Artigo em atualização ao longo do dia

A segunda ação de campanha do dia começa onde há poucas horas Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, ainda mantinha viva a polémica com António Costa.  Por pouco as duas campanhas não se cruzaram. Jerónimo de Sousa disse, no final desta manhã, que “não se queria meter” entre o PS e o BE, mas lá acabou por dizer que a tensão entre os partidos “não ajuda quem está em casa a assistir ao debate” e que não é com KOs que os debates se vencem: “Ao contrário do que muitos pensam, que o grande resultado é deixar o adversário em KO, não é isso”.

De manhã, o tempo vai ameaçou com alguma chuva — e chegou mesmo a ser equacionada uma mudança para a tarde—, mas as cores vivas ficaram para as bandeiras da CDU, que eram poucas. Com uma comitiva pequena, Jerónimo de Sousa chega — pontual, como já é imagem de marca — às oficinas de reparação da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), no Entroncamento, e se havia alguma dúvida sobre a razão desta passagem ao início da campanha, rapidamente desapareceu. Uma das lutas do PCP na última legislatura, pela integração da EMEF na CP, foi bem sucedida e a integração deverá acontecer, no limite, até ao final do ano.

Acompanhado pelo cabeça-de-lista por Santarém, António Filipe, o secretário-geral do PCP quis saber quantos trabalhadores estão atualmente na EMEF e a resposta foi precisa: 373. Um dos responsáveis acrescenta que “o número de pessoas tem decrescido” e também é fácil apontar causas: “Fecharam o centro de formação da CP e só há uma escola profissional que forma os trabalhadores. Esta empresa é indispensável à ferrovia portuguesa”, quem o diz é Rui Alves Pereira, um ex-trabalhador que aproveitou a presença de Jerónimo de Sousa para apontar os problemas que se vivem por ali.

Jerónimo quis saber como está o reforço de pessoal, como fazem a formação dos trabalhadores ou qual o contrato que os trabalhadores têm. E foi aproveitando a passagem por entre as bancadas de trabalho para o perguntar diretamente a quem estava com as mãos na massa. As perguntas e os cumprimentos, um a um, serviam o propósito da campanha do dia e terminavam com o habitual “é preciso não desistir e avançar”. O lema “avançar é preciso” tem plasticidade suficiente para que Jerónimo de Sousa o possa aplicar em vários momentos.

E o tema mais badalado do momento também deu para colar à passagem pela EMEF. Se a preferência pelos transportes públicos é uma maneira de poupar o ambiente e contribuir para a diminuição do impacto das alterações climáticas, Jerónimo recordou-o, atirando àqueles que dizem “preocupar-se com as alterações climáticas”, mas que desinvestem nos transportes públicos. Apontou ao anterior governo PSD-CDS, que tinha considerado como “não prioritário” o investimento na ferrovia “adiando em 10 anos”. E apontou também às “promessas de campanha eleitoral” que, esperam, “não fiquem por aí” uma vez que ainda “subsistem problemas estruturantes e falta material circulante”.

A tragédia do Pinhal de Leiria que aproximou Heloísa Apolónia do distrito

A escolha de Heloísa Apolónia como cabeça-de-lista do distrito de Leiria foi uma das surpresas das listas da CDU para as legislativas, e a candidata aproveitou a passagem da caravana para esclarecer que corre por Leiria por ter criado “uma ligação por via do trabalho parlamentar” na sequência da “tragédia a que assistimos com os fogos de 2017”.

A dirigente d’Os Verdes afirmou que não teme ser afastada do Parlamento —ainda que em Leiria a CDU não consiga eleger deputados há 20 anos — e Jerónimo de Sousa negou que a escolha tenha sido uma despromoção: “Nem pensem nisso, garanto-lhe que não”, respondeu, acrescentando que “há um empenhamento sincero de Heloísa Apolónia” para travar uma “batalha a que não foi obrigada, antes pelo contrário”.

Depois de ter sido equacionada uma alteração de planos para a visita ao Pinhal de Leiria, a caravana acabou por conseguir percorrer o plano inicial. Com uma viagem de cerca de 30 kms, descrevendo um retângulo em torno de grande parte da área ardida no concelho da Marinha Grande, no incêndio de outubro de 2017, a paisagem que outrora se pintava de verde agora é desértica, restando apenas alguns ramos de árvores calcinados pelas chamas em alguns pontos. O corte das árvores ardidas deixou a nu alguns problemas que se fazem notar, dois anos volvidos da data do incêndio. A primeira paragem foi no Samouco, onde as dunas começam a ganhar terreno, a segunda na Porta Nova, em São Pedro de Moel, onde é visível o desinvestimento na proteção da mata — no pequeno pedaço que escapou às chamas — e os efeitos da presença do eucalipto.

Jerónimo de Sousa aproveitou exatamente a deixa dos eucaliptos para, pela segunda vez no dia, falar da governação de PSD e CDS que cortou “150 milhões de apoio à floresta com alguém que era ministra e teve essa responsabilidade”. Jerónimo de Sousa falava de Cristas, mas diz que “seria errado culpar apenas Assunção Cristas” e que é preciso ver o ponto de abandono a que a mata chegou. O acesso à zona da Porta Nova está proibido à população há dois anos, mas nem o sinal de trânsito proibido travou a caravana comunista, que tinha autorização do ICNF para visitar o local.