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A data de nascimento de uma pessoa tornou-se tema de conversa — e os signos, e as características a eles associadas, aparecem como explicando traços de personalidade

© Kimmy Simões/Observador

A data de nascimento de uma pessoa tornou-se tema de conversa — e os signos, e as características a eles associadas, aparecem como explicando traços de personalidade

© Kimmy Simões/Observador

Das apps aos negócios de milhões. Afinal, o que procuramos na astrologia? /premium

Não é preciso acreditar na astrologia para se gostar de signos. Os astros invadiram contas de Instagram e aplicações — e são negócio de milhões. Os "millennials" andam mesmo com a cabeça na lua?

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“Presidente, é da minha idade”, gritou um homem na direção de Marcelo Rebelo de Sousa quando, nos últimos dias de 2019, o Presidente da República visitou as zonas mais afetadas pelas inundações decorrentes das depressões Elsa e Fabien, em Montemor-o-Velho. “Faço a oito de dezembro”, continuou. “Em dezembro também? Então é mais velho quatro dias. Somos sagitários. É boa gente”, atirou Marcelo Rebelo de Sousa, como já antes contou o Observador.

Já não basta saber o nome, a profissão ou a idade. A data de nascimento de uma pessoa tornou-se tema de conversa — e os signos, e as características a eles associadas, aparecem como explicando traços de personalidade. Com Marcelo Rebelo de Soousa, mas especialmente entre os millenials. Não é que eles acreditem necessariamente em astrologia, mas, depois da onda cavalgada por gerações anteriores, com mais tabu à mistura, parece que a astrologia voltou a fazer parte das nossas vidas e, sobretudo, do nosso telemóvel e conta de Instagram, com espaço para novos negócios. Aplicações e memes nas redes sociais são as novas plataformas para ler os astros.

The Washington Post, The New YorkerThe Atlantic e The Guardian são exemplos de publicações internacionais que, desde o início de 2018 até ao último mês de novembro, dedicaram extensos artigos ao tema e tentaram responder a uma mesma pergunta: que relação é esta que une os millennials à astrologia? Hoje, se algo corre mal ou se um aparelho eletrónico dá problemas, culpa-se o Mercúrio que está retrógrado. Não é bem claro — para quem não estuda o assunto — o que é que isto quer dizer, mas isso não impediu a expressão de se popularizar nas redes sociais. Mandar mensagem à mãe a perguntar a que hora nascemos é também um ritual que vem ganhando adeptos. Quem nunca.

Astrologia e Instagram, uma relação de sucesso

Uma pesquisa rápida permite-nos descobrir várias contas de Instagram que se dedicam a aligeirar o vocabulário e os significados dos astros. “Drunkstrology” é um exemplo. Foi criada por Tayla Jones, de 23 anos, e por Sam Gorman, de 24. Ao The Washington Post, Jones explica que as imagens que publica fazem com que as pessoas falem sobre as suas personalidades, emoções e experiências de vida de uma forma que, caso contrário, provavelmente não o fariam. A astrologia, diz, faz com que expressar os sentimentos “seja uma espécie de jogo”. Isto não é sobre fazer futurologia, mas sobre explorar o self.

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© Página de Instagram “Drunkstrology”

Tanto a conta “Drunkstrology” como a “Not All Geminis” têm cerca de 500 mil seguidores. A segunda tem a seguinte apresentação no topo da página: “Memes sobre os astros”. Pelo respetivo feed há um pouco de tudo transformado nos mais variados memes: dos medos dos diferentes signos — o Carneiro, por exemplo, teme ser insignificante na vida dos outros — a estados de humor e preferências sociais. Todos os posts têm milhares de gostos.

Em Portugal, destaca-se a “Astrologia de Grey”, criada a 3 de maio de 2018. Se o primeiro post tinha apenas 19 gostos, um dos mais recentes, com data de 10 de dezembro, já soma mais de 400. São 14 mil seguidores, um número que, para a escala portuguesa, tem alguma expressão. Telma Gonçalves, de 31 anos, é a “Mana Grey” que num registo quase diário lê os astros e antecipa o que podemos esperar daquela segunda-feira ou da semana inteira.

