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Rui Patrício: 10

Fez uma grande defesa a um cabeceamento de Griezmann aos 9 minutos, fez uma grande defesa a um remate de Sissoko aos 33 minutos, e assim sucessivamente, durante muito tempo. Acho que devemos retirar daqui as devidas ilações, nomeadamente que fazer grandes defesas é um aspecto muito importante da vida.

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Pepe: 10

Ficou-se com a sensação de que o segundo avançado da França com um nome começado por “G” lhe deu mais trabalho do que o primeiro avançado da França com um nome começado por “G”. Pelo menos é um pensamento que me lembro de se ter materializado antes do colapso parcial das minhas funções cognitivas.

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José Fonte: 10

Apresento as notas avulsas sobre José Fonte que escrevi durante o jogo sem comentário adicional: “muito bem”, “excelente!”, “inacreditável”, “outra!”, “mesmo isso”, “epá, mais um”, “minha Nossa Senhora”, “ahahah, não é possível”. As margens do meu exemplar de “Moby Dick” são, curiosamente, muito semelhantes.

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Raphael Guerreiro: 10

Apareceu de repente na imagem para fazer uma combinação perto da área francesa; dois segundos depois, apareceu de repente na imagem para cortar um contra-ataque no nosso meio-campo. Isto desenrolou-se ao minuto 48, segundo uma nota que escrevinhei na toalha com a unha do indicador direito besuntada de guacamole.

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Cristiano Ronaldo: 10

Acabei de passar oito minutos a observar fixamente uma imagem do seu rosto no momento em que ergueu o troféu. Suspeito que alguns de vós ainda não fizeram o mesmo, pelo que não vos maço mais. Esteve excelente a orientar a equipa depois do intervalo, tendo em Fernando Santos um adjunto discreto, mas interventivo.

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João Mário: 10

Esteve tão bem. Esteve tão bem nos duelos com o Pogba e a segurar a bola e em outras situações para as quais agora o vocabulário me escapa. Mas confio que tenha estado “muito bem”, tendo em conta a anotação “muito bem” escrita aqui violentamente num guardanapo, com sangue de uma unha demasiado roída.

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William Carvalho: 10

Por vezes, normalmente quando estou a fazer a barba, entretenho-me a fazer perguntas hipotéticas. Por exemplo, quem é que sairia vencedor de uma competição para escrever, sozinho, a melhor Constituição: James Madison, Alexander Hamilton ou William Carvalho? A resposta é cada vez mais óbvia.

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Renato Sanches: 10

Tem dezoito anos, está em Paris, acabou de mexer no troféu Henri Delaunay, e agora está, se Deus quiser, a embebedar-se ainda mais do que se embebedou em Maio. O mais engraçado de tudo isto é que é possível que este não seja o ponto alto da sua carreira.

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Nani: 10

Foi o único português a ganhar um duelo individual com Sissoko durante o jogo inteiro, isto partindo do princípio que é assim que se escreve “Sissoko”. Tem, portanto, nota 10 – o número atómico do néon, e também o número de vogais no alfabeto coreano.

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Cédric: 10

Fez uma incrível abertura para Nani de pé esquerdo, logo nos primeiros minutos. Depois deu uma joelhada insuficientemente patriótica no rim de Payet, num gesto técnico muito àquem do que podia e devia ter feito. A dada altura apareceu-lhe à frente outra pessoa francesa a correr muito depressa, o tolinho.

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Adrien Silva: 10

Recebe um 10, evidentemente. Porque é que não havia de receber um 10? Adrien Silva recebe um 10, tal como, de resto, eu. Eu também recebo um 10. E vocês. Vocês todos recebem um 10 (com uma ou outra excepção). Bruno de Carvalho? Um 10. Teresa Guilherme? 10. O Professor Gomes Canotilho? Outro 10.

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Éder: 10

Creio que conseguiu ganhar uma falta sempre que recebeu a bola, usando o seu método de a proteger com o corpo como se estivesse a tentar equilibrar-se à beira de um buraco fumegante em Yellowstone. Depois fez também a outra coisa, pelo que é uma questão de tempo até termos de dar o seu nome a um aeroporto.

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João Moutinho: 10

É um tiro no escuro, e não pretendo de forma alguma escamotear os jogos de Patrício, Fonte e Raphael, mas não seria um candidato implausível a melhor em campo. Entrou muito bem, e pareceu alargar o espaço e dilatar o tempo disponíveis sempre que teve bola. De longe a sua melhor exibição no Euro. E merecia-a.

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Ricardo Quaresma: 10

Como é que te chamas? Cochilo? Koshilny? És fixe. Vamos ficar aqui um bocadinho a conversar O que é que se passa, estás com uma voz esquisita. Respirar? Queres respirar? Eu percebo isso, também gosto imenso de respirar. Olha, é mais uma coisa que temos em comum, não vejo motivo para não sermos grandes amigos.

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