Em finais de Setembro de 1975, tinham decorrido apenas 18 meses desde a morte do primeiro-ministro espanhol, Carrero Blanco, num terrível e brutal atentado reivindicado pela ETA, onde o seu carro foi projetado mais de 30 metros no ar, aterrando no telhado de um edifício, em pleno centro de Madrid. Apenas um ano antes, outro atentado, uma bomba colocada num restaurante, a Cafetería Rolando, junto à sede da polícia, matou 13 pessoas e feriu mais de 70. Entre os cadáveres, um empregado de mesa, um cozinheiro, uma professora, um reformado, uma estudante, dois casais em lua de mel, um funcionário dos caminhos de ferro, uma funcionária administrativa dos arquivos da polícia. Havia apenas um inspector de polícia na lista das vítimas mortais. Foi o primeiro de vários atentados indiscriminados da ETA. Como faria vezes sem conta no decurso da sua violenta e trágica história.
Já o ano de 75 não tinha sido muito diferente: cinco guardas civis, dois agentes da polícia e um autarca foram mortos. Ainda que nos anos seguintes, já em democracia, os assassinatos tenham um crescimento exponencial, a ETA tinha-se tornado uma organização muito violenta, o que tinha endurecido drasticamente a reacção do regime franquista face ao terrorismo. Franco, com 82 anos, tinha uma saúde frágil e Juan Carlos de Bourbon já tinha sido proposto para o suceder como Rei. As perspetivas de abertura do regime pareciam cada vez mais claras, mas ainda não totalmente irreversíveis.
O tribunal militar de Burgos condenou à morte três membros da FRAP (Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica), organização terrorista de extrema-esquerda, criada em 1971, responsável por vários atentados, dos quais tinham resultado a morte de cinco polícias de trânsito e um guarda civil.
Na mesma sentença, foram ainda condenados à morte dois membros da ETA, organização cuja história dispensa, infelizmente, apresentações: Juan Paredes, o Txiki, condenado pelo assalto a uma agência do Banco Santander do qual resultou a morte de um guarda civil e envolvido em vários sequestros, e Ángel Otaegui, conhecido como Azpeiti ou Caraquemada, acusado de matar à queima-roupa um outro agente da Guarda Civil.
Estas condenações estiveram envoltas em polémica, pela rapidez da sentença e por se ter discutido se a aplicação da pena capital seria por garrote ou por fuzilamento, como veio a acontecer. A pena de morte já não se aplicava na Europa, desde a II Guerra, nas democracias ocidentais. A França ainda a aplicou em 1977, mas Portugal já a tinha abolido há cerca de 100 anos.
A aversão ao regime franquista e uma certa tolerância e permissividade existente à volta do fenómeno, ainda recente, do terrorismo de extrema-esquerda, eram os ingredientes para a criação de uma enorme contestação internacional. As ações e os protestos contra Espanha tinham começado em finais de Agosto, não apenas em Portugal, mas em toda a Europa, desde que tinha sido conhecida a sentença. O anúncio da condenação à morte dos cinco terroristas e de três indultados resultou em grandes manifestações e protestos desde Copenhaga a Roma, e até o Papa Paulo VI se tinha pronunciado no dia em que foi executada a sentença: “Esta manhã, sentimos um vazio no coração”.
Segundo relata o jornal “Le Figaro”, em Paris, dezenas de gendarmes e um par de tanques cercavam a embaixada Espanhola, tal como em Bona, onde a embaixada era guardada por dois blindados e respetiva tropa. Em Estrasburgo, foi atirado um cocktail molotov, mas a polícia dispersou os 500 manifestantes com granadas de gás lacrimogénio e tiros para o ar. Em Lisboa, sem proteção e com furor revolucionário, tudo foi diferente.
Em Portugal, a contestação estava ao rubro. O PCP e a extrema-esquerda tinham tomado as ruas, que eram agora campo de batalha contra o governo não comunista de Pinheiro de Azevedo. O COPCON de Otelo estava a perder credibilidade e peso político, desde a Assembleia de Tancos, mas o clima de irresponsabilidade e impunidade era total. Tudo era permitido desde que sustentado num ideal revolucionário. Estavam misturados todos os ingredientes para que a manifestação de protesto se transformasse num quase motim descontrolado.
Antonio Poch, embaixador de Espanha em Portugal, diplomata de carreira e catedrático em Filosofia, em entrevista ao jornal ABC, relatava: “Tínhamos notícias de que estavam previstos sequestros, inclusivamente as mortes de alguns diplomatas espanhóis”. O seu n.º 2 na embaixada, Inocêncio Arias, que se tornou mais tarde conhecido por ter sido diretor de futebol do Real Madrid no início dos anos 90, recordou os acontecimentos: “Temíamos alguma coisa em Setembro. O embaixador falou com Costa Gomes a pedir proteção adequada, e o Presidente da República disse-lhe para não se preocupar”. Uns dias antes, já o embaixador tinha também pedido proteção a Melo Antunes, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros do VI Governo Provisório.
