As drag queens são os novos punks e estes portugueses estão a abanar o sistema a partir de Londres /premium

28 Julho 2019775

João Caldas e Gone Monteiro descobriram em Londres a liberdade para questionar identidades e géneros através do drag. Em versão Mary Poppers e Karma, abanam o sistema, uma peruca de cada vez.

Num sábado à noite andamos pela principal rua do muito trendy bairro de Dalston, em Londres, à procura do Vogue Fabrics. Por fim, alguém nos aponta na direção do clube queer onde Mary Poppers apresenta mais uma edição do seu “Disastrous Cabaret”. Entramos por uma porta discreta e seguimos escada abaixo até uma cave onde a anfitriã da noite já está a atuar. Alternando entre a sensualidade de um striptease e a visceralidade de comer feijões do chão, este é um dos seus números de assinatura. Nas atuações desta drag queen, como a própria explica, “há sempre este contraste de alegre e campy com algo raw e almost wrong. Aquela sensação de ‘Não sei o que é aquilo, mas é fascinante’. Que é um bocado o que eu acho que falta na vida das pessoas. É como ter sexo sem peidos. Peidos acontecem. Faz parte de ter sexo. A vida não é só flores e cor-de-rosa, existem moscas, existe merda. E existe muita beleza nessa parte da vida”.

Mary Poppers é uma full-bearded drag queen, querendo dizer que a par do corsete, lingerie feminina, maquilhagem e saltos altos, tem uma barba e pelo no peito e nas pernas. “A Mary não é nem um homem, nem uma mulher, nem coisa nenhuma – é assim uma mistura esquisita”. Não se trata de um homem a fazer-se passar por uma mulher, mas antes de um punk a tentar destruir as visões clássicas de género. Uma “undead Victorian prostitute”, como é apresentada no seu Instagram, Miss Mary Poppers ganhou a prata na categoria Best New Cabaret Act na edição 2019 dos Boyz Awards. Votado pelo público, os quase 10 mil leitores do website, este prémio mostra bem a apreciação da comunidade LGBTQIA+ pela drag queen com um fraquinho por comida enlatada e roupa interior de látex.

Com o seu inglês perfeito e jeito teatral, torna-se difícil de adivinhar o português por baixo da peruca. João Caldas tem 28 anos e está em Londres há cinco anos e meio. Em conversa com O Observador mistura palavras inglesas com português, da mesma forma que se mistura a si próprio com Mary Poppers, a drag queen que se transformou no seu full-time job. “Eu digo sempre que sou uma drag queen acidental, mas todas as drag queens começam de forma acidental. Não acho que um homem nasça a pensar que quer ser uma drag queen quando crescer. Acontece! Tropecei nisto. Não é necessariamente o que quero fazer durante muito tempo”, explica.

João Caldas é Mary Poppers © Damien Frost

Acabou de terminar a 11ª temporada do programa de televisão Rupaul’s Drag Race (RPDR) que na última edição dos Emmys arrecadou várias nomeações, inclusive a de Best Reality Series na categoria de Competição. Acabou por não ganhar a estatueta dourada, mas ganharia outras, como a de Best de Reality TV Host para Rupaul Charles, o apresentador do programa, a sua figura central e a drag queen mais famosa – e importante – do mundo. Com 58 anos, Rupaul já fez um dueto com Elton John, já foi entrevistado pela Oprah, tem várias bonecas com a sua cara, foi a primeira drag queen a ter uma estrela no Passeio da Fama, em Hollywood, foi fotografado por Annie Leibovitz para a revista Vogue, e podíamos continuar a enumerar conquistas incríveis por mais um bocado. Mas o maior feito da “mãe de todas as drag queens”, como lhe chama a imprensa internacional, foi trazer o drag de bares obscuros para o horário nobre da televisão norte-americana – onde transmite no VHI. De algo reservado a um pequeno circuito underground, o drag tornou-se no tema de duas convenções bianuais gigantes, o Rupaul’s Dragcon LA e a sua versão em Nova Iorque. E ainda que Rupaul continue a repitar que drag nunca vai ser mainstream, começa a ser difícil acreditar nele. Só nos últimos meses já vimos drag queens em anúncios da McDonalds, em campanhas da Prada e em vídeos da Taylor Swift.