© Página de Instagram “Astrologia de Grey”

Foi quando um dia, aos 24 anos, Telma caiu de repente na rua e já no hospital descobriu que tinha cancro nos ovários que o destino da astrologia começou a adivinhar-se. Embora tivesse crescido num meio em que falar dos astros era normal, nunca pensou que o seu futuro passasse por aí. Agarrada à cama do hospital, e sem nada de melhor com que se entreter, tentou procurar respostas para a condição médica na série “Anatomia de Grey”. “Não criei logo a página, foi um processo lento. As minhas amigas iam sempre fazendo perguntas e recebia mensagens a perguntar ‘Como está o dia de hoje?’. Tenho noção de que estes assuntos eram tabu, hoje são menos, mas quis criar uma página ligeira. Quando a criei estava a ver “Anatomia de Grey” e lembrei-me de como tudo começou”, recorda ao Observador. Telma explica que a astrologia funcionou como uma porta para encontrar alguma justificação na vida, um sentido maior. “Não confiava em mim. É um bocado isso que descobres na astrologia.”

Atualmente, entre os mais de 14 mil seguidores estão sobretudo mulheres dos 25 aos 34 anos (o que corresponde a 43% do público da página). As restantes faixas etárias concentram-se nos 18 aos 24 anos (29%) e nos 35 aos 44 anos (20%); 95% são mulheres, 5% são homens. “O que as pessoas mais procuram saber é o que se passa nas suas vidas. Os temas mais recorrentes são o trabalho e o amor.”

Importa assinalar, tal como já antes fez o The New York Times, que a astrologia ajuda a criar conteúdo viral na internet, ao providenciar “uma estrutura fácil para material infinitamente personalizado, que tem como alvo mulheres e dá acesso à nostalgia dos anos 90. É um quiz cósmico do BuzzFeed”. A autora deste artigo em particular lembra ainda que os horóscopos sempre foram adaptados ao público alvo e que a imagem dos símbolos astrológicos mudou e atualizou-se. “Não é preciso acreditar na astrologia para gostar dela. Essa posição é melhor exemplificada no meme do Twitter ‘astrologia é falsa, mas…'”.

Aplicações para ler as estrelas e o negócio de milhões

A popularidade da astrologia é muitas vezes explicada como o “resultado do declínio da religião organizada e o crescimento da precariedade económica”, escreveu a revista The New Yorker. A astrologia não é uma ciência: não há qualquer prova científica de que um signo do zodíaco se correlacione com a personalidade de uma pessoa, lembra a The Atlantic, ainda que o sistema tenha a sua própria “lógica” — o mais provável é que a maioria de nós saiba qual é o nosso signo solar, baseado na localização do sol no dia em que nascemos, mas para a astrologia também conta a posição da lua e dos outros planetas. “O que é suposto os horóscopos fazerem é dar-nos informação sobre o que os planetas estão a fazer agora e no futuro, e de que forma é que isso afeta cada signo”, lê-se ainda.

A primeira coluna de um jornal dedicada aos astros data de agosto de 1930, no rescaldo do colapso da bolsa de Nova Iorque um ano antes, e foi publicada no tabloide britânico Sunday Express. O mote para a estreia astrológica teve que ver com o nascimento da princesa Margaret, a 21 de agosto de 1930. Com o título “O que as estrelas preveem para a nova princesa”, o sucesso foi grande, até pelo que o astrólogo R.H. Naylor escreveu: que a princesa teria uma vida “agitada” e que “eventos de uma importância tremenda para a família real e para a nação” aconteceriam no seu sétimo aniversário — a data corresponde à abdicação da coroa por parte do tio, Edward VIII, que obrigou a que o seu pai, George VI, se tornasse rei. Depois da previsão algo certeira, Naylor tornou-se uma estrela e a coluna ganhou vida semanal.

Nos anos 1960 e 1970, a astrologia viveu tempos de ouro na fase da “New Age”. Depois, remeteu-se sobretudo aos horóscopos diários publicados nas últimas páginas de jornais e de revistas essencialmente femininas. Agora, com a chegada do ano 2020, os astros parecem ter-se alinhado para cativar a atenção dos millennials. Co-Star, Sanctuary e The Pattern são exemplos de aplicações astrológicas de sucesso — e o que veio primeiro, o mercado das aplicações ou o interesse das pessoas? A primeira oferece atualizações diárias (por vezes as mensagens não são as mais claras) e mostra-nos os amigos com quem somos mais compatíveis. Foi esta a aplicação que, em abril de 2019, angariou mais de 5 milhões de dólares em financiamento. Em abril último, a app tinha mais de 3 milhões de utilizadores registados, sendo que, atualmente, conta com 1 milhão de seguidores no Instagram. Apesar da popularidade, a Co-Star não está imune a alguma controvérsia, sobretudo por causa das notificações, por vezes estranhas, que vai enviando aos seus subscritores.