A Embaixada, a 1 de Setembro de 1975, já tinha sofrido um atentado com a colocação de uma bomba no Palácio de Palhavã, em Sete Rios, e, um dia depois, no Consulado-Geral de Espanha no Porto, explodiu outra bomba de baixa potência, mas ainda assim provocando quatro feridos ligeiros e prejuízos materiais. Ambos os atentados foram reivindicados pela Solidariedade Revolucionária Internacionalista, movimento sem rosto, nem pátria. A expectativa que o processo revolucionário criou, em particular nos movimentos comunistas e de extrema-esquerda, provocou vagas de apoio que se consubstanciavam em manifestações e outro tipo de ações mais musculadas.
Nesses dias, cada vez que alguém saía do consulado no Palácio Lima Mayer, na esquina da Rua do Salitre com a Avenida da Liberdade, eram fotografados, sem saberem porquê ou por quem. Uns dias antes, houve mesmo uma manifestação em frente à embaixada. Inocêncio Arias, que tinha acabado de chegar a Portugal, infiltrou-se nesse dia entre os manifestantes, cerca de 500, mas, para sua surpresa, só metade eram portugueses. Os restantes eram espanhóis, chilenos, franceses, alemães. O caldo da internacional revolucionária estava cozinhado, mas os protestos contra a pena de morte eram apenas instrumentais para a invasão, destruição e roubo da embaixada. Alguém orquestrava e manobrava bem aquela gente.
Segundo o conselheiro da Embaixada, “os que dirigiam aquilo eram espanhóis da FRAP [Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica], a qual pertenciam três dos cinco condenados à morte pelo Conselho de Guerra de Burgos de 28 de Agosto; e, além de portugueses, havia também chilenos, cubanos, brasileiros, tupamaros (grupo guerrilheiro de extrema-esquerda do Uruguai), italianos… um bom sortido da IV Internacional trotskista.” Ao contrário do que se poderia pensar, não havia só protestos espontâneos, mas sim organizados, premeditados e coordenados.
Melo Antunes alertou o Presidente Costa Gomes sobre os riscos existentes e este solicitou ao COPCON que fossem tomadas medidas de proteção. Otelo ordenou ao RALIS (Regimento de Artilharia de Lisboa, comandado pelo comunista Dinis de Almeida) para destacar tropas para proteger a embaixada e as suas delegações. No entanto, como era hábito em alguns setores mais radicais do exército, todas as decisões careciam de validação numa assembleia ou plenário, de soldados e de sargentos, com alguns oficiais, que discutiram se cumpriam ou não as ordens. Por isso, acabaram por não aparecer. “O RALIS não sai porque sair era pactuar com o regime franquista!“ Embaixador queixar-se-ia mais tarde: “A segurança da embaixada ficou a cargo do regimento mais vermelho de Portugal. Creio que foi uma ingenuidade, uma criancice”.
▲ No Palácio Lima Mayer, entre a Rua do Salitre e a Avenida da Liberdade, os manifestantes subiram pelo alçado, chegando às janelas do primeiro piso, que partiram para entrar
Como diria mais tarde Freire Antunes: “Na Região Militar de Lisboa, o Exército era uma ficção. Uma espécie de casa-mãe onde os incapazes de pensarem com a própria cabeça bebem o seu folclore e a sua alucinação. Um exército trôpego, polvilhado, inoperacional e cheio de arrogância juvenil. Não fazia uma revolução: alimentava uma comédia. Era um exército de opereta”.
Ao final do dia 26 de Setembro, não sendo cumprida a promessa de Costa Gomes, o embaixador abandona a residência, com a sua mulher, por uma porta das traseiras e refugia-se em casa de Inocêncio Arias, tendo apanhado um táxi.
O conceito de imunidade diplomática era, pelos vistos, desconhecido das tropas revolucionárias. Tanto o Rádio Clube Português, onde entre outros se destaca a voz de Artur Albarran, como a Rádio Renascença, entretanto ocupada por forças próximas da UDP (União Democrática Popular) e pelos tristemente famosos “Cristãos pelo Socialismo”, relatavam num estado de euforia revolucionária e tresloucada só comparada às claques futebolísticas.
Segundo o jornal “A Capital”, tudo terá começado com a leitura de um comunicado da UDP, lido aos microfones da Rádio Clube Português, apelando à concentração popular em frente às instalações diplomáticas espanholas, no Palácio Lima Mayer, na Rua do Salitre, onde funcionava a chancelaria, o consulado e o posto de turismo. Gritavam-se frases como “Franco para o garrote”, “Abaixo o Fascismo”. A UDP, partido fundador do Bloco de Esquerda, e a ETA haveriam de construir relações estreitas e de proximidade, até ao século XXI e já depois da formação do Bloco de Esquerda, como descreveu Diogo Noivo, no seu livro “Uma História da ETA. Nação e Violência em Espanha e Portugal”.
