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▲O neerlandês de 63 anos treinou a seleção feminina dos Países Baixos até ao início do ano

Getty Images

▲O neerlandês de 63 anos treinou a seleção feminina dos Países Baixos até ao início do ano

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Andries Jonker. "O Benfica é um clube com muita história e com muita gente que ainda vive nesse passado"

Adjunto de Van Gaal, líder da formação do Arsenal, selecionador: Andries Jonker já foi quase tudo, mas também quer ser o homem-forte do futebol do Benfica ao lado de Mayer. E falou com o Observador.

Treinador adjunto, treinador principal, diretor de academia, selecionador feminino. Andries Jonker já foi praticamente tudo o que podia ser — e acha que foi precisamente por isso que Martim Mayer o escolheu para ser o homem-forte do futebol do Benfica se vencer as eleições do próximo dia 25 de outubro.

As histórias de Emre Çan, Saka e Iniesta com Van Gaal na plateia e o “Benfica no Sangue”: Martim Mayer apresenta Andries Jonker

Candidato a diretor-geral de futebol, o neerlandês foi apresentado com a presença de Louis van Gaal, treinador que acompanhou no Barcelona e no Bayern Munique e que permitiu que conhecesse dois jovens rapazes chamados Xavi e Iniesta. Orientou a evolução de Bukayo Saka no Arsenal, tem opiniões muito vincadas sobre as diferenças entre treinar homens e mulheres depois e ter estado à frente da seleção feminina dos Países Baixos e não esquece as histórias que ouviu sobre a Taça dos Campeões Europeus que o Benfica conquistou em Amesterdão, a cidade onde nasceu, em 1962, o ano em que nasceu.

Aos 63 anos, Andries Jonker falou com o Observador sobre o quer para o futuro do Benfica, o porquê de ter aceitado o convite de Martim Mayer — e o porquê de ter ficado surpreendido — e ainda o que quer trazer da escola neerlandesa para o futebol português. Pelo meio, contou que já faz perguntas ao “senhor Simões”, mandatário da candidatura que integra.

▲ Andries Jonker foi adjunto de Louis van Gaal no Barcelona e no Bayern Munique

ullstein bild via Getty Images

O que é que o levou a aceitar o convite de Martim Mayer?
Claro que foi uma pequena surpresa receber a chamada dele. Perguntei-lhe que ideias tinha, o que é que queria fazer com o clube, e acho que tem planos muito bons para um clube como o Benfica. Perguntei-lhe qual é que seria o meu papel, pedi uma explicação muito clara do que esperava de mim. E acho que tenho a capacidade de ocupar essas funções. Decidi dizer que sim, ajudá-lo e apoiá-lo, e assumir este papel de diretor-geral para o futebol.

Olhando para esse papel, de que maneira é que vai coordenar-se com Mário Branco, que ainda é o diretor-geral do futebol do Benfica?
Eu estarei a coordenar tudo o que é futebol — com algumas exceções no futebol feminino, que tem um departamento próprio que não está diretamente relacionado com o masculino, ainda que a nossa intenção seja a de ter a mesma estrutura para tudo no futuro. Existem quatro categorias diretamente relacionadas com o futebol: o desenvolvimento da formação, a equipa B e os Sub-23, o ‘scouting’ e a equipa principal. O objetivo é eu coordenar todas essas categorias e o Mário Branco ficar como diretor técnico da equipa principal, assim como também existirá um diretor técnico para o desenvolvimento da formação, da equipa B e dos Sub-23 e do ‘scouting’. O plano do Martim é ter alguém que esteja a coordenar tudo e eu sou essa pessoa.

Qual será o objetivo principal? Ou a ideia é colocar em prática um conjunto de medidas para atingir vários objetivos?
Existe sempre um objetivo genérico e geral e um clube com a tradição do Benfica tem de ter o objetivo primordial de ganhar o Campeonato. Esse tem de ser o objetivo principal e todo o trabalho deve ser nesse sentido. Claro que depois acrescentamos a Taça de Portugal e a Taça da Liga, também temos de jogar para as ganhar. E quando olho para os últimos anos existiu essa ambição e esse desejo de ter mais sucesso dentro de Portugal. E depois acrescentamos a situação europeia, onde o Benfica também quer desempenhar um papel importante. Todos os esforços da minha posição têm como destino o longo prazo: ser campeão, ganhar as Taças e ser bem sucedido na Europa.