Rita (nome fictício), de 28 anos, usa a Co-Star há sensivelmente seis meses. Instalou-a por sugestão de uma amiga. Está atenta às notificações que a app envia e “três vezes por semana” clica nelas para saber mais detalhes. Fá-lo essencialmente por curiosidade e garante que não toma decisões com base nas mensagens vindas dos astros. “Não acho saudável deixar que isso me defina, ou que defina a minha vida, como muita gente deixa”, desabafa ao Observador. Ainda assim, admite que “desde sempre” achou o mundo dos signos interessante: “Isso começou porque aparentemente tenho um signo que faz as pessoas dizer ‘ui'”. É escorpião. “Desde pequena que tinham essa reação comigo. Então comecei a olhar, acima de tudo, para o meu signo e para as características associadas. Achava muita graça ao facto de a maioria ser consistente com os meus traços de personalidade.” Rita não consulta horóscopos da maneira tradicional e tem preferência por saber como o signo solar, o ascendente e a lua interferem na personalidade das pessoas à sua volta. “Dou por mim a estar atenta à maneira de agir, pensar e de estar das pessoas, públicas ou minhas conhecidas, e a fazer apostas comigo própria do tipo ‘deve ser Gémeos'”, continua. A astrologia é o fio que une conversas entre amigos que vão além das gerações mais novas. “Tenho uma prima na casa dos 40 que sempre adorou o tema. E a minha irmã [de 42 anos], tal como eu, sempre achou ‘piada’.”

Captura de ecrã da aplicação Co-Star

A aplicação The Pattern, apesar de também assente na leitura dos astros, é bastante diferente da Co-Star. Depois de inserida a data de nascimento, o local e a hora, oferece leituras aparentemente personalizadas — desde as expectativas em relação ao amor e a definição das relações ideais ao nosso propósito no mundo (os tópicos variam de pessoa para pessoa). Já a Sanctuary, além dos horóscopos diários, permite falar com astrólogos, serviço que tem um custo extra associado. “A astrologia é uma forma incrível de ver uma história sobre nós próprios”, disse Ross Clark, CEO da aplicação, ao The Washington Post. “O mapa [astral] é a representação de diferentes elementos de nós próprios ou partes da viagem que é a nossa vida.”

Susan Miller é astróloga há mais de duas décadas. © Roy Rochlin/Getty Images

Roy Rochlin/Getty Images

Também a app de Susan Miller dá que falar, ela que emprega uma assistente, editores e engenheiros. Do currículo da famosa astróloga fazem parte livros que são bestsellers, calendários, um site com 11 milhões de leitores únicos por ano e a respetiva aplicação. Miller, e o estilo de escrita tido como “maternal e otimista”, já cá andava antes deste boom. Não é por acaso que o The Guardian a apelida de “astróloga super-estrela”. Escreve ainda para revistas de oito países diferentes e entre as celebridades que a procuram estão nomes como Cameron Diaz, Justin Theroux, Pharrell Williams e Alexa Chung.

Miller insiste que o interesse das gerações mais novas em astrologia não é da sua inteira responsabilidade, já que a internet desempenha um papel importantíssimo. “Antes tínhamos de ir a uma livraria e comprar um livro ou ir a uma papelaria e comprar uma revista. Isso implicava algum esforço”, diz em entrevista ao Observador. “Mas agora é privado. Podemos ir à internet e descobrir tudo o que quisermos”, continua, referindo que 40% da sua audiência global é masculina.

A imagem mais tradicional da astrologia mudou consideravelmente e, talvez por isso, seja percecionada de uma forma menos cínica por quem é mais novo — isso e a necessidade atual de encontrar “uma direção” e um “sentido espiritual”, escreve ainda o The Guardian. Sobre a renovação estética da astrologia, Miller explica ao Observador que “antigamente eram unicórnios, era terrível”. “Ou as pessoas tinham sites cor de rosa ou roxos. Oh, meu Deus… terrível. Agora está muito mais moderna”, continua.

