Foi diplomata, subsecretário de estado e ministro. Figura destacada da política do Estado Novo, Pedro Theotónio Pereira chegou a alcançar o estatuto de sucessor de Salazar, de quem foi conselheiro e com quem foi um dos fundadores do regime. Numa nova biografia, o historiador Fernando Martins (autor de, entre outros, “A Formação e a Consolidação Política do Salazarismo e do Franquismo”, de 2012, e “As Revoluções Contemporâneas”, de 2005) recupera, em detalhe, a vida pessoal e o percurso político de Theotónio Pereira.

Neste excerto publicado pelo Observador, Fernando Martins aborda o final da atividade política do governante e os dilemas que o acompanharam no processo de escrita das suas memórias.

A capa de "Pedro Theotónio Pereira: o outro delfim de Salazar", de Fernando Martins (Dom Quixote)

Quando, a 23 de setembro de 1967, foi inaugurado no Porto, na Praça das Flores, um busto de Pedro Theotónio Pereira, o homenageado encontrava‑se em Londres. Nem por isso deixou de ouvir pela rádio as palavras proferidas na ocasião por Américo Thomaz e que, naturalmente, o emocionaram. Fora contrário à inauguração daquele discreto monumento e opusera‑se à atribuição do seu nome a uma praça, sobretudo por se encontrar ainda vivo. Mas tinha-o feito “sem resultado!”. Depois, e mais uma vez em jeito de balanço, dizia a Marcello:

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