"Claro que foi uma pequena surpresa receber a chamada dele [Martim Mayer]. Perguntei-lhe que ideias tinha, o que é que queria fazer com o clube, e acho que tem planos muito bons para um clube como o Benfica. Perguntei-lhe qual é que seria o meu papel, pedi uma explicação muito clara do que esperava de mim. E acho que tenho a capacidade de ocupar essas funções."
Andries Jonker

De certeza que analisou a situação do Benfica antes de aceitar o convite. Do que viu e leu, o que é que acha que foi bem feito e mal feito nos últimos anos do futebol do clube?
É sempre difícil analisar a dois mil quilómetros de distância, não estou lá todos os dias. Mas o Benfica é um daqueles clubes com imensa história e com muita gente que ainda vive nesse passado e acha que pode continuar a viver nesse passado. Mas não estamos numa realidade em que o Benfica chega às meias-finais da Liga dos Campeões todos os anos, não é essa a situação. Estamos longe disso. Temos de trabalhar para o recuperar, se for possível. E depois temos a questão do desenvolvimento financeiro, já que muitos outros países e clubes têm maiores possibilidades do que o Benfica, maiores possibilidades do que o mercado português. E isso significa que temos de ser mais inteligentes do que os outros. Mas para sermos mais inteligentes precisamos de um bom plano — e eu acho que o plano do Martim Mayer é um bom plano.

Ser “mais inteligente” também passa pela política de transferências?
Este plano analisou a situação financeira e a conclusão foi que o Benfica pode comprar meia equipa para lutar pelo Campeonato. Meia equipa. Isso não é suficiente. A solução tem de ser desenvolver os nossos próprios jogadores, trabalhar com jogadores da casa, que cresceram no Seixal. E acho que isso faz sentido numa primeira fase para resolver este problema, para criar uma equipa muito forte onde a base de metade foi desenvolvida por nós. E depois podemos comprar outros jogadores de qualidade para alcançarmos o sucesso. Acho que essa é uma parte essencial do plano, a análise cuidada das possibilidades financeiras. E também temos as soluções, as maneiras de resolver o problema. O que muitas vezes acontece com clubes como o Benfica é que tentam comprar alguns jogadores que sejam bons o suficiente para carregar a equipa às costas e isso quase nunca resulta e ninguém fica realmente satisfeito. Este plano tem uma solução estrutural para este problema.

Por que é que o Martim Mayer deve ser o próximo presidente do Benfica?
Acho que a base de tudo é a filosofia. Quando ele me mostrou o plano que tem e explicou tudo fiquei com a ideia de que tanto ele como as pessoas que o rodeiam entendem a maneira como um clube de topo funciona. Como o Benfica tem de funcionar. Quando um clube tem o número de sócios que o Benfica tem… Essas pessoas são o clube. Não são as pessoas na administração, não é o treinador, não são os jogadores. Os sócios são uma parte fulcral do clube. E o Martim Mayer entende que temos de ser transparentes com essas pessoas, temos de explicar o que queremos de forma clara e temos de detalhar a maneira como queremos colocar em prática o nosso plano. Ele tem a capacidade para delinear o plano, para explicar o plano e para o executar. E essa é a parte mais importante, o conteúdo do plano. E acho que está muito bem formulado, muito bem pensado. Com o apoio dos sócios, com este plano, estão criadas as condições para construir esta metade de equipa com jogadores da formação. Se os sócios não quiserem, se não existir um plano, nada vai acontecer.

