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Franz Ferdinand
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▲Franz Ferdinand

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Franz Ferdinand

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

17 concertos a não perder no Vodafone Paredes de Coura

A Praia Fluvial do Taboão volta a encher-se de música para mais uma edição deste festival de culto. Dos Franz Ferdinand a Mk.gee, passando pelos AIR e pelos Vampire Weekend, eis os destaques.

É um dos últimos grandes festivais de música do verão e a prova de que, num momento de grande saturação do mercado, as pessoas procuram festivais de culto que, mais do que tudo, sobressaem pelo ambiente vivido e pelo sítio especial onde acontecem. É o caso do Vodafone Paredes de Coura, um festival de culto que, mesmo sem um cartaz estrondosamente diferenciador ou com uma qualidade fora de série face às edições anteriores, esgotou os passes gerais e, por enquanto, os bilhetes diários para 16 de agosto.

O festival só arranca oficialmente esta quarta-feira, dia 13, prolongando-se até sábado, mas, como sempre, a programação inicia-se nos dias antes na própria vila de Paredes de Coura, antes de chegar à Praia Fluvial do Rio Taboão. Nos próprios dias do festival, entre 13 e 16 de agosto, a música também começa na relva junto do rio, na zona de campismo, antes de passar para o grande anfiteatro ao ar livre, no recinto oficial do festival.

O Vodafone Paredes de Coura mantém-se, este ano, um festival eclético ao integrar propostas diferentes — com preponderância para pesos pesados do indie rock como Franz Ferdinand, Vampire Weekend, DIIV ou Portugal. The Man, mas também abrindo espaço para novos caminhos da pop, para a tensão e energia do punk, para híbridos que vão beber ao R&B ou à música de dança. Eis um possível roteiro para os quatro dias oficiais de Vodafone Paredes de Coura.

Quarta-feira, 13 de Agosto

Cass McCombs

Palco BacanaPlay, 19h40

Seis anos depois da última passagem por Portugal, Cass McCombs estreia-se em Paredes de Coura e traz consigo dois discos que nunca apresentou por cá, Heartmind (2022) e Seed Cake on Leap Year (2024), com destaque para o mais recente. Conhecido pela sua música de nuances rock que vai beber ao folclore norte-americano e a outras latitudes — do jazz à música latina, passando por uma estética psicadélica — para o novo álbum foi recuperar canções inéditas compostas entre 1999 e 2000 numa fase de grande imersão na cena artística de São Francisco. Só depois se lançaria na estrada que o levaria a estabelecer-se em Nova Iorque, onde escreveria a música que o tornaria célebre. O disco representa, portanto, uma viagem a um passado nunca desvendado, às raízes do seu imaginário artístico. Vale a pena embarcar na aventura sonora neste final de tarde do primeiro dia oficial de festival.

Zaho de Sagazan

Palco Vodafone, 22h25

Novo fenómeno da canção francesa, Zaho de Sagazan estreia-se em Portugal com esta performance em Paredes de Coura. A cantora de 25 anos tem uma voz inconfundível, ao mesmo tempo intensa, áspera e aveludada. Destacou-se no ano passado por se ter tornado na primeira artista a conquistar quatro prémios da Música Francesa — Álbum do Ano (para a sua estreia com La Symphonie des Éclairs), Melhor Canção Original, Melhor Revelação Feminina e Melhor Revelação Ao Vivo — e agora vem mostrar todos os seus dotes e trunfos ao público português.

Vampire Weekend

Palco Vodafone, 0h20

São um dos grandes cabeças de cartaz desta edição. Os Vampire Weekend estão de volta a Portugal, meia-dúzia de anos depois, para apresentar o disco editado no ano passado. Only God Was Above Us é um disco inspirado pelas memórias de Nova Iorque nos anos 90 e início dos 2000, que serviu de matéria prima para uma indie pop e rock de autor, com diferentes experimentações pelo meio. Praticamente duas décadas desde o início de tudo, os Vampire Weekend mantêm-se em boa forma e com uma experiência que os favorece, já que o novo álbum foi amplamente aclamado pela crítica.

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▲ Vampire Weekend

Getty Images

Joey Valence & Brae

Palco BacanaPlay, 1h50

Fazem lembrar os Beastie Boys, com o seu rap aguerrido e barulhento (no bom sentido) e, acima de tudo, a sua energia punk. Os norte-americanos Joey Valence & Brae apresentam-se em estreia absoluta em Portugal, para um concerto que promete ser agitado e envolvente para o público. Com eles trazem os temas dos seus três discos lançados de rajada — Punk Tactics (2023), No Hands (2024) e Hyperyouth (2025) —, repletos de referências à cultura pop e versos satíricos. A derradeira festa no primeiro dia oficial de Vodafone Paredes de Coura.