Captura de ecrã da aplicação de Susan Miller

Susan Miller, a segunda geração na família a interpretar os astros depois da mãe, começou a escrever horóscopos no site Astrology Zone a convite do grupo de media Time Warner (atualmente designado Warnermedia) nos anos 1990 (a página tem hoje 24 anos). Desde o início que quis escrever para homens e mulheres, virando a cara a um mercado tradicionalmente feminino. À data, dedicava pelo menos 1000 palavras para cada signo sabendo que, dessa forma, as pessoas voltariam mensalmente. Hoje, a cada mês que passa há cerca de 12 mil palavras para os diferentes signos do horóscopo — na aplicação, em parte gratuita, há dicas diárias, sejam elas relacionadas com o trabalho, a vida familiar ou o amor. A previsão mensal é, no entanto, a mais aguardada, tal como se pode analisar na respetiva página de Instagram, que conta com quase 80 mil seguidores.

A tecnologia que quase sempre dita o ritmo das nossas vidas permitiu a disseminação da astrologia — e a insatisfação dos millennials abriu a porta a eventuais consumidores. Isto numa altura em que o “mercado dos serviços místicos” compreende uma indústria de 2.2 mil milhões de dólares, de acordo com a estimativa apresentada pela consultora de mercado IBISWorld, citada pela Vanity Fair.

natasaadzic/iStockphoto

Dos millennials aos reformados, todos querem ler os astros

Mas o que é que realmente está por detrás da necessidade das novas gerações (e não só) em encontrar uma nova relevância no zodíaco, mesmo que muitos de nós não acreditem na astrologia? A questão é colocada pela Maria Claire, numa recente publicação que recorda que em 2017 a agência que aposta na previsão de tendências, WGSN, declarou que a “nova espiritualidade é a nova norma”. Isto numa altura em que, no Reino Unido, 60 mil pessoas se identificam como pagãs e a secção de horóscopos do The Cut registou um salto de 150% no número de leitores de 2016 para 2017. “Antes gozada, a astrologia está a ser adotada pelos mais novos, sobretudo mulheres, de acordo com uma sondagem recente no Reino Unido, e encarada com um certo respeito, confiabilidade, propósito e estilo.”

A astrologia, capaz de nos centrar na nossa própria narrativa, casa bem com a era do individualismo. Sobretudo numa altura em que garantir uma carreira estável ou a compra de uma casa são objetivos incertos. A reflexão parece ter dominado as páginas de títulos de jornais e revistas e, em março do ano passado, era a vez de o The Guardian ponderar sobre o assunto: estão os millennials à procura de respostas nos astros ou isto é apenas mais uma moda?

“A sensação que me dá é que há cada vez mais uma mentalidade de abertura das novas gerações, que olham para um conjunto de coisas através de uma perspetiva mais flexível. Vão à procura de informação, de produtos e de serviços que lhes possam acrescentar valor, independentemente de estes serem ou não mainstream“, explica ao Observador a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva. Se por um lado há uma cada vez maior preocupação com o futuro e necessidade de “potencializar” o presente, por outro, as coisas acontecem de forma tão rápida que há uma certa urgência em tomar as melhores decisões para criar uma vida com “impacto” e com “sentido”. “Há alguma ansiedade em garantir que estamos alinhados com o nosso potencial máximo. Há uma década o desenvolvimento pessoal era ou considerado elitista, para quem tinha mais posses, ou visto num sentido pejorativo. Hoje, estas premissas estão a ser destronadas”, continua, não ignorando o tabu que ainda existe tendo em conta estas práticas.

Assim que conhece uma pessoa, a primeira coisa que pergunta é o signo. Caso a abordagem não seja essa, é provável que Joana (nome fictício), de 34 anos, passe os primeiros minutos da conversa a tentar adivinhar se aquela pessoa é Aquário ou, talvez, Capricórnio. Quem sabe Escorpião. Não é que acredite cegamente na astrologia, mas há hábitos que já se enraizaram: como receber semanalmente a newsletter da Personare que, diz ao Observador, traz consigo o horóscopo semanal, a pré-disposição dos dias que se avizinham, a conjuntura ideal para concretizar determinados sonhos e até sugere o melhor dia para cortar o cabelo. “Também consegues fazer o teu tarot para 2020. Já fiz o meu, não me disse coisas famosas, já o tirei da cabeça.”

