Leandro Santos e mais dez. Foi este o mote lançado por Bruno Lage na antevisão à partida deste sábado e que, presumivelmente, se iria repetir até ao final da temporada. A oportunidade do jovem lateral made in Seixal chegava numa altura de incerteza e de instabilidade, depois de Alex Bah, Tomás Araújo, Fredrik Aursnes, Manu Silva e Ángel Di María se terem lesionado nas duas partidas anteriores. Sem os três primeiros, o treinador encarnado teve de encontrar soluções e, para já, a alternativa é o jogador de 19 anos, que já tinha sido lançado por Lage em novembro, frente ao Estrela da Amadora, numa partida da Taça de Portugal (casa, 7-0). Quanto às restantes posições, António Silva e Nico Otamendi seguem no centro da defesa, com Adrian Bajrami e Gustavo Marques como alternativas, e, nas partidas da Primeira Liga, Bruma parte na pole position para atuar num dos corredores do ataque.
Pavlidis, o único assassino que mata os tremores de Lage (a crónica do Mónaco-Benfica)
“As viagens também contam, mas o mais importante é o tempo de intervalo entre os jogos. Jogámos às 21h00 [hora local] no Mónaco e, ao terceiro dia, vamos jogar às 17h00 [hora local] nos Açores. Nem o mínimo, que são as 72 horas, vamos ter para seguir de um jogo para o jogo seguinte. O que temos de fazer é olhar para todos os dados, que tenho aqui para alguma eventual pergunta seguinte, e escolher o melhor onze. Quando digo que a cada momento escolhemos o melhor onze, é essencialmente por isso. Perceber quem está fresco, quem está disponível para fazer o jogo em função da estratégia”, lamentou Lage na antevisão, exibindo, depois, os seus apontamentos, com notas sobre os pontos perdidos por várias equipas europeias depois de atuarem na Liga dos Campeões e o planeamento para esta semana.
Ficha de jogo
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Santa Clara-Benfica, 0-1
22.ª jornada da Primeira Liga
Estádio de São Miguel, em Ponta Delgada
Árbitro: Hélder Malheiro (Lisboa)
Santa Clara: Gabriel Batista; Sidney Lima, Luís Rocha (Matheus Pereira, 70’), MT; Lucas Soares, Adriano Firmino, Serginho (Pedro Ferreira, 70’), Diogo Calila (Frederico Venâncio, 80’); Ricardinho (Daniel Borges, 87’), Vinícius Lopes (João Costa, 80’) e Gabriel Silva
Suplentes não utilizados: Neneca; Matheusinho, Gui Ramos e Habraão
Treinador: Vasco Matos
Benfica: Anatoliy Trubin; António Silva, Nico Otamendi, Álvaro Carreras; Leandro Santos (Nuno Félix, 86’), Leandro Barreiro, Florentino Luís (Orkun Kökçü, 46’), Samuel Dahl; Zeki Amdouni (Kerem Aktürkoglu, 71’), Andrea Belotti (Vangelis Pavlidis, 71’) e Bruma (João Rego, 86’)
Suplentes não utilizados: Samu Soares; Arthur Cabral, Gustavo Marques e Adrian Bajrami
Treinador: Bruno Lage
Golos: Bruma (55’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Barreiro (49’), Vinícius (57’), Luís Rocha (59’), Sidney (62’ e 76’), Calila (77’), Pedro Ferreira (87’) e Rego (90+1’), vermelho a Sidney (76’)
Com três jogos em seis dias, a tarefa já era, por si só, complicada. A missão subiu de dificuldades por se tratar de uma eliminatória europeia e, pelo meio, de uma complicada deslocação a casa do Santa Clara, uma das principais equipas desta edição do Campeonato. Ainda assim, o favoritismo estava, naturalmente, do lado encarnado, que vinha de quatro vitórias consecutivas e de um importante triunfo no Principado, com mais um golo de Vangelis Pavlidis que, curiosamente, foi eleito o melhor em campo nessas quatro vitórias. Tropeçar era proibido, sob pena de ver o rival Sporting voltar a distanciar-se na liderança, numa altura em que todos os pontos contam.
Os açorianos entraram para esta 22.ª jornada num confortável quinto lugar que, no final da época, poderá dar entrar nas pré-eliminatórias da Liga Conferência. Depois do empate no Dragão (1-1), a equipa de Vasco Matos somou dois triunfos — Casa Pia (casa, 2-1) e AVS (fora, 2-1) —, pelo que tinha a moral em alta, ainda que as lesões, neste caso de Wendel Silva e Pedro Pacheco, também pesassem. A história pendia claramente para o Benfica que, mesmo na presente temporada, já tinha levado a melhor em duas ocasiões: 4-1 na primeira volta e 3-0 na Taça da Liga.