“Eu acho que o fenómeno do RPDR foi bastante importante porque realmente criou uma indústria, abriu caminho para este fenómeno todo desde que o programa começou e foi aumentando, aumentando, mas acho que há bastante mais por aí”, defende João Caldas. Drag como o da sua Mary Poppers, em que os traços masculinos coexistem com os femininos – ou em que as atuações incluem piercings e usar o chão como prato – não têm representação no RPDR. O programa pode ter aberto os olhos do mundo para o drag como uma forma de entretenimento válida, como uma arte, mas nas mais de dez temporadas, predominantemente representou um estilo de drag considerado mainstream dentro desta comunidade marginal. “É um bocado como foi com os hippies e os punks. Estamos agora finalmente a ver a reação à RPDR. Drag queens como eu que têm uma barba enorme são uma reação àquele glamour e à ideia de que uma drag queen é um homem que se quer elevar a uma mulher espantosa. Não! Drag é pegar em questões de género e riscá-la toda e dizer ‘vamos lixar esta cena toda com um F’”.

Quando drag deixa de ser pensado como um homem vestido de mulher a mexer os lábios ao som de Gloria Estefan e Rihanna e representa antes a experimentação e um questionar irreverente de género e papéis culturais, então abre-se uma caixinha de surpresas, onde há mulheres a atuar como drag queens, mulheres a atuar como homens, os chamados drag kings, e, claro, a comunidade transexual a baralhar ainda mais as cartas de género e respetivos papéis. “O Rupaul vem de uma cultura em que drag é um homem vestir-se de mulher e é daí que vem o punk, mas já não é bem assim. Hoje em dia, [drag] é qualquer pessoa que pega numa questão de género e diz ‘F* you’! Vou contra isto tudo e vou deixar as pessoas confusas e fazê-las questionarem-se a si próprias”.

O maior feito de Rupaul, a “mãe de todas as drag queens”, como lhe chama a imprensa internacional, foi trazer o drag de bares obscuros para o horário nobre da televisão norte-americana. De algo reservado a um pequeno circuito underground, o drag tornou-se no tema de duas convenções bianuais gigantes. E ainda que Rupaul continue a repitar que drag nunca vai ser mainstream, começa a ser difícil acreditar nele. Só nos últimos meses já vimos drag queens em anúncios da McDonalds, em campanhas da Prada e em vídeos da Taylor Swift.

Para responder às críticas de que a RPDR não representa todo o espectro de artistas drag, e como “reação mais directa” ao programa, surgiu outro programa, Dragula, uma criação da dupla Boulet Brothers, que faz as queens do RPDR parecerem uma cambada de meninas. Se o RPDR está no Netflix, o Dragula está disponível no Amazon Prime. Se o RPDR está à procura da próxima superestrela drag, o Dragula está à procura do próximo monstro drag. “Nesta temporada já têm um drag king e têm uma FAB (female assigned at birth) performer, portanto, uma mulher que faz drag”, diz com entusiasmo João Caldas, que sonha ver a sua Mary Poppers no cartaz de Queen Kong, a festa principal dos Boulet Brothers em Los Angeles.

O cartoon de uma mulher

Gone Monteiro já andava a criar personagens e a explorar a sua identidade muito antes de ter criado a Karma. Quando se apresenta, ficamos como que à espera de uma terceira opção que seja mais familiar e culturalmente aceite: Gonçalo? Gustavo? Talvez. Gone Monteiro não está interessado no que é familiar e culturalmente aceite. Em Portugal, Gone Monteiro era o ilustrador que colaborava regularmente com revistas como a DIF e a Umbigo, uma deidade do street style – entre a ninfa e o narciso – e um dos stylists a integrar o disruptivo e experimental coletivo Twisted Soul – quem não se lembra do grupo de rapazes que foram vestidos como noivas para a ModaLisboa?

