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Victor Machado

Victor Machado

Convivam: a amizade acontece quando estamos juntos

Qual é hoje o lugar da amizade na vida dos portugueses? No passado dia 14 de abril, o ISCTE foi palco da apresentação do estudo “A Amizade em Portugal. Como é? O que é que mudou?”.

Quando pensa no que será ter uma vida mais sã, provavelmente os fatores que mais parecem contribuir para isso são a alimentação, o exercício físico e o fomento de uma saúde mental mais equilibrada, certo? Mas e se a esta equação acrescentássemos a amizade? Ter amigos verdadeiros ajuda-nos a enfrentar a vida de uma outra forma. Os momentos difíceis podem tornar-se mais leves, os felizes ganham um outro significado e, no geral, a vida assume-se mais feliz. A juntar a tudo isto, nutrir relações de amizade pode mesmo trazer benefícios para o bem-estar. Mas não somos nós que o dizemos. O estudo “A Amizade em Portugal. Como é? O que é que mudou?”, promovido pela Super Bock e desenvolvido pelo CIS-Iscte, ajuda-nos a perceber o que mudou na última década e porque continua a ser tão importante estarmos juntos.

A apresentação do estudo deu origem a uma conversa alargada sobre a forma como os portugueses vivem hoje a amizade, as mudanças verificadas na última década e os desafios que se colocam à convivência e à presença. A conversa contou com a presença de Maria Luísa Lima, Investigadora do CIS-Iscte e responsável pelo estudo; Bruno Albuquerque, Diretor de Marketing Cervejas e Patrocínios do Super Bock Group; e Tomás Wallenstein, vocalista dos Capitão Fausto. Ao longo da tarde, ficámos a saber mais sobre o estado da amizade em Portugal e, acima de tudo, de que forma se tem vindo a posicionar a Super Bock no que diz respeito ao tema, uma vez que se assume não só como a promotora desta investigação, mas também como a marca que atua, há mais de dez anos, na defesa ativa da amizade.

“A Super Bock é uma marca com um propósito muito claro. Foi esse propósito que nos levou, há dez anos, a realizar o primeiro estudo sobre amizade e que agora nos motivou a perceber o que mudou, o que evoluiu e quais os fatores que hoje contribuem para a sua qualidade. Em tudo o que fazemos, partimos de um compromisso com a criação de contextos de amizade. Queremos ser a marca que defende a amizade em Portugal – e acreditamos que temos legitimidade para o fazer”, começa por afirmar Bruno Albuquerque.

Acrescentando ainda que a proximidade às pessoas é central para a marca: “O que nos interessa, acima de tudo, é perceber o que move as amizades e como podemos ajudar a cuidar delas. Não no sentido de dizer às pessoas como devem agir – esse não é o papel das marcas -, mas criando condições para que os amigos se juntem. Foi nesse contexto que decidimos apoiar este estudo”.

Algumas das principais conclusões

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  • A qualidade das amizades é mais importante do que a quantidade de amigos;
  • O convívio presencial continua a ser determinante para relações de confiança e proximidade;
  • A presença regular está associada a maior satisfação com as amizades;
  • Amizades íntimas oferecem mais apoio emocional e proteção contra a solidão;
  • Entre os jovens, verifica-se um paradoxo entre mais contactos e menor convívio presencial;
  • A diminuição da presença afeta a qualidade das relações e o sentimento de pertença;

As amizades exigem tempo, investimento e disponibilidade para lidar com o conflito

Da amostra do estudo fizeram parte 1000 inquiridos. De origem portuguesa, e residentes em Portugal, foram ouvidas pessoas entre os 18 e os 64 anos, com acesso à internet. Foi através das suas respostas que foi possível chegar aos dados que foram sendo apresentados e que ficaram a cargo de Maria Luísa Lima, a profissional responsável pela investigação. E se o primeiro estudo foi realizado em 2015, passados dez anos é possível perceber que algumas coisas mudaram. Embora 49% dos inquiridos considerem que nada mudou, a verdade é que o convívio presencial diminuiu significativamente e, na sua origem, está o impacto da pandemia, bem como o das redes sociais.

Entre 2015 e 2025, verificou-se uma redução tanto no número de amigos como no número de amigos íntimos e esta tendência é particularmente evidente entre os jovens, que, apesar de terem mais amigos próximos do que a geração mais velha, são o grupo que menos convive com amigos, face há cinco anos.

“As outras pessoas são a memória viva de quem é que nós fomos, não é? Com os momentos da primária, os momentos da secundária, os momentos da universidade. Partilhamos com eles quem nós éramos naquela altura e naqueles momentos. E a construção desses momentos são fundamentais”. Quem o diz é a investigadora responsável pelo estudo, reforçando a importância de contrariar estes resultados.

