Índice
Índice
Quando a rapariga se aproximou, nervosa, do microfone instalado no Rossio, em Lisboa, a primeira coisa que proferiu foi um apelo aos outros manifestantes: “Abram o coração, por favor.” Passava das 19 horas e estava em curso a assembleia popular. Depois de uma calorosa salva de palmas e gritos de apoio, prosseguiu: “É preciso ter cuidado com o cultivo do ódio. É certo lutar contra os problemas, mas cuidado com o ódio contra as forças de segurança.” E foi vaiada.
A mesma multidão, que minutos antes a encorajava, agora gritava “Ódio têm eles a nós!” e “Matem-nos!”, enquanto apenas uma voz isolada pedia à jovem de cravos no cabelo: “Continua!”. A rapariga acabou a sua intervenção e pouco depois, limpava as lágrimas. De costas para o microfone, começou a enrolar um cigarro. “Isto não é uma assembleia… O que é que importa? Vou-me calar.”
Os três minutos atribuídos a cada intervenção naquela assembleia não chegaram para explicar o que mais tarde desabafaria ao Observador, longe da multidão que se tem reunido diariamente, às 19h, em Lisboa e no Porto. “Neste momento, qual é o sentido de estar num movimento que nem acolheu a minha intervenção? Sei que aquilo que disse é real. Mas quando tive a coragem de ir ao microfone expor-me e pedir o pensamento crítico das pessoas, não tive nada disso. Tive julgamentos e exposição perante o próprio movimento”, confessa, lembrando que desde o primeiro dia de protesto, no passado sábado, tem andado “a viver para o trabalho e para isto”. Antes da vaia, tencionava dormir na praça. Mas acabou por ir para casa.
Oficialmente, tanto a Acampada do Porto como a de Lisboa não têm líderes nem um grupo responsável por tomar decisões — defendem funcionar de forma “horizontal”. É nas assembleias populares que votam os próximos passos, como se pernoitam dentro de tendas ou ao relento no local, ou não. Contudo, nestes momentos há quem se destaque: são pessoas que estão quase sempre por perto, prontas a intervir para pedir ordem, fazer esclarecimentos ou requerer a atenção das pessoas para os trabalhos em curso.
Em Lisboa, a moderação das assembleias tem cabido sempre a Priscila Valadão. Ficou com o microfone logo no primeiro dia mas este seu papel não foi sujeito a votação, por ser “a primeira assembleia”: surgiu “de forma espontânea”. “Tenho alguma prática. Fui evangélica durante muitos anos e estou habituada a multidões. Já fiz pregações várias vezes”, explica ao Observador.
A moderadora das assembleias populares do Rossio sublinha, contudo, que conduzir as reuniões não significa controlar o que cada um diz. “Não foram discutidos limites, mas não posso simplesmente tirar o microfone da mão de uma pessoa“, afirma quando confrontada com a possibilidade de haver intervenções que apelem à violência — como a de um jovem que, no Porto, chegou a sugerir atirar um tijolo à casa de Luís Montenegro. O que não tolera é qualquer tipo de discurso racista e xenófobo.
A assembleia popular tem sido um dos símbolos dos movimentos que têm ocupado a Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e a Praça D. João I, no Porto. Sentados ou de pé, por vezes várias centenas, outras vezes algumas dezenas, os participantes têm a possibilidade de se inscrever para apresentar propostas para o movimento. Ou então só para entoar palavras de ordem e partilhar ideais políticos. Muitos dos discursos têm defendido que “a democracia não é de ir votar de quatro em quatro anos no boletim” e que a “verdadeira democracia é feita aqui nas ruas”. O Observador esteve nas várias assembleias populares dos protestos pela habitação e conta-lhe o processo, os limites e os bastidores.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Votações de braço no ar, aplausos e pedidos de “consciência”: “A auto-organização corre muito bem, mas às vezes…”
“Não achemos que há órgão político neste país que seja verdadeiramente imparcial”, declara um manifestante ao microfone, para todos os que estão perto o suficiente para o ouvir no Rossio. Houve momentos em que, mesmo entre os participantes da assembleia, pouco ou nada se ouvia; enquanto as votações decorriam, grupos mais distantes entoavam palavras de ordem. Depois de uma proposta apresentada numa das assembleias desta semana, faz-se a habitual pergunta: “Quem vota a favor?” “A favor do quê?”, questiona uma manifestante, ao que a amiga responde: “Não sei, mas eu devo ser a favor.”
Apesar de as intervenções serem abertas e mediante inscrição dos interessados através do registo dos seus nomes numa folha de papel ou num telemóvel, há discursos que assumem à partida o que será decidido mais tarde. “Sim, vamos ficar a acampar hoje”, afirmou uma das participantes ligadas à Acampada do Porto, antes de ser chamada à atenção por Mariana Guedes, figura associada ao movimento. Voltando-se para a plateia, a oradora fez logo a ressalva: “Isto é só a minha opinião.”