“Começámos por fazer styling, editoriais e capas de revistas. Depois, preocupávamo-nos imenso com a nossa aparência. A ModaLisboa foi uma plataforma que nos ajudou a expressar o nosso personal style de forma mais criativa e depois acabávamos por ter amigos em casa e fazíamos dress-up parties com maquilhagem e roupa que tínhamos por perto”. A paixão pela moda e a ausência de medo de experimentar, e de o fazer publicamente, devagarinho foram apresentando Gone ao drag. “Foi um bocadinho orgânico porque foi explorar moda e isso depois começou a ser aplicado a diferentes áreas: ao styling, ao editorial, ao club kid going out partying”, explica.

Karma, ou Gone Monteiro, numa das suas transformações @ Florian Schadauer

Se Lisboa, onde estudou Pintura na Faculdade e Belas Artes, deu a este rapaz do Algarve a oportunidade de ousar na moda e explorar a sua identidade, uma passagem por Barcelona abriu-lhe os olhos para até onde podia levar essa exploração. “Quando fui para Barcelona percebi que drag era uma coisa muito mais estabelecida. Havia muito mais plataformas para fazer drag e festas específicas e toda uma comunidade que se vestia de propósito – como nós tentávamos fazer em Lisboa, mas com menos visibilidade e com menos comunidade”.

O regresso a Lisboa depois de completar o programa Erasmus em Barcelona significou voltar para um meio “muito pequeno” onde “não havia muita possibilidade de fazer [drag]”. “No fundo, em Portugal, que exposição é que nós temos a drag queens? É o Herman José e o Joaquim Monchique. Eu acho que eles têm muita piada, mas ridicularizam sempre o papel da mulher. Acho que Portugal tem a tendência de utilizar sempre o drag em forma de piada. O que é perfeitamente aceitável, mas não é só isso que existe”.

Dificilmente saberemos a opinião de Rupaul sobre as personagens femininas de Herman José, mas apesar da – enorme – distância que os separa uma coisa é certa, ambos veem a vida como algo para tomar de ânimo leve. A par de um bom “Se não te amas a ti próprio, como é que vais amar outra pessoa”, outro dos famosos mantras da Mother Ru, como é frequentemente chamada, é “não leves a vida demasiado a sério”. Um mecanismo de defesa em ambos os casos com certeza, mas uma arma de um diferente calibre. “Sempre fiz do drag o meu manifesto punk. As drag queens acham que o conceito de identidade é uma piada e por isso gozamos com ele”, explicou Rupaul à Grazia britânica. Porquê ser uma pessoa, quando podes ser muitas?

“A Karma tem a ver com o meu mood e com diferentes inspirações – e, na era da Internet, as inspirações vêm de sítios tão diferentes! Acho que a necessidade de entender ou de pôr numa caixa vem muito da necessidade de rotular, mas também de capitalizar. É mais fácil vender um produto que tem uma linha coerente. Eu quero afastar-me disso”. Se o seu trabalho enquanto ilustrador precisa de ter um estilo claro e definido, Gone quer fazer o que lhe apetecer com o seu drag. “A Karma é uma expressão artística como as outras, mas que tem aquela componente de estares tu próprio a vivenciar e a navegar os espaços sociais enquanto personagem. Não é só criar um mundo interior e materializá-lo através da pintura e do desenho, mas navegar o espaço nessa fantasia e ver como as pessoas reagem a ela”. A sua ambição é fazer misturar ilustração com a Karma e fazer desta sua criação algo que tenha lugar à mesa entre os grandes nomes da arte contemporânea.