Já durante a noite, os manifestantes subiram pelo alçado, chegando às janelas do primeiro piso que partiram para entrar. No interior, começaram a lançar o recheio pela janela, que se começou a acumular na rua, até que alguém lançou fogo que se propagou rapidamente a todo o edifício. Entretanto, vários carros iam chegando e estacionando na placa lateral, o que engrossava o número de manifestantes e curiosos. Algumas carrinhas da PSP estavam nas proximidades sem nunca ousarem deter os manifestantes. No entanto, ainda foram capazes de deter quatro homens que transportavam caixas de cartão com vários objetos de prata, que se provou pertencerem ao consulado.
Não havia mais a destruir e a multidão segue para a Praça de Espanha, para o Palácio Palhavã, a residência do embaixador, onde a tensão tinha já atingido o seu ponto máximo. Uma turba de cerca de 3000 extremistas começou a atirar pedras contra as janelas e alguns manifestantes invadiram os jardins, derrubando estátuas como passo prévio ao assalto ao palácio, que desde 1918 era residência dos embaixadores de Madrid em Portugal. Muitos invadiram os jardins, onde derrubaram as estátuas neoclássicas; outros dirigiram-se diretamente à capela e começaram a roubar crucifixos e Cristos de prata. Outros tentaram levar consigo objetos, como o serviço de talheres de prata, e de certa forma poderem lucrar com o assalto.
Enchem-se carrinhas com valores incalculáveis, roubam-se baixelas de prata, candelabros de ouro. No jardim, queimam-se telas preciosas e livros raros, lançam-se ao fogo redentor móveis antiquíssimos e tapeçarias flamengas penduradas nas paredes. No interior do edifício, quebraram jarros vindos do Oriente, porcelanas finas, e param na adega e bebem os melhores vinhos da garrafeira, como se estivessem a beber um tinto em copo saído directamente da pipa. É um Carnaval em archotes triunfais, pela noite lisboeta, uma orgia primária de vândalos à solta em nome do antifascismo e da revolução comunista.
A turba não distinguiu arte de bugigangas no seu avanço destrutivo pelo interior da embaixada. Outros ainda, menos descontrolados, dirigiram-se à residência do embaixador, à procura da cifra, o código secreto que permite manter as comunicações encriptadas entre a Embaixada e o seu governo. A bandeira da FRAP é então hasteada no mastro em substituição da espanhola, tal como já tinha acontecido na chancelaria. No pátio, um Mercedes era incendiado, bem como outros carros eventualmente menos burgueses.
O assalto à embaixada não tinha sido apenas uma ação de protesto descontrolada, mas uma bem organizada ação de destruição e roubo, e até o álbum de fotografias do casamento do Embaixador e Embaixatriz ardeu na fogueira. Segundo o inventário, pelo menos 22 obras cedidas pelo museu do Prado desapareceram nessa noite, entre elas a Adoração dos Pastores, de Juan Pantoja de la Cruz, e seis quadros de Luca Giordano. “As fogueiras consumiam as cortinas, os maples, as estantes, tapeçarias, etc., que os manifestantes atiravam, metodicamente, pelas janelas. Com o mesmo método com que, já para o fim da madrugada e esvaziados os edifícios, passaram a ‘desmontar’ caixilhos de janelas e portas e mesmo os varandins de pedra que ornavam as varandas do palacete”.
Na rua, quando questionados sobre a destruição do recheio do palácio, um dos mentores reclamava: “As obras de arte? O que é isso? É preciso destruir todas essas coisas para se fazer a verdadeira revolução cultural”.
Durante a madrugada, a UDP lança mais um comunicado: “Às cinco horas da manhã ainda são horas de lutar contra as penas de morte! (…) Que o fascista Franco pague bem caro pelos seus crimes.” Na Rádio Renascença, relata-se com total sentido de imparcialidade: “Queimam o que não é propriedade do povo espanhol, é dos fascistas; nesta Embaixada encontram-se os fascistas que escravizam o povo espanhol.”
Já passava das quatro e meia quando chegaram os comandos, em chaimites que, sem aviso prévio e sem causar qualquer vítima, dispararam rajadas de G3 para o ar. Só nessa altura foi possível a intervenção dos bombeiros, evitando que o fogo se propagasse aos prédios vizinhos. Na ausência do Copcon, perante a recusa do RALIS, foi o Agrupamento Militar de Intervenção (AMI), um órgão de intervenção comandado pelo Brigadeiro Melo Egídio e destinado a ser uma força de ação rápida, com competências análogas ao Copcon e criado na sequência de uma exigência de Pinheiro de Azevedo. A AMI seria ficaria na história pela destruição à bomba do emissor da Rádio Renascença que estava na posse da extrema-esquerda.