Há momentos em que a proposta é lida e a multidão irrompe em aplausos e palmas. “Nós vamos refletir e dar a nossa resposta”, dizia um manifestante durante a fase das intervenções, sempre prévia ao anúncio do momento das votações. Mas, logo a seguir, atira: “Eu já sei qual é a vossa” — e as palmas recomeçam.
Aqui, o voto não é secreto. As votações decorrem normalmente de braço no ar, mas por vezes bastam aplausos e gritos para se ouvir um “aprovado” emotivo e apressado. Em votações mais decisivas, como as que definem se o grupo pernoita com tendas nas praças, pede-se aos manifestantes maior responsabilidade — por vezes, aos que não contam ficar a noite, pede-se que não participem e se baixem. Além desses pedidos, são dados vários avisos: “Votem com consciência”, diz-se ao microfone. “Levanta a mão quem defende a acampada desde o primeiro dia… Então vai toda a gente pôr a mãozinha também quando for para acampar hoje.”
É num destes momentos que João Silveira, cara da Acampada do Porto, brinca numa assembleia: “A auto-organização corre muito bem, mas às vezes…”
Ordens de trabalho, o tijolo contra a casa de Montenegro e a proibição de discurso racista ou xenófobo
Os tempos de cada intervenção são contados com cronómetros, mas é comum não serem respeitados. “Se passar dos dois minutos, vou ter de ser mesmo taxativa”, avisa Priscila Valadão na assembleia desta quarta-feira. “Não é querer interromper a fala de ninguém. Se uma pessoa fala, a outra fica sem tempo”, explica Priscila à multidão. São frequentes os momentos em que os responsáveis pela gestão das assembleias sentem necessidade de justificar a imposição de limites às intervenções — nem sempre bem recebidos pela multidão que as ouve.
Geram-se, por isso, discussões entre os organizadores, que tentam mediar o processo. E, por vezes, o microfone fica perto das conversas, mas por pouco tempo. “Afastem-se do micro!”, grita imediatamente uma manifestante enquanto aponta para as colunas de som e olha para os jornalistas presentes.
A assembleia popular pode ou não ser precedida por uma definição da ordem de trabalhos. No Porto, no dia 17 de outubro, o primeiro ponto era a decisão sobre pernoitar ou não e, caso aceite, se seriam montadas tendas; depois, foram debatidos e votados o envio de uma nova comunicação à Câmara Municipal do Porto para estender a ocupação do espaço e a adesão formal a uma petição que exige a demissão de Pedro Duarte. Todas foram aprovadas. Já na última assembleia popular na cidade, foi anunciada a criação de uma plataforma online para receber as propostas, e de uma ata lavrada depois de cada votação.
Em Lisboa, os organizadores evitam “estabelecer um programa”: no dia que se seguiu à intervenção policial, “aconteceu, porque precisávamos de saber se, mesmo com aquilo tudo que tinha acontecido, íamos acampar ou não”, explica Priscila Valadão.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Mas uma coisa, Priscila quer deixar clara: não há limites às intervenções. “Quem regula aquilo que se deve ou não fazer é a própria Assembleia.” Como exemplo dessa autogestão, recorda o momento em que um jovem, sentado na estátua de D. Pedro IV na assembleia de quarta-feira, começou a grafitar as palavras “ACAB” [sigla que significa, em inglês, ‘todos os polícias são uns canalhas’] e “Montem”. A mensagem escrita a tinta preta ficou-se pelo “Montem” — e não pelo insulto esperado [Montemerda] — porque a multidão desaprovou a ação e gritou para que parasse.
É a massa que se deve pronunciar. “A gente não pode simplesmente pegar o microfone da mão da pessoa. Nesses últimos dias, nessas cinco assembleias, pessoas falaram coisas de que discordo completamente”, recorda Priscila Valadão. Aponta o caso do jovem filmado no Porto a sugerir atirar um “tijolo” à casa de Luís Montenegro, confessando ter “pena dele”: “São jovens. A grande maioria nunca esteve num ambiente de militância ou de luta política nenhuma. Estão a começar a entender isso agora.”
Em ambos os casos, a moderadora mantém a confiança no “contrapeso da votação popular” e no escrutínio imediato: “O que vai acontecer é o contrapeso das outras opiniões que forem ali dadas e, depois, a votação popular.”