▲ O neerlandês foi diretor da Academia do Arsenal durante três anos e trabalhou diretamente com Arsène Wenger

Arsenal FC via Getty Images

Já disse que ficou surpreendido com o convite. Por que é que acha que foi o escolhido?
Fiz a mesma pergunta ao Martim e ele deu uma explicação muito clara, disse que no perfil que tinham imaginado só encaixava alguém que soubesse do que estava a falar. Por outras palavras, que já tivesse feito aquilo de que estava a falar. No futebol feminino, fui selecionador dos Países Baixos; no desenvolvimento da formação, fui diretor da Academia do Arsenal durante vários anos; no futebol masculino, estive nas equipas técnicas da equipa principal do Barcelona, do Bayern Munique e do Wolfsburgo; no ‘scouting’, estive envolvido em todos os clubes por que passei e também na Federação Neerlandesa de Futebol. Já fiz isso tudo, já trabalhei em todas as tais quatro categorias e em grandes clubes. Se queriam alguém que soubesse do que estava a falar… Então sim, faz sentido.

Qual foi a importância da presença do Louis van Gaal, de quem foi adjunto no Barcelona e no Bayern Munique, na apresentação?
É sempre bom tê-lo por perto, porque a relação é extraordinária. É muito importante e faz-me sentir bem, porque sei o que ele pensa de mim. É muito bom ter o apoio dele de forma tão expressa e agradeço muito.

Já trabalhou com Louis van Gaal, com Arsène Wenger, com Jupp Heynckes. Está entusiasmado por trabalhar com José Mourinho?
Fui dar um olho ao CV dele, só para ter a certeza, e nunca mais acabava. O José Mourinho tem sido extremamente bem sucedido e, de fora, tenho uma noção da maneira como as equipas dele jogam, de forma genérica. Mas será sempre interessante ver isso a partir de dentro, experienciar o que ele realmente faz. É sempre interessante ter esse trabalho próximo com treinadores de topo, também trabalhei com o Felix Magath [no Wolfsburgo] e ele também era muito especial. Gosto de perceber o que está realmente a acontecer, porque é óbvio que não é o que podemos ver na televisão ou até durante os jogos. Está tudo nos bastidores.

"Acho que a base de tudo é a filosofia. Quando ele me mostrou o plano que tem e explicou tudo fiquei com a ideia de que tanto ele como as pessoas que o rodeiam entendem a maneira como um clube de topo funciona. Como o Benfica tem de funcionar. Quando um clube tem o número de sócios que o Benfica tem... Essas pessoas são o clube."
Andries Jonker

Foi selecionador feminino dos Países Baixos. O que é que acha sobre a equipa feminina do Benfica? O que é que pode ser feito de maneira diferente?
Dou sempre respostas honestas e agora não vai ser exceção. A minha experiência com o futebol feminino português está limitada ao jogo que fiz com os Países Baixos contra Portugal na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2023. Discutimos esse jogo durante meses, porque era o jogo que tínhamos de ganhar.

A (re)Encarnação chegou tarde e não foi suficiente (a crónica do Países Baixos-Portugal)

E era o que nós não podíamos perder…
Sim, sim. Se tivessem feito aquele ponto… Mas acho que o selecionador fez um trabalho incrível e acho que a equipa, onde metade das jogadoras eram do Benfica, foi ótima. Jogaram com o coração. Claro que sei que o Benfica domina em Portugal e está sempre na Liga dos Campeões, mas claro que não é o favorito a chegar a uma final. Acho que há espaço para crescer e que existem algumas semelhanças entre os Países Baixos e Portugal, na medida em que as jovens raparigas e os jovens rapazes podem ir jogar futebol com facilidade. São clubes pequenos que têm sempre boas equipas, com bons jogadores. Depois é trabalhar o talento, desenvolver o talento, e um dia aparece uma equipa muito boa. E acho que é isso que o Benfica também tem de fazer com o futebol feminino, criar equipas de formação, desenvolvê-las, ajudá-las, até ter uma equipa principal fora de série. E claro, os clubes mais poderosos vão contratar essas jogadoras e a Seleção Nacional terá um bom coração de jogadoras com origem no Benfica.

