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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Bloco de notas da reportagem no PSD. Dia 11. Rio já está em controlo de danos /premium

O líder do PSD não foi ao almoço em Lisboa e diz que eleger apenas seis eurodeputados no domingo não é uma grande derrota. Paulo Rangel pede que não se desista e insiste que vai ganhar.

O PSD parece já estar em modo controlo de danos. Na praia de Mira, na quarta-feira, Rui Rio lembrou algo que já tinha dito no Conselho Nacional em que escolheu a lista às Europeias: que o resultado do PSD em 2014 não foram os 27,7% da Aliança Portugal, mas sim 19 ou 20%, tendo em conta que o CDS terá conseguido 7 ou 8%.

O candidato Paulo Rangel, no almoço na cervejaria Trindade, em Lisboa, voltou a repetir um apelo que tem feito aos militantes: “Não desistam, não desmobilizem”. O candidato admitiu que o sentimento, impulsionado pela “bolha mediática”, é que uma vitória será “estranha”, mas garante que domingo vai ser algo que se “entranha“. O discurso continua a ser confiante, mas também é um assumir que há algum desânimo e falta de confiança da estrutura na vitória. À noite, em entrevista à SIC, Rui Rio voltaria a baixar a fasquia e a dizer que se o PSD eleger seis “não é uma vitória”, mas acrescentou que também não seria uma derrota estrondosa.

Rui Rio, que se mostrou muito à vontade na descida do Chiado, não participou no almoço na Trindade, ao contrário do que estava na agenda. Justificou que ia acompanhar Francisco Pinto Balsemão e que, como o fundador do PSD faltou por doença, a sua presença era dispensável. Na realidade, Rio podia ter ido na mesma ao almoço apoiar o seu candidato, já que faltam dois dias para as eleições. O presidente do PSD parece estar mais preocupado em proteger-se caso haja um mau resultado no próximo domingo, 26.

Enquanto descia a rua do Carmo e percorria a rua Augusta, Rio foi recusando qualquer leitura sobre legislativas, considerando extemporânea essa discussão. O líder do partido só quer falar de legislativas depois de junho. E já avisou que é ele que vai a votos em outubro, escusam de preparar novos “golpes”. Nem que caia o Carmo e a Trindade.

Alto. Embora a descida do Chiado não tenha sido a mais impactante dos últimos anos e o jantar-comício em Oeiras tenha tido mesas vazias, tem havido mobilização. A campanha está a ser uma prova de unidade num PSD que estava partido em dois há um ano e meio e voltou a estar bem dividido há quatro meses. Paulo Rangel mostrou que consegue unir várias sensibilidades do partido sem nunca ser visto como um homem do presidente. Rio até ouviu esta quinta-feira elogios de Pedro Pinto, o presidente da distrital mais crítica da sua direção (Lisboa).

Baixo. Quando as coisas correm mal aos políticos, a culpa nunca é deles. É sempre da comunicação social. Rio tem insistido nas críticas à RTP e Rangel voltou a atirar-se esta quinta-feira à “bolha mediática”, como se fosse retratada pelos jornalistas uma realidade que não existe. Não houve na campanha nenhum erro jornalístico relevante (seja voluntário ou involuntário) que prejudicasse um ou outro partido. Todos os casos e casinhos foram provocados pelo debate político. Soa, por isso, a desculpa antecipada.

Rangel Sobral tem 43 anos e está neste artigo por um acaso. No penúltimo dia de campanha oficial de Paulo Rangel, um dos jornalistas do Observador que está a fazer a volta com o candidato chamou um ‘uber’. Nome do motorista? Rangel.

Rangel, não de apelido, mas de nome. Afinal, o que sabe o motorista da Bolt (antiga Taxify) sobre as Europeias? Confessa que muito pouco. É enfermeiro de formação e há um ano mudou-se para Portugal com a mulher, que veio fazer um mestrado em psicologia. A mulher ainda não arranjou emprego como psicóloga e Rangel ainda não conseguiu “vencer os processos de equivalência” para que possa exercer a profissão de enfermeiro em Portugal. O casal não tem filhos, mas quer ficar a viver cá.

Rangel tem “ouvido muito [falar das Europeias] por causa dos media, de um modo geral”, mas confessa que não sabe como funciona a votação e que também “não tem ideia do funcionamento político da União Europeia”. Pelo nome, Rangel imagina que seja uma espécie de “eleições para os governadores do Brasil”, mas na União Europeia. Sobre quem são os candidatos, desconhece que há um seu homónimo. “Só sei o que tenho visto aí em propagandas”. E também não pode votar: “Ainda não tenho cartão de cidadão”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Paulo Rangel não se incomoda muito quando está sozinho. Por vezes, isola-se a falar ao telefone. Foi o que aconteceu esta quinta-feira antes do almoço na Trindade e depois de ter feito uma viagem de metro entre as estações Amadora-Este e Baixa-Chiado.

O dia começou com 12 quilómetros desde o centro de Lisboa até à estação Amadora-Este. De metro e a pé foram mais 14 quilómetros até à Cervejaria Trindade. Da Baixa de Lisboa foram mais 20 quilómetros até Paço de Arcos e outros 20 no regresso a Lisboa. No total são mais 66 quilómetros que se juntam a um acumulado de 3096 quilómetros — o que significa um total de 3162 quilómetros.

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