Questionada sobre o que faria o movimento caso surgisse uma proposta a incitar diretamente à violência, a resposta é “depende”: “Depende da dinâmica. Eu não posso dizer o que pode ou não ser feito. Sou apenas uma acampante com a responsabilidade de ser mediadora. O microfone está aberto, não aconteceu e, mais uma vez, a gente é amadora nisso”, sublinha Priscila, acrescentando: “Estamos descobrindo no caminho.”
E estas questões colocam-se porque não estão a “viver numa comuna, infelizmente”. “Existe toda a legalidade que é o Estado e o Estado hoje não está a nosso favor em nenhum momento, até naquilo que nem poderia fazer, que é proibir-nos de nos manifestarmos”, observa ainda.
Mas em casos de eventuais discursos racistas ou xenófobos, o “depende” da anterior resposta passa a uma resposta clara: “Aí eu seria a primeira pessoa a tirar o microfone da mão da pessoa. Porque sei quantas pessoas em Portugal apanham todos os dias.”
Já quanto às palavras de ordem e intervenções contra a polícia, Priscila volta a admitir que “a resposta não é fácil”. “Existiu porrada e repressão [por parte das forças policiais]. Pessoas que foram presas, pessoas que levaram na boca. Como é que a gente vai conseguir conter a resposta à violência que as pessoas sofreram?”, questiona, convocando a história do país: “As forças militares tiveram um papel fundamental no 25 de Abril, mas a PSP e a GNR ainda são frutos daquilo que foi a PIDE. Há todo um histórico português que é preciso colocar em cima da mesa.”
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A manifestante “de esquerda” que pediu “corações abertos” sobre a polícia e recebeu vaias da multidão
A rapariga que pediu “cuidado com o cultivo do ódio”, especialmente dirigido à polícia, durante a assembleia popular trazia apenas umas “notas desarrumadas”. Tinha estado na acampada desde a primeira vez e integrou ainda o cordão humano que tentou, na noite de segunda para terça-feira, resistir à intervenção policial que retirou as tendas erguidas no Rossio. E era também sobre isso que queria falar na sua intervenção.
“Eu estive no cordão, sei que houve violência, isso está filmado, está visto. Mas eu também tive polícias à minha frente e eles não foram… É óbvio que eles empurraram, mas eles não nos empurraram para nos magoar. Eles iam empurrando para nos obrigarem a ir para trás”, relata ao Observador.
A reação da multidão fez com que não conseguisse terminar o raciocínio. “Eu estava à espera que não fosse popular [a intervenção]. Daí que comecei daquela maneira [a pedir a empatia dos que a ouviam]. Aí, toda a gente foi buéda fixe, mas depois esqueceram logo o coração”, conta. É por isso que já não discute “a questão da polícia com as pessoas da luta”. “Já abordei e sempre que eu abordo, isto acontece. Bem, nunca tinha sido vaiada, não é? “, desabafa, sorrindo.
Mas o que queria ter conseguido dizer em assembleia, antes dos três minutos voarem, di-lo ao Observador: “Por que é que temos de pôr ACAB em todo o lado? Eu, por acaso, já passei uma situação de violência doméstica e a pessoa que me ajudou foi um polícia. E muita gente tem situações assim. Eles não são todos iguais.”
Pede atenção às generalizações: as pessoas na assembleia, defende, nunca as fariam se “um negro ou um cigano” fizesse algo indevido. “Se fosse a dizer algo do negro, ‘ah, não é porque ele é negro, é porque ele é uma pessoa, excluído socialmente. É porque ele é pobre’. Mas se for a polícia, é porque é polícia.” Embora admita haver “incoerências em todos os movimentos”, prefere “olhar para elas” e “enfrentar”, ao invés de “ignorar o elefante na sala”. E era a esse “pensamento crítico” que quis apelar na assembleia popular — que considera precisar de “mais organização” por sofrer de “uma falta de seriedade”. “Estamos aqui duas horas e meia e não se discute quase nada”, acrescenta.
“Acho que devia haver mais pensamento crítico, porque depois forma-se muito o rebanho. As pessoas de esquerda e as pessoas mais alternativas dizem ‘Ah, o rebanho, as pessoas são todas ovelhas’. Mas depois que vamos às alternativas e vamos às de esquerda e isto acontece”, sublinha a manifestante de 30 anos que se assume “de esquerda em todos os sentidos”, embora não tenha partido político.
Era sobre estas reflexões que acha “que se devia estar a falar” nas assembleias populares do movimento. Isso “em vez de estarem metade da assembleia a dizer ‘Montenegro não sei o quê, as suas casas vão sofrer ocupação'”. “Tudo bem, não tenho nada contra o cântico, mas acho que se perde muito [tempo] com coisas que não estão a acrescentar nada e que só acendem o fogo interno que nos faz agir com um pouco de cegueira”, frisa ainda a manifestante que admite, “se calhar”, vir a inscrever-se antes “numa reunião da Câmara em vez de vir para aqui todos os dias”.
