A ministra do Ambiente e Energia admite que a participação do Estado na Galp poderá ficar concentrada apenas na refinaria de Sines. Esta terça-feira, no Parlamento, Maria da Graça Carvalho disse que essa hipótese “não está fora de causa”, uma vez que a Galp mantém a intenção de separar a parte comercial da industrial, depois do falhanço do negócio com a Moeve.

Maria da Graça Carvalho respondia às questões dos deputados, no âmbito de uma audição sobre o Orçamento do Estado para 2027. Questionada pelo Chega sobre as “garantias concretas” que o Governo pode dar de que o controlo da Galp não sairá de Portugal, a ministra começou por explicar, à semelhança do que já tinha feito, que “se estiver em jogo um financiamento exterior à União Europeia, Portugal tem mecanismos diretos para atuar”. Caso o investimento seja europeu, “só com regras da concorrência ou com uma maior participação do Estado na Galp”.

No seguimento desta explicação, a ministra acrescentou uma nova possibilidade. “A Galp continua com a intenção de separar a parte comercial da industrial/refinaria. Poderá não estar fora de causa nós concentrarmos a nossa participação na refinaria, que é o que nos interessa, sem custos adicionais, e ter assim uma força maior na refinaria”, adiantou, sem mais detalhes.

Este fim de semana, em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, o ministro da Economia admitiu a possibilidade de o Estado aumentar a sua participação na Galp. “Se disser que está fora de causa estou a mentir”, declarou Castro Almeida.

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REN é “investimento com muitos benefícios para todos os portugueses”

Durante a mesma audição a ministra foi confrontada por vários deputados com a entrada do Estado na REN, tendo voltado a justificar a operação como uma questão de “soberania nacional e energética”.

Em resposta ao PS, defendeu que a entrada na REN “é investimento, não tem que ver com dívida nem com défice”. Para a ministra, o Estado “investiu na REN 528 milhões, não gastou. É investimento com muitos benefícios para todos os portugueses”.

Maria da Graça Carvalho insistiu várias vezes que a REN é “um bom investimento mas não é por isso que foi feito, foi pela soberania nacional e energética. Éramos o único país da União Europeia cuja empresa de transporte de eletricidade não tinha a participação do Estado”.

“Tínhamos controlo por sermos concedente e através do regulador independente, mas agora estamos por dentro e isso é importantíssimo numa empresa como a REN, quando queremos eletrificar a sociedade e fazer investimentos”, concluiu.