A bandeira espanhola foi retirada de um dos dois edifícios e colocada uma outra da FARP a meia haste. O que Artur Albarran, uma espécie de dandy, que se passeava em descapotável, mas militava nas Brigadas Revolucionárias, de Isabel do Carmo e Carlos Antunes, incentiva o cerco à Embaixada: “A Embaixada está a arder, e bem”.
Na RTP, no dia seguinte, relatando a invasão, o jovem jornalista Joaquim Vieira dizia: “Tinham sido mortos cinco antifascistas”. O Diário Popular, ilustrando com fotografias da Embaixada a arder, dizia que tinham sido mortos 5 mártires. Os trabalhadores do jornal “A Capital” tomavam uma enérgica posição em defesa dos cinco jovens “…que levaram até às últimas consequências o seu amor à liberdade, a sua solidariedade com os oprimidos… Caíram cinco patriotas espanhóis. Cinco heróis da liberdade…”. Como sempre, a adversativa e a manipulação, sem uma palavra para com as vítimas inocentes assassinadas por esses pretensos heróis de forma vil e cobarde.
Albarran, esse, manteve-se nas Brigadas Revolucionárias, até 78, ano em que se viu obrigado a fugir do país devido a diversos mandados de captura. Só voltou em 1982 depois de ter sido amnistiado. Pouco mais de 10 anos depois de ter promovido o assalto à Embaixada, daria a cara pela campanha do CDS, liderada curiosamente por Adriano Moreira, ex-ministro de Salazar. A afinidade com a causa revolucionária tinha sido conjuntural, tendo sucumbido aos encantos da burguesia.
▲ Foi um ataque particularmente dispendioso para o contribuinte português. O estado português compensou o estado espanhol num milhão de contos, o correspondente hoje a mais de 160 milhões de euros
Franco, na sua última aparição publica, sobre o ataque, procurou serenar os ânimos: “Não é a mais importante das agressões de que foram objeto várias representações e estabelecimentos espanhóis na Europa, ainda que tal se apresente na sua aparência. O assalto e destruição da nossa Embaixada em Portugal foram realizados num estado de anarquia e de caos em que se debate a nação irmã. Ninguém está mais interessado do que nós em que nela possam ser restabelecidas a ordem e a autoridade”. Desta forma punha de lado qualquer veleidade em haver uma intervenção militar como chegou a sugerir o presidente do Governo, Carlos Arias Navarro. Não foi necessário ir tão longe, mas as fronteiras foram encerradas e as relações diplomáticas suspensas.
Nessa noite, também o consulado do Porto viria a ser assaltado e incendiado por forças próximas da UDP. Segundo o Primeiro de Janeiro, “ao arremessarem peças do recheio para o exterior — cadeiras, colchões, quadros, documentação — os assaltantes partiram os vidros das janelas, enquanto no interior outros se entregavam à pilhagem. Assim, entre os materiais levados, avultavam utensílios de cozinha e garrafas de vinho e whisky”. Ninguém resistiu à tentação burguesa. 45 minutos depois chegariam tropas, agora mais ágeis a controlar motins desde a nomeação de Pires Veloso em substituição do comunista Corvacho, no comando da Região Militar do Norte.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Melo Antunes, em entrevista ao Expresso, relatou a sua profunda indignação perante tais acontecimentos, definindo-os como “inqualificáveis, tal a irresponsabilidade e o vandalismo que revelam”. Melo Antunes referiu ainda que tinha contactado pessoalmente Otelo e Carlos Fabião, mas que as ordens não tinham sido cumpridas “…pela sobreposição de interesses políticos e partidários”.
Foi um ataque particularmente dispendioso para o contribuinte português. O estado português compensou o estado espanhol num milhão de contos, o correspondente hoje a mais de 160 milhões de euros. Só em 1978 é que a Embaixada viria a ser totalmente reconstruída e restaurada, numa cerimónia presidida pelo General Ramalho Eanes e o Rei Juan Carlos.
Dinis de Almeida foi julgado por este evento em 1982 e responsabilizou a CIA, com elementos infiltrados na extrema-esquerda, por aqueles acontecimentos e atribuiu a três latino-americanos residentes em Portugal a sua planificação e execução. Costa Gomes defendia, pelo contrário, que era obra da FRAP.
A 29 de Setembro, um voo da Ibéria, um DC-10, aterrava em Madrid com 40 pessoas a bordo, entre homens, mulheres e crianças. Eram as famílias dos funcionários da Embaixada que já não estavam seguros em Portugal.
Estávamos a 52 dias da morte de Franco e a 57 dias do 25 de Novembro.