"Drag queens não são necessariamente mulheres transexuais, podem ser, não são mutuamente exclusivos, mas, na sua maioria, drag queens são homens que sentem vontade de expressar uma certa personagem feminina. Nunca se trata de representar uma personagem feminina exatamente como ela deveria ser, mas representar uma versão exagerada de uma personagem feminina", descreve Gone Monteiro

Por mais que Gone adore habitar esse plano etéreo onde géneros, identidades, conceitos e artes se misturam, ainda assim há coisas que precisam de ser definidas. “Drag queens não são necessariamente mulheres transexuais, podem ser, não são mutuamente exclusivos, mas, na sua maioria, drag queens são homens que sentem vontade de expressar uma certa personagem feminina. Nunca se trata de representar uma personagem feminina exatamente como ela deveria ser, mas representar uma versão exagerada de uma personagem feminina. Isto para mim é super importante: eu não quero ser uma mulher, eu quero ser o cartoon de uma mulher”. E aqui, o que o separa de uma paródia à portuguesa, mais do que um look lindíssimo, é a forma como usa uma dose de humor para questionar coisas que tomamos como certas pela repetição da rotina. “O que é que a sociedade espera que seja uma mulher? Pelo meu entendimento, as mulheres não são incapazes de crescer cabelo nas pernas, mas depois quando uma mulher tem pelos nas pernas, os comentários que ouves são mesquinhos. O meu favorito é que ‘não é higiénico’. Então, quer dizer, num homem é higiénico, mas numa mulher não? Porquê? ‘Ela deve ser feminista dos anos 1980, lésbica, alemã que não se lava, hippie’… Eu venho do Algarve, qualquer ofensa em que possas pensar eu já ouvi 30 vezes”.

Visibilidade e representação

Qualquer viajante – ou estudante Erasmus – concordará que é mais fácil explorar identidades e estilos de vida quando estamos fora da vista – e do alcance – das pessoas que nos conhecem. Londres, com os seus arranha-céus e mar de gente, não se importa com as peculiaridades de cada um. Na privacidade do anonimato, há espaço para viver outras vidas.

Gone Monteiro está em Londres vai para três anos. Sente a falta de um bom café e de “ervilhas quadradas”, mas antes havia coisas mais importantes que lhe faltavam. “Portugal tem muita falta de espaços queer. Os clubes são todos espaços noturnos. Não há sítios onde as pessoas possam socializar com outras pessoas que fazem parte da mesma comunidade e fazer esse exercício de exploração de género, de personalidade, de estilo até. Acho que, se houvesse mais oportunidades de explorar, havia mais exposição e lentamente íamos desmistificando o que são certas coisas”. Por ser visto como diferente num meio pequeno e “extremamente homofóbico”, Gone sabe bem o que é sofrer o escrutínio dos outros. “Como há tanta ignorância e somos tão fechados, caímos um bocado no gozar como mecanismo de defesa. Nunca há o procurar entender o que é diferente, há sempre o gozar com”.

"A Karma tem a ver com o meu mood e com diferentes inspirações", define Gone Monteiro © Joe Brummer

João Caldas fez da Mary Poppers o seu full-time job há coisa de um ano. “Eu vim para Londres porque não sei fazer dinheiro em Portugal. Estudei Design de Moda e trabalhei em showrooms e trabalhei na ModaLisboa e trabalhei no Portugal Fashion. Trabalhei aqui e ali, mas nunca foi numa perspetiva de fazer dinheiro. Portanto, fazer dinheiro com drag em Portugal, I wouldn´t even try. Se é tão difícil fazer aqui!”. A partir de um café no Soho, no centro de Londres, João elogia a Camel Toe, uma drag queen em Portugal que, tal como ele, não prescinde da barba. Põe-nos a par do drama que houve com a Belle Dominique e enaltece o famoso clube gay Finalmente por finalmente terem “pegado em alguém mais fresco, que não faz lipsync de baladas espanholas dos anos 1980 com microfones com glitter”. Quem? “A Stefani Duvet, uma rapariguinha muito nova que é uma das novas drag queens de Lisboa”, conta. Ele sabe-a toda. Está a par dos desenvolvimentos e atrasos da cena em Lisboa, de onde é. Enaltece o panorama, apesar de achar que não se encaixaria.