“Na juventude, as amizades, o conhecer pessoas diferentes, acaba por ser uma maneira de experimentar outras maneiras de estar no mundo, outras pessoas que pensam de maneira diferente de nós. Nessa fase em que nós estamos a definir grande parte do que somos, entre os dezoito e os vinte e cinco anos, há imensas decisões que temos de tomar. Ficar fechado na sua bolha é muito incapacitante, em termos de desenvolvimento de capacidades sociais, e até capacidades para discutir com o outro. Os meus alunos sabem que passo a vida a dizer que não há desenvolvimento sem conflito. Porque as amizades são um trabalho”. E neste sentido, a professora sublinhou que os resultados do estudo são bastante claros a mostrar que as amizades têm um papel mais importante para a qualidade de vida do que outros tipos de relacionamentos, como é o caso dos relacionamentos familiares ou comunitários.

“As questões de saúde mental são coisas importantes. Aliás, nós vimos também que é um dos temas que os jovens falam mais. Mas estas coisas: a diminuição do contacto presencial; o aumento do contacto nas redes sociais; e depois o aumento dos níveis de solidão deste grupo – são um fenómeno novo. Nós passamos a esperar dos nossos amigos reais aquilo que nos dá o amigo virtual. Os nossos amigos reais, primeiro, não estão sempre disponíveis para nós. Segundo, não nos dizem sempre o que nós queremos ouvir. E depois temos de nos esforçar mais do que simplesmente esperar que a outra pessoa nos diga que sim a tudo o que nós dissemos. A longo prazo, isso dificulta em termos daquilo que é a capacidade de fazer amigos e de estar com outra pessoa”, acrescenta.

Se Luísa Lima ficou encarregue da parte académica, Tomás Wallenstein foi a “voz da experiência”, partilhando com os jovens a sua vivência no território da amizade. E aqui, a realidade não poderia ser mais distinta do que a dos jovens inquiridos.

“Há mais ou menos quinze anos que eu tenho tocado nos Capitão Fausto. É uma relação de amizade que se transformou numa relação de trabalho. E, recentemente, justamente desde a pandemia, foi-me proposto e acabei por passar algum tempo a fazer um projeto sozinho. Gravei um disco, fiz alguns concertos sozinho e, portanto, tive cientificamente esta comparação justamente dos dois universos. E o ponto-chave é que eu prefiro ter uma banda, o meu foco principal são os Capitão Fausto. É justamente a amizade, o que acontece na preparação, antes de subir ao palco, que me dá outro tipo de propósito para ambicionar passar tempo e construir uma carreira em cima disso. Acho que as coisas sabem sempre melhores quando são partilhadas”.

Com a consciência da responsabilidade que é nutrir uma relação, Tomás afirmou sem qualquer hesitação que desde sempre que tem a sorte de trabalhar com amigos. E se a expressão “amigos, amigos, negócios à parte” é conhecida por todos, no seu caso não se aplica. “É verdade que é um processo mais lento, é verdade que é preciso convencer as outras pessoas, é verdade que o mais teimoso normalmente ganha, ou o mais persistente, mas também vamos mais longe e acho que conseguimos atingir resultados que sozinhos talvez não conseguíssemos”, remata.

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Há mais de dez anos a dizer sim ao convívio

Com a conversa a terminar, colocou-se a questão: se em dez anos a amizade se transformou, o que se poderá esperar da próxima década? Bruno Albuquerque deixou claro que a Super Bock foi sentindo e acompanhando a mudança. E que, face aos dados agora conhecidos, a missão da marca continuará a ser a mesma traçada até aqui: de criar contextos positivos e defender a amizade. Para isso, precisamos de conhecimento para transformar insights em ação, seja com rótulos que pedem desculpa ou que desconstroem estereótipos, o foco será sempre o de agregar.

Sobre a forma como a marca traduz este posicionamento em ações concretas, destaca: “É importante reconhecer que nem tudo são perfeições. A amizade implica aceitar o outro tal como ele é – com as suas imperfeições. Isto é especialmente relevante na construção da identidade, sobretudo entre os mais jovens”.

E exemplifica: “Este não é apenas um conceito teórico. Tivemos campanhas construídas a partir deste insight – como aquela em que os rótulos das garrafas pediam desculpa. Porque é natural que existam desentendimentos entre amigos. São gestos simples, do dia a dia, mas que ajudam a criar identificação e proximidade. É assim que procuramos ter um papel relevante na vida das pessoas”, confidencia o Diretor de Marketing Cervejas e Patrocínios.

A talk acabou com uma certeza: juntos vamos mais longe porque a amizade é mesmo capaz de mudar vidas. A amizade faz-se sentir nas pequenas coisas, no estarmos juntos. É o convívio e a presença que nos mantêm próximos. O afastamento, por sua vez, também tem impacto. Quando estamos menos presentes, a nossa falta faz-se sentir – mesmo que nem sempre o seja dito. Deixamos-lhe um desafio: a quem vai ligar hoje?

Conheça o estudo completo, aqui!

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