Qual é a memória e a ideia que tinha sobre o Benfica ainda antes de receber a chamada do Martim Mayer?
Eu nasci em 1962 em Amesterdão, o ano em que o Benfica ganhou a Taça dos Campeões Europeus precisamente em Amesterdão. O Real Madrid tinha Di Stéfano, Puskás, Gento, jogadores lendários que eu só conheço dos livros de História. Mas o Eusébio jogava no Benfica. Li muitas histórias sobre esse jogo, vi fotografias maravilhosas quando era muito pequeno, interessei-me por futebol desde muito novo e nunca me esqueci dessas fotografias e das histórias sobre o Eusébio. Acho que essa é a primeira memória que tenho. Depois lembro-me de histórias de 1969, de uma eliminatória entre o Benfica e o Ajax [quartos de final da Taça dos Campeões Europeus]. O primeiro jogo foi em Amesterdão e acabou 1-3, o segundo jogo foi em Lisboa e também acabou 1-3. Depois jogaram o jogo decisivo em Paris e o Ajax venceu o Benfica. Também li histórias maravilhosas sobre esses três jogos. Agora durante a apresentação com o Martim Mayer tínhamos de tirar umas fotografias no Estádio da Luz e fomos direitinhos à estátua do Eusébio. Tinha de ser assim. É um clube gigantesco. Em termos de dimensão de sócios e adeptos, aproxima-se do Barcelona, do Bayern Munique, do Arsenal. E eu posso falar sobre esses todos com propriedade. É um clube enorme que causa sempre muito barulho, nunca há um dia aborrecido.

▲ Mais recentemente, Andries Jonker orientou a seleção feminina dos Países Baixos — e defrontou Portugal no Mundial 2023

Getty Images

Foi diretor da Academia do Arsenal durante três anos. Qual foi o melhor talento que lhe passou pelas mãos?
Na altura, tínhamos cerca de 250 jogadores na Academia. Tínhamos três rapazes que eu achava que iam chegar à equipa principal do Arsenal e à seleção nacional, 20 rapazes que eu achava que iam ter uma boa carreira e sobre os outros não fazia ideia. É o normal, olhamos para alguns jogadores e pensamos onde podem chegar. O Bukayo Saka estava dentro do grupo dos 20. Mas tornou-se a grande estrela. Não estava nos três melhores, naquela altura, mas tornou-se o mais bem sucedido daquela geração. Muitos outros chegaram longe, tínhamos o Eddie Nketiah, o Reiss Nelson, o Emile Smith Rowe, o Alex Iwobi, o Nathan Tella que está no Bayer Leverkusen. Mas o Bukayo está a jogar por Inglaterra e a jogar pelo Arsenal, é titular nas duas equipas. Foi até ao fim.

Naquela temporada no Barcelona com o Van Gaal, em 2002/03, apanhou dois jovens rapazes chamados Andrés Iniesta e Xavi. Quais são as primeiras recordações que lhe vêm à cabeça quando pensa nos dois?
O Iniesta… Fiquei muito surpreendido quando vi aquele rapaz pequenito aparecer para treinar com o Luis Enrique, o Saviola, o Frank de Boer, o Cocu, o Kluivert, eles estavam todos lá. E ele a treinar com eles. Mas percebi logo nos primeiros momentos dos exercícios de passe que havia ali um talento extremo. Ele sabia jogar futebol e compreendia o jogo. Ele aparecia todos os dias e nunca tinha um dia mau, estava sempre a um bom nível, mesmo tendo 16 anos. Nunca existia qualquer problema, chegava sempre a horas, estava sempre em forma, era sempre cordial, mantinha-se sempre da mesma maneira. Era muito regular. Claro que não foi surpreendente quando começou a ser titular, o momento tinha de chegar. E nunca voltou a deixar a equipa, sem ser quando teve algumas lesões.

E o Xavi?
Acho que o Xavi é um pouco mais velho, já era titular. Jogava com o Cocu no meio-campo e já era um jogador formidável. Tinha a melhor orientação do mundo, estava sempre a virar a cabeça e tinha sempre o corpo na posição ideal para ver tudo aquilo que se passava em campo. Lembro-me que tentámos trabalhar com ele para o colocar a jogar mais à frente, porque ele não perdia a bola mas às vezes queríamos que orientasse o jogo mais para a frente. E ele estava sempre aberto a ouvir, a falar sobre o assunto. E era como o Iniesta, sempre calado, dedicado, disciplinado. Nunca tive nenhum problema com nenhum deles.

