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Bloco de notas da reportagem na CDU. Dia 6. Desafios sem resposta e Jerónimo apenas nos últimos metros da arruada /premium

Foi mais um dia para a caravana da CDU na Grande Lisboa, com o reforço de Jerónimo de Sousa (mas só nos últimos metros da arruada) e com a "vitória" dos passes sociais como tema central.

João Ferreira continuou, ao sexto dia de campanha, a rota pelas zonas onde tem muitos apoiantes, passando este sábado pela margem sul do Tejo. Em Alcochete, cuja autarquia foi da CDU durante três mandatos consecutivos até 2017, ano em que a coligação foi derrotada pelo PS, João Ferreira fez uma arruada e uma intervenção onde foi visível o apoio popular à CDU. Distribuiu beijinhos, abraços e panfletos, conversou com as pessoas e abordou essencialmente os problemas da área metropolitana, nomeadamente a questão dos transportes públicos.

Dali, seguiu para a Quinta do Conde, onde foi recebido pelo presidente da câmara de Sesimbra eleito pela CDU, Francisco Jesus, para um almoço com perto de duas centenas de apoiantes durante o qual se focou, novamente, nas vitórias alcançadas com o contributo da coligação — e falou outra vez dos passes sociais, arrancando fortíssimos aplausos quando contou como custa hoje menos 82 euros ir dali a Lisboa de transportes públicos do que custava em março.

Continuando a desvalorizar as sondagens (a verdadeira sondagem é no dia das eleições, como diz sempre, ele e todos os outros políticos), a verdade é que João Ferreira continuou neste sábado a passar a mensagem de que nestas eleições não há ganhar nem perder. As europeias servem apenas para eleger 21 eurodeputados e nada mais. Mesmo que ao fim da tarde o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que se juntou à arruada em Almada, tenha optado por uma leitura conjunta das eleições deste ano e tenha pedido um reforço da coligação nos sucessivos atos eleitorais, classificando-as como a “primeira batalha” antes das legislativas.

Novamente, foi um dia de ataques ao PS, PSD e CDS. E de mais desafios. Jerónimo disse que os três estão “juntinhos” a aceitar o que a UE lhes impõe, e João Ferreira disse a uma eleitora em Alcochete que “nem todos se esquecem” do povo — e que as campanhas “não são todas iguais”. Agora, João Ferreira continua à espera de respostas aos reptos que continua a enviar à direita e ao PS.

“Às nossas perguntas, responderão com o blá blá blá dos mercados e da livre concorrência, mas este blá blá blá é retrocesso na vida de todos nós”

É uma das coisas que João Ferreira mais tem feito nesta campanha: atirar perguntas ao PS, PSD e CDS sobre o que pensam sobre vários assuntos e o que pretendem fazer sobre eles. Fê-lo relativamente ao orçamento comunitário com cortes para Portugal, fê-lo relativamente à Política Agrícola Comum e, agora, relativamente ao eventual regresso dos CTT à esfera do Estado. Este sábado, analisou a resposta que prevê receber: “O blá blá blá dos mercados e da livre concorrência”.

Alto. Centenas e centenas de pessoas juntaram-se numa arruada entre a praça do Movimento das Forças Armadas e os Paços do Concelho, naquela que foi a maior manifestação de força desta campanha. Após uma semana de arruadas curtas e discretas, o desfile desta quarta-feira deu, de facto, uma boa dose de otimismo a João Ferreira — e os gritos de confiança do candidato a partir do púlpito vieram hoje bem do fundo dos pulmões, mais do que nos dias anteriores.

Baixo. A arruada em Almada só teve um ponto baixo: o facto de Jerónimo de Sousa apenas se ter juntado no final, para os últimos metros. O entusiasmo com que foi recebido quando se integrou na comitiva mostrou que os apoiantes tinham tido todo o gosto em percorrer as ruas de Almada na companhia do secretário-geral do PCP.

Daniel Rodrigues (19 anos) e Laura Ribeiro (17). Durante a pequena arruada com que abriu o dia, em Alcochete, João Ferreira foi abordado por dois jovens que lhe entregaram uma carta e lhe pediram que lhes explicasse o que pensa sobre as alterações climáticas. João Ferreira falou demoradamente com eles. Explicou-lhes as cinco propostas da coligação para a área do ambiente, convidou-os a ler os objetivos programáticos com mais detalhe e desafiou-os a visitar o site do Parlamento Europeu para verem o que faz cada eurodeputado.

Aos jornalistas, Daniel e Laura explicaram que são naturais dali (ele é do Seixal, ela de Alcochete), não fazem parte de nenhum movimento organizado e são apenas “estudantes preocupados” com o ambiente. Sabendo da passagem da caravana da CDU por ali, decidiram desafiar o candidato a responder-lhes sobre as suas propostas naquele âmbito. “Se algum outro partido quiser vir à zona do Seixal e Alcochete, nós iremos também entregar esta carta aos outros partidos“, explicou Daniel ao Observador. Porém, até agora, ainda só conseguiram falar com João Ferreira.

Daniel Rodrigues e Laura Ribeiro esta manhã em Alcochete, após entregarem uma carta sobre alterações climáticas a João Ferreira (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

“A carta fala sobre as alterações climáticas, sobre tudo o que se está a passar, os interesses das empresas e também de outras pessoas, que estão a ter as causas que nós todos podemos ver no nosso ambiente”, explicou Daniel. “Isto está grave, está muito grave. Acho que isto é o mais importante“, acrescentou. A julgar pela conversa que manteve com os jovens e pela forma confiante como avançou após o diálogo, pode dizer-se que João Ferreira saiu dali convicto de ter obtido mais dois apoios para a CDU.

A verdade é que, mais tarde, viemos a encontrá-los na grande arruada em Almada. Perguntamos se ficaram convencidos. A resposta de Daniel não adianta muito. Ainda não optou pelo quadrado onde vai colocar o seu voto, mas a passagem da arruada foi “uma boa oportunidade” para vir defender o ambiente, de cartaz em punho.

Apesar de ter sido pequena, a arruada em Alcochete foi calorosa, com João Ferreira a distribuir afetos por entre uma população fortemente pró-CDU. Em conversas com quem encontrava na rua, tentou convencê-las de que os políticos “não são todos iguais” e que vale a pena ir votar nas eleições europeias, mesmo que pareçam “distantes”.

João Ferreira durante a arruada em Alcochete (LUSA)

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De regresso à região da Grande Lisboa, a caravana de João Ferreira, que na sexta-feira tinha terminado a passagem pelo Alentejo com um comício em Serpa, percorreu 187 quilómetros até Alcochete, fez mais 28 quilómetros até à Quinta do Conde e ainda somou 24 quilómetros até Almada, onde terminou o dia às 17h após um comício com a presença de Jerónimo de Sousa — bem a tempo de dar aos apoiantes da CDU a possibilidade de irem ver os jogos decisivos do campeonato.

Total percorrido desde segunda-feira: 1.166 quilómetros.

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