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Yakov Yurovski estava nervoso. Filipp Goloshchyokin tinha-lhe dito que o camião chegaria por volta da meia-noite, altura em que seria transmitida a ordem de execução. Já passava da uma da manhã e ainda não tinha chegado qualquer informação da parte do Comité Executivo do Soviete Regional dos Urais, responsável pela decisão final. Cada vez mais tenso, Yurovski foi aguardando. Os seus homens, armados até aos dentes, esperavam no seu gabinete na Casa Ipatiev desde as onze da noite. Finalmente, à 1h30, um camarada do partido dirigiu-se ao guarda de serviço e passou-lhe a mensagem há muito esperada: “limpa-chaminés”. Yurovski podia entrar em ação.

Por volta das três da manhã, todos os ocupantes da Casa Ipatiev estavam mortos. Nicolau, ex-czar de toda a Rússia, a mulher, os cinco filhos e os empregados que tinham percorrido com eles metade do país, foram brutalmente assassinados na adega da moradia de dois andares que, antes de o Exército Vermelho tomar conta de Ecaterimburgo, tinha pertencido a um engenheiro de minas abastado. Depois de assassinados, os cadáveres dos Romanov foram transportados dentro da carrinha Fiat até a um bosque, desfigurados com ácido sulfúrico e enterrados em duas valas com poucos centímetros de profundidade, abertas no meio de uma estrada. Depois de aplanada a terra, com a ajuda do camião, Yurovski e os seus homens fizeram um voto de silêncio: a noite de 16 para 17 de julho de 1918 nunca tinha acontecido.

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