Quinta-feira, 14 de Agosto

Linda Martini

Palco Vodafone, 17h10

Num disco urgente e politizado, que tanto reflete o “agora”, os Linda Martini abriram o ano de Passa-Montanhas a cobrir o rosto. A banda recuperou uma história real e simbólica da sua juventude na Linha de Sintra para construir o imaginário de um álbum que se apresenta contra as divisões, apontando o dedo à violência policial e questionando os multimilionários no poder, como um “coração rápido” contra o assombro dos tempos. Essa música libertadora e acelerada promete ser a base para uma sessão intensa de catarse a meio da tarde.

Lola Young

Palco Vodafone, 22h40

É mais uma das estreias absolutas em Portugal que o Vodafone Paredes de Coura tem o mérito de proporcionar. A londrina Lola Young é a autora de êxitos como Messy, One Thing ou Conceited, entre tantos outros temas saídos dos três álbuns que lançou desde 2019. Entre o R&B, a soul e a pop, tem uma voz poderosa que usa para cantar versos de (des)amor, raiva ou paixão. O mais recente disco, This Wasn’t Meant For You Anyway (2024), que estará em destaque no alinhamento, fala sobre ser jovem e atravessar um caos romântico, entre o fim de uma relação e o início de outra.

Soft Play

Palco BacanaPlay, 23h40

Durante uma década, foram conhecidos como Slaves, mas nos últimos anos mudaram o nome para Soft Play. Certo é que esta dupla britânica de punk rock — formada por Laurie Vincent e Isaac Holman — habituou os fãs a atuações agitadas e cativantes, ritmo que mantêm neste regresso intenso à vida de estrada para apresentar o álbum editado no ano passado, Heavy Jelly. É lá que podemos encontrar bujardas sonoras como Punk’s Dead ou Act Violently, que prometem fazer tremer o chão (e levantar o pó) em Paredes de Coura.

Portugal. The Man

Palco Vodafone, 0h35

Ao segundo dia de festival, que não haja dúvidas de que o papel de cabeça de cartaz cabe aos norte-americanos que ostentam orgulhosamente o nosso país no nome. Os Portugal. The Man regressam a um palco onde já foram felizes por duas vezes — em 2009 e 2016 — para tocar canções rock sem prazo de validade como Feel It Still, So Young ou Modern Jesus, bem como os temas do mais recente álbum, Chris Black Changed My Life, editado há um par de anos, que presta tributo a um malogrado amigo de longa data da banda.

Sexta-feira, 15 de Agosto

Black Country, New Road

Palco Vodafone, 20h45

Autores de um rock exploratório que vai beber a diversas influências, os britânicos Black Country, New Road regressam a Portugal para apresentarem o novo disco, Forever Howlong. É o primeiro álbum desde que o vocalista Isaac Wood deixou o grupo — as vozes e as composições passaram a ficar sobretudo a cargo de Tyler Hyde, Georgia Ellery e May Kershaw. Apesar das mudanças internas, o álbum foi bem recebido pela crítica, que no geral considerou as novas canções mais acessíveis e animadas do que os trabalhos anteriores da banda. A nova vida dos Black Country, New Road chega agora aos palcos portugueses.

Lambrini Girls

Palco BacanaPlay, 21h50

Phoebe Lunny e Lilly Macieira são as Lambrini Girls, banda britânica de punk feminista que lançou este mesmo ano o seu álbum de estreia, Who Let The Dogs Out. A missão? Sobretudo tornar este género musical num espaço seguro para todos, rompendo com os contraditórios preconceitos, privilégios e abusos que persistem numa música tão libertadora (e livre) como o punk rock. As suas canções falam para dentro e representam essa mudança interior, mas também para fora, quando apontam o dedo aos inúmeros problemas do mundo contemporâneo. É a segunda vez que tocam em Portugal, depois de no ano passado se terem estreado no Tremor, na ilha açoriana de São Miguel.

King Krule

Palco Vodafone, 22h35

Oito anos desde a última vez que pisou o palco do Vodafone Paredes de Coura, o londrino King Krule regressa ao Minho com as suas canções poéticas e introspetivas, certamente autorais, que cruzam uma aura punk com elementos sonoros jazzísticos, hip hop, texturas eletrónicas e vertigem rock. A sua grande imagem de marca, além da sua voz característica, é a guitarra rítmica que vai pincelando as suas paisagens sonoras. Canções já emblemáticas como Out Getting Ribs ou Baby Blue prometem não falhar o alinhamento, que deverá contemplar igualmente temas do EP SHHHHHHH! (2024) e do mais recente álbum Space Heavy (2023).