"Eu nasci em 1962 em Amesterdão, o ano em que o Benfica ganhou a Taça dos Campeões Europeus precisamente em Amesterdão. O Real Madrid tinha Di Stéfano, Puskás, Gento, jogadores lendários que eu só conheço dos livros de História. Mas o Eusébio jogava no Benfica. Li muitas histórias sobre esse jogo, vi fotografias maravilhosas quando era muito pequeno, interessei-me por futebol desde muito novo e nunca me esqueci dessas fotografias e das histórias sobre o Eusébio."

O capitão dessa equipa era o Luis Enrique. Na altura já imaginava que ele podia tornar-se um dos melhores treinadores do mundo?
Naquela altura ele tinha 31, 32 anos. Os nossos primeiros meses foram ótimos e depois ele lesionou-se. Mas quando tínhamos um ataque com Saviola, Kluivert e Luis Enrique… Era um bom ataque para se ter. É muito inteligente. O Louis van Gaal foi dos primeiros — agora toda a gente o faz, mas aquilo foi em 2002 — a introduzir o jogar entre linhas, jogar no espaço, jogar entre os adversários. E o Luis foi o melhor e o mais rápido a compreender. Mas claro que não podia adivinhar que ele ia tornar-se num ótimo treinador, desenvolveu essas capacidades mais tarde. Mas tinha uma inteligência óbvia e sentimos muito a falta da inteligência dele dentro de campo quando se lesionou.

Tem a particularidade de ter estado na equipa técnica de duas das melhores equipas masculinas do mundo, Barcelona e Bayern Munique, mas também de ter orientado uma das melhores seleções femininas do mundo, os Países Baixos. Qual é a principal diferença entre treinar homens e mulheres?
Os homens têm várias perguntas: onde é que eu fico?, qual é a minha posição?, qual é o meu salário?, qual é o meu futuro?, qual é a minha perspetiva?, o que é eu posso fazer?. As palavras “eu” ou “minha” estão sempre envolvidas. De forma genérica, as mulheres têm outras perguntas: onde é que nós ficamos?, qual é que pode ser o meu contributo para a equipa?, o que é que nós podemos fazer?, o que é que nós podemos alcançar?, qual é a nossa forma de jogar?. Na minha opinião, elas falam muito mais sobre o “nós”, estão muito mais orientadas para a equipa. Não há nada de errado com o facto de estarmos orientados para nós mesmos, mas é uma diferença óbvia para mim.

O futebol português admira o futebol dos Países Baixos, crescemos com a ideia do Futebol Total e temos uma grande admiração pela escola neerlandesa. De que forma é que essa filosofia vai estar no trabalho que quer desempenhar no Benfica?
Houve uma altura, em 1974, 1988, com Cruyff, Michels, em que a convicção era a de que tínhamos de ganhar, mas também tínhamos de jogar futebol entusiasmante. E essa é uma grande diferença para muitos outros países, onde só interessa ganhar. Ninguém quer saber do “como”. Mas nós preocupávamo-nos com o “como” e tínhamos jogadores fantásticos que podiam executar aquilo que queríamos, era um prazer ver Johan Cruyff jogar futebol. E ele foi o exemplo do que é ser o melhor, ganhar, mas também entreter quem está a ver. Toda a gente queria ver aquele tipo, mas também queriam ver os outros dez à volta dele, porque eram ótimos. Entretanto, metade do nosso país mudou, também só querem ganhar. Existe uma enorme discussão no nosso país: o importante é ganhar ou o importante é ganhar e entreter? E aquilo que sinto no Benfica, aquilo que também perguntei ao senhor Simões, por exemplo, é o que é que os adeptos querem. E a resposta foi clara: querem ganhar com bom futebol. É a maneira holandesa do passado e é isso que quero fazer, ganhar e entreter.

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