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Ora, se se esperava a titularidade de Leandro Santos, o que chegou antes da partida foi uma autêntica revolução promovida por Bruno Lage. A defesa acabou por ser a esperada, com o lateral, António Silva, Nico Otamendi e Álvaro Carreras a jogares à frente de Anatoliy Trubin mas, do meio-campo para a frente, só Florentino Luís segurou a titularidade. Leandro Barreiro juntou-se ao português no miolo, com Zeki Amdouni a atuar mais à frente, no apoio a Andrea Belotti. Nas alas, Samuel Dahl estreou-se pelos encarnados e atuou com Bruma. Em sentido inverso, Vasco Matos foi mais conservador e apostou na equipa tradicional, com apenas uma nuance: MT manteve-se como central pela esquerda e Lucas Soares jogou na ala direita, o que “obrigou” Diogo Calila a descair para a esquerda.
Com Carreras como terceiro central, Bruma e Amdouni por dentro, numa tentativa de pressionar o jogo interior do Santa Clara, os açorianos até entraram com mais iniciativa e criaram a primeira ocasião da partida, com Vinícius Lopes a isolar-se depois de o defesa espanhol escorregar, mas Trubin estava atento e saiu rapidamente da baliza para parar o perigo (5′). Na resposta, Dahl cobrou um livre para a área, Sidney Lima falhou o corte e Belotti, com tudo para marcar, atirou para defesa de Gabriel Batista, falhando depois a recarga com a baliza aberta (11′). O Benfica continuou com dificuldades de coordenação num 3-4-3 pouco visto e, depois de uma atrapalhação entre Carreras e Otamendi, Gabriel Silva recuperou a bola e aproveitou para lançar o contra-ataque, deixando já dentro da área para o remate de perigoso de Ricardinho, que Trubin voltou a parar (17′).
⏱️ 19’ | Santa Clara 0 – 0 Benfica
◉ Início animado, com lances perigosos em ambas as balizas. A brincar a brincar, Trubin já evitou um golo esperado em apenas 2 defesas (0.6 vs xSaves)#CDSCSLB #LigaPortugal #SLBenfica pic.twitter.com/uvmPQVsjUF
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A partir daí, os encarnados instalaram-se no meio-campo adversário e, como sinal do domínio e do desacerto na finalização da equipa de Lage, deixaram de existir oportunidades nas duas balizas. Já na parte final da primeira metade, Dahl cobrou um livre na direita, encostado à bandeirola de canto, Gabriel Batista não completou o alívio e, na sequência do lance, Barreiro colocou em António Silva que, dentro da pequena área, cabeceou à trave (40′). Assim, a partida chegou ao intervalo sem golos, apesar de o Benfica ter mostrado maior capacidade com bola e criado as principais ocasiões de perigo. Em sentido inverso, a defesa a três — ou a cinco — mostrou que precisa de bem mais trabalho e coordenação.
Para a etapa complementar, Bruno Lage decidiu mexer no miolo e tirou um Florentino que esteve muito aquém no capítulo do passe, colocando Orkun Kökçü. A alteração quase teve efeitos imediatos, embora de forma indireta, já que, logo a abrir, Bruma apareceu isolado depois de um cruzamento de Leandro Santos, mas Gabriel Batista parou o seu remate em esforço (46′). Na resposta, Vinícius obrigou Trubin a uma intervenção apertada junto ao solo, depois de ter rompido entrelinhas (52′). Pouco depois, o médio turco inventou uma jogada pela direita ao ler a desmarcação de Amdouni nas costas de Calila, o avançado cruzou rasteiro e, à boca da baliza, Bruma encostou para o golo inaugural (55′).
Com a vantagem no marcador, o Benfica continuou em busca do golo e ficou perto de marcar praticamente logo a seguir, com Bruma a atirar ligeiramente por cima na ressaca de um canto (61′). O jogo entrou numa toada mais morna e Vasco Matos aproveitou para alterar as dinâmicas da equipa com as entradas de Matheus Pereira e Pedro Ferreira, embora o esquema tático se tenha mantido (70′). Bruno Lage também mexeu e optou por trocas diretas: Pavlidis por Belotti e Kerem Aktürkoglu por Amdouni. Numa altura em que se preparava para lançar o ponta de lança João Costa, Sidney foi displicente, carregou o avançado grego quando este partia para o contra-ataque e foi expulso por duplo amarelo (76′).
Já depois de ter lançado o avançado e restabelecido a linha defensiva, o Santa Clara manteve-se no ataque nos últimos minutos, beneficiando da postura defensiva do Benfica. Numa das ocasiões, Pedro Ferreira levantou um livre para a área, a defesa não conseguiu cortar e, com um remate de primeira, o recém-entrado Frederico Venâncio atirou ligeiramente ao lado do poste esquerdo (81′). Ainda houve tempo para mais uma estreia na equipa principal do Benfica, de Nuno Félix, e para as entradas de João Rego e Daniel Borges, mas o resultado manteve-se e os encarnados garantiram o quinto triunfo consecutivo, que permite, para já, estar a um ponto do líder Sporting.