“Às vezes as pessoas saltam do oito para o 80”, algo que sente que “não ajuda o mundo”. Emocionada, diz que “é sempre a mesma merda nas causas todas” — e que, por isso, “não se avança assim tanto”.
“Todas as assembleias das 19h são públicas, mas há assembleias mais durante a noite”
Paralelamente aos encontros abertos no Rossio, a vida da acampada organiza-se mesmo quando a multidão se desmobiliza. João Silveira, da Acampada do Porto, explica a diferença entre os dois momentos de discussão e decisão: “Todas as assembleias das 19h são públicas. Mas há assembleias que temos mais durante a noite para a malta que cá fica, para discutir estratégias de organização, como fazemos se tivermos um ataque da polícia ou de grupos de fora.”
João garante que essas “assembleias próprias” são também “feitas de forma completamente democrática” e “sempre transparente”. “Mas em alturas que, de facto, não estão aqui as centenas de pessoas que estão aqui hoje”, numa das assembleias das 19h, acrescenta.
Na Acampada de Lisboa, o mesmo acontece. Priscila Valadão fala neste “outro momento” onde se decidem os “assuntos de quem está acampado, que precisam de ser tratados”. “Imagina uma assembleia inteira decidir sobre a vida de quem está dormindo ali? E aí [nas assembleias internas] se fala sobre segurança, apoio psicológico, etc…”, detalha a porta-voz.
Essas reuniões — nas quais se pede a não presença dos jornalistas — podem até debater o rumo do movimento, afirma Priscila, mas a palavra final regressa sempre ao Rossio: “Eles podem até discutir os próximos passos, mas isso não fica definido. Depois precisam de levar a proposta à assembleia pública.”
Apesar destes bastidores, montados por “grupos de trabalho” encarregados de diversas tarefas (desde a limpeza, à segurança, à alimentação e comunicação), Priscila recusa que haja alguma “organização por trás disto”. “Se existe, desconheço completamente”, afirma.
Também João Silveira assegura que “todas as decisões são tomadas em assembleia”, rejeitando “de todo” uma “hierarquia”.
Quanto às chamadas telefónicas constantes que os elementos da “mesa” atendem enquanto os debates das assembleias decorrem, a explicação é simples: além dos contactos insistentes dos jornalistas, há também a vida pessoal para lá da luta. “Ou atendo as chamadas de jornalistas ou atendo a minha mãe, que está preocupadíssima comigo a pedir-me para não ser uma mártir.”
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
“O modelo de democracia liberal é boicotado pelo próprio povo português que não vota”
Quando o microfone se abre no Rossio, a crise da habitação deixa rapidamente de ser o único alvo. O problema, grita-se na praça, está no próprio “modelo de democracia” em vigor que ignora o “poder popular”.
“Este modelo de democracia simplesmente não funciona para quem trabalha em Portugal”, argumenta Priscila Valadão. E a acusação da moderadora das assembleias não se esgota no Executivo em funções — ainda que o critique sobretudo pelos “acordos com o Chega”. O alvo é mais abrangente: a democracia representativa ou “burguesa”. “São políticos que não sabem o que é trabalhar. Têm grandes privilégios, muitos imóveis, enquanto a maioria não tem um teto para pôr sobre a cabeça”, afirma Priscila que, citando Isaltino Morais, defende mesmo que “o pacto social português foi completamente abaixo.”
Para a moderadora da Acampada de Lisboa, a distância entre “as ruas” e o Parlamento retirou a legitimidade às instituições tradicionais. “Acho que o poder não está na mão do povo. Para mim, votar de quatro em quatro anos não é dar poder ao povo. O Parlamento é hoje composto por muitas pessoas que nunca souberam o que é trabalhar na vida”, declara ao Observador.
Não se crê sozinha nessa avaliação. “O modelo de democracia liberal” é “boicotado pelo próprio povo português que não vota, porque não acredita nela”, diz, ressalvando que “por acaso” e “de vez em quando” ela até vai votar. “Eu normalmente voto. Ou seja, talvez eu acredite mais na democracia liberal do que a maioria do povo português”, afirma, entre risos.
Assumida comunista e autoproclamada defensora da democracia popular, Priscila Valadão considera que os protestos que têm ocupado praças em Lisboa e no Porto podem ser a última “esperança” para a democracia representativa. “Se existe alguma esperança para essa democracia liberal — coisa que eu não acredito —, não se devia ameaçar qualquer movimento social de existir. Porque ele vai fazer as movimentações necessárias dizendo o que quer e o Governo vai ter de ouvir”, argumenta a ativista. Até a continuidade da democracia pode ser discutida: “A gente pode colocar em assembleia.”
[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]