6,8 pontos percentuais.
No conjunto das respostas, as casas de acolhimento generalistas continuavam a concentrar a maioria das crianças e jovens, com 4.964 acolhidos, correspondentes a 81,1% do total.
Outros 358 jovens encontravam-se em apartamentos de autonomização e 339 em respostas residenciais destinadas a situações específicas.
Em 2025, o número total de crianças e jovens acolhidos diminuiu 3,6%, passando de 6.349 para 6.120, enquanto o acolhimento residencial recuou 5,5%.
Em sentido contrário, o número de famílias de acolhimento certificadas aumentou de 320 para 420, uma subida de cerca de 31%, revelando um reforço da capacidade de resposta familiar.
No mesmo período, o número de casas de acolhimento diminuiu de 347 para 336, enquanto os apartamentos de autonomização aumentaram de 88 para 91.
A aposta no acolhimento familiar enquadra-se no objetivo de proporcionar às crianças e jovens afastados temporariamente das suas famílias de origem um ambiente familiar estável, enquanto se procura uma solução adequada à sua situação.
O próprio relatório assinala que a maioria das medidas de promoção e proteção continua a ser aplicada em meio natural de vida, abrangendo 45.903 crianças e jovens, o equivalente a 88% do total de medidas.
Contudo, entre as crianças e jovens para quem foi necessário recorrer ao acolhimento, a resposta residencial manteve-se largamente dominante.