Mk.gee

Palco Vodafone, 0h35

É outro dos grandes destaques desta edição do festival. Mk.gee afirmou-se, ao longo dos últimos anos, como um dos músicos relevantes em ascensão na cena norte-americana e na indústria musical global — trabalhando na sua música mas também compondo e produzindo para Justin Bieber, Bon Iver ou Fred Again, entre vários outros. Multi-instrumentista e produtor, Mk.gee é um virtuoso da guitarra que tem sido elogiado pelos seus pares (e pela crítica) por a levar por caminhos distintos, explorando à sua maneira um instrumento que permanece uma fonte infinita de criatividade. As suas linhas de guitarra são depois transportadas para um universo indie, de registo lo-fi, que vai beber ao R&B mas também à psicadelia, dando origem a uma identidade bastante própria que se tem provado influente. O seu novo álbum, que agora apresenta pela primeira vez em Portugal, chegou em 2024 com o título de Two Star & The Dream Police.

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▲ Mk.gee

Getty Images

Sábado, 16 de Agosto

DIIV

Palco Vodafone, 18h55

O último dia de Vodafone Paredes de Coura arranca com mais um regresso ao Couraíso. Os DIIV estão de volta, sete anos depois, para apresentar o álbum Frog in Boiling Water (2024) — um registo que musicalmente reflete a sensação de colapso da sociedade, que espelha a condição moderna provocada pela sociedade capitalista e as suas idiossincrasias. Nascidos e criados em Nova Iorque, os DIIV são uma banda relevante e influente dos últimos 15 anos de indie rock, com nuances pós-punk, shoegaze ou dream pop que expandem o seu imaginário artístico e o levam por diferentes direções.

Sharon Van Etten & The Attachment Theory

Palco Vodafone, 20h40

Já com uma vasta experiência de carreira, a cantautora indie Sharon Van Etten — por vezes mais rock, por vezes mais folk — juntou-se este ano pela primeira vez com a sua banda para criar um disco conjunto. Sharon Van Etten & the Attachment Theory foi o resultado, que mantém o registo confessional, canções que refletem sobre a vida e o amor, mas que em termos sonoros leva o registo para outras coordenadas dentro do seu universo. Mais do que nunca, frontwoman e banda são um só nos palcos, com as novas canções a materializarem-se definitivamente na experiência da música ao vivo. É o regresso de Van Etten a Portugal três anos depois de ter passado pela Aula Magna, em Lisboa.

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▲ Sharon Van Etten

Samir Hussein/WireImage

AIR

Palco Vodafone, 22h45

Depois de no ano passado terem levado a celebração dos 25 anos de Moon Safari ao Ageas Cooljazz, em Cascais, desta vez o momento de nostalgia e catarse acontece a Norte. Os franceses AIR estão na estrada com a obra-prima que mudou a sua vida e que os tornou numa das duplas mais criativas da viragem do milénio, com um legado que influenciou a música pop até ao topo da cadeia alimentar, com a sua estética downtempo e ambiente, a sua música espacial (e especial) que nos levou a todos até à Lua e mais além. É precisamente essa a comemoração, com os arranjos originais das gravações, naquela que promete ser uma das performances mais especiais este ano em Paredes de Coura.

Lander & Adriaan

Palco BacanaPlay, 00h00

Ainda não é a explosão final, mas a atuação da dupla belga Lander & Adriaan promete ser um pontapé de partida à altura para uma despedida em grande do festival. Projeto fundado durante os confinamentos da pandemia, em torno de uma paixão comum por sintetizadores digitais e pela música de dança underground dos anos 90, as jams espontâneas culminaram em criações próprias e performances enérgicas que prometem não deixar ninguém indiferente. Batidas aceleradas, melodias açucaradas, o jazz a entrelaçar-se com o melhor da eletrónica dos anos 90, numa apoteose irresistível. É outra estreia em Portugal.

Franz Ferdinand

Palco Vodafone, 1h

O último grande destaque deste Vodafone Paredes de Coura é o regresso dos escoceses Franz Ferdinand ao festival, por onde já tinham passado em 2009 e 2014. Desta vez, com um estatuto de banda mais experiente e vivida, vêm apresentar o seu sexto álbum, The Human Fear, editado no início deste ano. Realeza do indie rock, conhecidos pela sua abordagem dançável ao género, o novo disco centra-se nos diferentes medos que nos assolam enquanto humanidade — sobretudo os mais íntimos e pessoais — e é também o primeiro trabalho com a participação completa do guitarrista Dino Bardot e do baterista Audrey Tait, que se juntaram ao grupo nos últimos anos, substituindo os membros fundadores Nick McCarthy e Paul Thomson. Mas êxitos anteriores como Take Me Out ou No You Girls, entre tantos outros, prometem ser os momentos altos da derradeira festa.

[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

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