“Portugal é o que é. É um país muito lindo, mas é um país católico. Eu sou filho único e os meus pais criaram-me como um filho único. Estudei em escolas particulares e fui sempre bastante protegido. Mas, ao mesmo tempo, fui logo confrontado com uma cultura de ‘you’re different’”. À superfície, João tomou essa diferença e transformou-a na sua bandeira. Antes de ser uma drag queen, foi punk, emo, goth, cyber punk “e todos os alternativos que possas imaginar”. Mas, apesar de toda a sua irreverência, a sua sexualidade continuou a ser algo difícil de partilhar. “Sofri bastante bullying e sempre tive muito medo de dizer à minha família que sou gay. Fala-se, sim, volta e meia fala-se, mas não é o assunto mais confortável de falar à mesa”, explica. Os pais ainda não foram apresentados à Mary e a drag queen nunca atuou em Portugal. “Tirar as coisas de um contexto e pô-las noutro, volta e meia não é só difícil, como é relativamente tóxico. É um bocado como nós não podermos trazer chouriços para Inglaterra por causa das espécies. Eu não sei se a Mary existiria em Portugal”.

Coisas que em Portugal apenas são sussurradas, em Londres são gritadas aos quatro ventos. “Drag vem de um homem com uma peruca. Isso é um ato político, é subversivo e é subverter géneros. Todas as formas de drag são políticas, mas o meu drag é político ativo mesmo’, afirma João. Usando Mary Poppers quase como a sua versão super herói, marcha em drag pelas ruas da capital britânica em prol dos direitos trans, organiza protestos contra clubes gay que discriminam homens com elementos femininos, defende com unhas e dentes a comunidade transexual e usa o seu próprio corpo para destruir preconceitos que o atormentaram a ele quando era mais jovem. “Eu sou extremamente peludo e quando tinha 12, 13 anos já tinha uma carrada de pelos. Não conseguia ir à praia sem me sentir estupidamente self-conscious. Era horrível! Sempre fui diferente. Sempre! Até o meu corpo teve de ser diferente. Portanto, hoje em dia, é uma benção conseguir estar nu num palco e usar isso para dizer ‘this is okay, this is a body that is valid and positive”.

© Miguel Martim

Hoje em dia, é mais fácil para um jovem ver mais além do que o rodeia no imediato graças à Internet e, claro, a programas como a Rupaul’s Drag Race (RPDR), que começou em 2007. “Este fenómeno está a ter um impacto muito grande na adolescência porque efetivamente as crianças ficam completamente obcecadas com o que vêm [no RPDR], com todo aquele glamour, e acabam por se explorar a si próprias muito mais facilmente”, acredita Mary Poppers. Com o drag a tornar-se algo tão popular entre um público mainstream – o programa RPDR está nomeado em 14 categorias para a próxima edição dos Emmys – e a elevar as drag queens a um estrelato nunca antes visto, a própria definição de drag está a mudar. “Acho que neste momento há tanta gente a fazer drag e há tantas drag queens que eu acho que drag misturou-se um bocado com sair do armário e com explorar identidade e explorar género e com explorar uma data de coisas”. A National Geographic pôs uma menina transexual na capa da edição de Janeiro de 2017 com o título “Revolução de Sexos”, mas a maior parte de nós dificilmente discutirá sexualidade ou discordará de sexos e rótulos atribuídos à nascença com a naturalidade de quem pergunta por naturalidade e estado civil. Para João Caldas, drag é explodir questões de género, “mas como é que explicas isto a uma pessoa que não percebe sequer que género não tem a ver com sexo ou não tem a ver com biologia? Que género é uma construção sociológia e que tem a ver com a performance de género? Se não tens este material contigo, se não estás minimamente familiarizado, é normal que olhes para aquilo [uma performance da Mary Poppers] e penses ‘Porra! Que monstro!’”. Com a sua magia particular, drag queens conseguem tocar em todas estas questões enquanto proporcionam um entretenimento do caraças.

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Num padrão de vida urbano, com uma saída de fim-de-semana por mês e trabalhando e vivendo em Lisboa, ter carro e não o substituir pelo transporte público ou mobilidade partilhada é um vício anacrónico.

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