A vacina pentavalente (Pentavac), contra a difteria, tétano, tosse convulsa, Hamophilus influenzaeb e poliomielite, está esgotada em alguns serviços de vacinação do país, “por dificuldades de fornecimento do único fornecedor” em Portugal, confirmou, ao Observador, fonte oficial da Direção-Geral de Saúde (DGS). O laboratório que fornece esta vacina, a Sanofi Pasteur, explicou que se trata de um problema à escala global.
“Devido ao aumento crescente a nível mundial da procura de vacinas combinadas que contenham a componente pertussis (prevenção da Tosse Convulsa), existe um atraso temporário na produção das mesmas“, começou por explicar fonte oficial da Sanofi Pasteur MSD, logo acrescentando que, por isso mesmo, “a produção à escala global da vacina pentavalente (vacina contra a difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite e infecções por Haemophilus influenzae b) por parte dos principais fabricantes está a sofrer um atraso temporário”.
A Sanofi Pasteur MSD garantiu ainda ao Observador que está a encarar “este assunto com seriedade e preocupação” e que “estima resolver o atraso temporário de fornecimento do último mês ainda em junho.”
Apesar desta situação, a Sanofi Pasteur MSD, sublinha que “nos últimos seis meses distribuiu em Portugal cerca de 150 mil doses da vacina pentavalente.”
DGS tranquiliza famílias
Teresa Fernandes, técnica superior da Direção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde, da DGS, confirmou que a vacina Pentavac “está esgotada em alguns serviços de vacinação do país”, mas que ainda “hoje [sexta-feira], o fornecedor informou que está prevista a chegada de novo lote ainda este mês, não prevendo mais problemas com esta vacina até ao fim do ano.”
A DGS desdramatizou, porém, a questão, dizendo que “de qualquer forma, todas as crianças que atrasem o seu esquema de vacinação devido a este ou outros problemas, são convocadas para vacinação assim que a situação se resolver”.
Além disso, “as doenças para as quais esta vacina confere proteção estão eliminadas há mais de 2 décadas (poliomielite, difteria) ou controladas (registam-se casos raros no caso do tétano e da doença invasiva por Hamophilus influenzae b) em Portugal”, afirmou a mesma fonte da DGS.
Teresa Fernandes concluiu dizendo que “cerca de 95% da população portuguesa está imunizada contra estas doenças, pelo que o risco de contraírem estas doenças é muito baixo, em Portugal.”
A denúncia da falta desta vacina chegou ao Observador por parte de uma leitora, residente na Madeira, que deu conta da rutura de stock desde abril naquela região, o que fez com que o seu filho esteja a aguardar pela segunda e terceira tomas da vacina pentavalente, que deviam ter sido administradas aos quatro e aos seis meses.
Contactado, o gabinete do secretário de Estado da Saúde da Região Autónoma da Madeira explicou que o problema de rutura de stock não era exclusivo da Madeira.
Recorde-se que esta semana, na vizinha Espanha, foi conhecido um caso de difteria, numa criança de seis anos que não estava vacinada contra a doença, por opção dos pais. Há quase 30 anos que não havia um único caso de difteria registado naquele país.
Segundo o Plano Nacional de Vacinação, em Portugal as crianças recebem a vacina contra a difteria aos dois, quatro e seis meses, havendo um reforço aos 18 meses e outro entre os cinco e os seis anos de idade.