O assunto que leva mesmo a sério são as previsões anuais do astrólogo português Paulo Cardoso. Todos os anos, no começo de dezembro, Joana faz a habitual procissão à Fnac mais próxima para folhear o livro, que diz ser “muito detalhado”. Vê as previsões do seu signo, do namorado, da mãe e da melhor amiga. No telefone não tem aplicações dedicadas aos astros para “tentar equilibrar as coisas”, ainda que a astrologia seja tema recorrente entre os grupo de amigos. Admite que faz juízos de valor — quando mete as pessoas em “caixinhas” assim que lhes conhece o signo — e para breve está uma visita a um astrólogo recomendado por uma amiga para lhe fazer o mapa astral. E o que é que procura Joana nos astros? “Acho que procuramos uma orientação, uma direção. Alguma coisa que nos reconforte.”

Há mais de 25 anos que Paulo Cardoso publica o guia com previsões dos diferentes signos para o ano seguinte. É o astrólogo cujo livro mais vende em Portugal, vendas essas que se mantêm idênticas de ano para ano, assegura a Oficina do Livro, que trabalha com o astrólogo desde 2012 (o primeiro publicado pela editora foi referente às previsões de 2013). Mais recentemente, Paulo Cardoso saltou das páginas impressas para o YouTube, num canal que conta com mais de 11 mil subscritores.

Esta altura do ano, é particularmente complicada para a Associação Portuguesa de Astrologia (ASPAS), com Isabel Guimarães, a presidente, a explicar que são muitos os pedidos — tanto dos media como de clientes individuais. A ASPAS, associação sem fins lucrativos, tem como objetivo desmistificar a astrologia. “Como associação temos cada vez mais pessoas a perguntar-nos que astrólogos e livros podem consultar ou que escolas podem frequentar. Temos recebido mais emails. Há dois anos tínhamos 1 ou 2 emails por semana, agora temos 3 a 4 por dia”, assegura. O único jornal astrológico do país, publicado pela ASPAS, tem entre 120 a 130 assinantes. Isabel Guimarães regista o aumento de interesse em cursos de astrologia de 2017 para 2019 e fala em duas faixas etárias muito distintas: a dos jovens licenciados à procura de ter duas profissões ao mesmo tempo, entre os 20 e os 30 anos; e as pessoas reformadas, dos 50 aos 70 anos.

Na política, há outros casos além do de Marcelo Rebelo de Sousa. Há sensivelmente um ano, a publicação online “O Corvo” dava conta de uma polémica na Junta de Freguesia do Areeiro, em Lisboa, por causa da inclusão de um curso de astrologia na Universidade Sénior da freguesia. O grupo cívico Vizinhos do Areeiro opôs-se à decisão, com o presidente Fernando Braamcamp, do PSD, a argumentar que o valor da inscrição suportava os custos da avença paga à astróloga de serviço, sendo de realçar que eram os alunos quem tinham pedido para que o curso continuasse ativo. Ao Observador, a Junta de Freguesia assegura que continua a disponibilizar aulas de astrologia, a qual começou a ser lecionada em 2009. “Com o aumento da oferta formativa da Universidade Sénior e o obrigatório ajustamento de horários, a disciplina diminui a carga horária para uma hora semanal às terças-feiras, contando com 20 inscritos“, confirma, via e-mail.

A psicóloga Filipa da Silva Jardim fala inclusive num espírito “curioso” que não atinge apenas as gerações mais novas, mas deixa o alerta: “Como em tudo, vale sempre a pena que a procura por este tipo de serviços seja numa perspetiva de livre arbítrio, ou seja, que as pessoas não procurem respostas para si através de outras pessoas. Quando se está muito vulnerável, esta procura de respostas pode ser um território perigoso”. Isabel Guimarães, da ASPAS, é perentória: um mau astrólogo é aquele que cria clientes dependentes.

Quer se acredite ou não — sendo que esta não é tida como uma ciência –, a astrologia parece estar a viver tempos mais luminosos, com o interesse de diferentes gerações a confirmá-lo. Mas, afinal, quais são as previsões para 2020? Isabel Guimarães antecipa “grandes transformações na sociedade no que respeita às estruturas sociais”, incluindo governos e grandes empresas, devido à “presença de Urano em Touro ao fim de 84 anos”.

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