A empresa norte-americana de tecnologia Nvidia anunciou que vai abrir uma investigação sobre indicações de que o diretor executivo, Jensen Huang, foi “alvo de uma operação de serviços secretos estrangeiros”, revelou este domingo o conselho de administração.

O anúncio foi feito depois de Huang ter reconhecido perante o conselho de administração da empresa, a principal fabricante de ‘chips’ utilizados em sistemas de Inteligência Artificial (IA), que manteve uma relação íntima com uma empresária que, segundo os serviços de informações norte-americanos, estaria a recolher informações para Pequim, noticiou o jornal The New York Times.

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Huang pediu desculpa num comunicado dirigido à empresa: “Fui infiel à minha mulher. As minhas ações magoaram-na a ela e aos nossos filhos. Não há desculpa para o que fiz. Lamento profundamente”, escreveu, segundo o jornal.

Num comunicado, o conselho de administração da Nvidia declarou não ter “razões para acreditar que a segurança nacional ou os segredos da empresa tenham sido comprometidos”, mas adiantou que a investigação irá analisar todas as informações disponíveis.

Jensen Huang “apoia plenamente a análise e comprometeu-se a cooperar com a investigação”, acrescentou o conselho de administração. O empresário, de 63 anos, vai manter-se no cargo de presidente executivo durante a investigação.

O The New York Times noticiou no mês passado que os serviços de informações norte-americanos tinham descoberto que Huang desenvolvera uma relação próxima com Alice Huang, cidadã chinesa residente em Singapura e cliente da Nvidia, e concluído que esta transmitia informações diretamente a Pequim.

Os dois não têm qualquer relação de parentesco, segundo o jornal, acrescentando que Alice Huang foi anteriormente jornalista de televisão na China, antes de assumir um cargo de topo na Megaspeed, uma empresa de centros de dados sediada em Singapura, que se tornou num dos maiores clientes da Nvidia no sudeste asiático.

A Megaspeed comprou semicondutores da Nvidia no valor de mais de 4,8 mil milhões de dólares (cerca de 4,1 mil milhões de euros) nos últimos dois anos, refere ainda o The New York Times.