1231,1kWh poupados 1231,1 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Autoridades montaram perímetro de segurança de 500 metros à volta da empresa de fornecimento alimentar
i

▲Autoridades montaram perímetro de segurança de 500 metros à volta da empresa de fornecimento alimentar

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Autoridades montaram perímetro de segurança de 500 metros à volta da empresa de fornecimento alimentar

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Madrugada de sobressalto com "murros" da PSP nas portas e o "furo" na manhã de trabalho. Como foi vivida a fuga de amoníaco no Prior Velho?

De madrugada, cerca de 20 pessoas foram obrigadas a sair de casa por polícias. Incidente com químico tóxico deixou dezenas sem acesso ao trabalho. Até turistas esperaram ao sol pelo carro alugado.

Não foi o cheiro, ou outro sinal de perigo, que acordou Soldade na madrugada desta quarta-feira, mas sim o bater vigoroso dos agentes da PSP na porta de sua casa, por volta das 4h10. Os polícias cumpriam ordens para evacuar uma rua inteira de moradias — todas as que ficavam em frente à empresa de fornecimento de produtos alimentares Aviludo — onde vivem cerca de duas dezenas de pessoas, na zona do Prior Velho, em Loures.

“Fiquei assustada com aquilo porque eram muitos murros na porta. Eles disseram que era a polícia, para não me assustar. Estavam ali porque tinha rebentado um tubo com produtos contamináveis que podíamos absorver pelo nariz e pela garganta“, descreveu Soldade Bernardo ao Observador, ainda de pijama. Só teve tempo de vestir o robe e calçar os chinelos antes de deixar a casa à pressa. Não conseguiu agarrar mais nada.

Saiu com os agentes para uma zona segura, onde foi observada por profissionais de saúde, por precaução. Não tinha sintomas de inalação de amoníaco, a substância tóxica que provocou o aparato àquelas horas da madrugada. Na verdade, não lhe tinha cheirado a nada, só alguns dos seus vizinhos, a morar mais perto da empresa onde decorreu o incidente, é que identificaram o tal cheiro forte a amoníaco que, segundo lhe disseram os bombeiros, “podia ter entrado pelos tubos e chaminés das casas, mesmo que as janelas das casas estivessem fechadas”.

▲ Cerca de 20 moradores da zona afetada tiveram de se deslocar para o Centro de Atividades do Prior Velho

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Apesar de uma madrugada de “susto”, Soldade, já reformada, lidou bem com a situação inesperada. “Dizem-nos que ainda vão a uma casa de cada vez e abrir tudo para verificarem os níveis dos cheiros”, relatou. Foi isso que aconteceu, por volta das 17h00 desta quarta-feira.

Depois de medidos os níveis de contaminação do ar em todas as casas da rua adjacente à empresa, operação levada a cabo pela equipa especial dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, que faz a gestão dos acidentes com matérias perigosas, tanto Soldade como os restantes residentes tiveram autorização para regressar a casa. O perímetro de segurança foi, mesmo assim, mantido até ao final do dia.

No mesmo grupo de cerca de 20 residentes desalojados temporariamente, que foram reunidos no Centro de Atividades do Prior Velho, enquanto decorriam os trabalhos de remoção da substância tóxica, estava Lúcia Paulo. A mulher disse ao Observador que não ouviu sequer a polícia a bater-lhe à porta devido aos problemas de audição. Foi acordada pela mãe, com quem vive, e por agentes da polícia que lhes pediram que vestissem um casaco e deixassem a casa imediatamente. “Mal saíamos começaram a vedar a zona“, afirma, recordando que ainda tentou voltar atrás para ir buscar o carregador do telemóvel para ficar contactável, mas que já não foi possível.

[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]

A  mãe, de 81 anos, teve que ser acompanhada com atenção redobrada pela equipa médica no local, devido à idade avançada. Recebeu oxigénio e depois seguiram para o centro onde passaram toda a manhã e grande parte da tarde. “Viemos tomar o pequeno almoço e agora diz que vem aí o almoço”, afirmou, enquanto as funcionárias da assistência social a chamavam para a mesa da refeição.

▲ Ricardo Leão, Presidente da Câmara Municipal de Loures, acompanhou a operação da Proteção Civil

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

As refeições e apoio para quem ficou sem casa temporariamente foram garantidas pelos serviços municipais e no local estava Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures. Em declarações ao Observador, o autarca revelou que a operação da Proteção Civil, Bombeiros Voluntários de Sacavém e PSP contou com cerca de 45 operacionais no local onde ocorreu o acidente químico e nas imediações.

“Neste momento, as operações decorrem dentro da empresa — que distribui produtos alimentares frescos, refrigerados, congelados, ultracongelados e secos — em que houve a fuga de mil litros de amoníaco. Perto da 13h00 da tarde os níveis de qualidade do ar ainda não estavam regularizados. Trata-se um produto muito corrosivo, perigoso para as vias respiratórias“, alertou Ricardo Leão ao início da tarde.

A espera pelo carro alugado ao sol e o “furo” no dia de trabalho

Num outro ponto do perímetro de segurança montado em redor da empresa, junto a vários centros de aluguer de carros e de armazéns de distribuição de encomendas, vários grupos de pessoas espalhavam-se pela rua, onde um agente da PSP dava ordem de inversão de marcha aos carros que encontravam a via fechada.

Nilma Delago, uma turista belga que aterrou na manhã desta quarta-feira no Aeroporto Humberto Delgado, não muito distante daquele local, estava sentada no chão do passeio com quatro malas grandes de viagem em seu redor. “Eu aluguei um carro e vim cá buscá-lo, mas eles disseram que tinham um problema com uma fuga química e tenho estado aqui à espera desde então, há cerca de uma hora”, disse ao Observador, demonstrando pouco incómodo perante o imprevisto. “Não estou preocupada em esperar porque pelo menos está sol e vou aproveitar”, afirmou.

▲ Dezenas de pessoas começaram o dia sem conseguir trabalhar ou sem o carro que tinham alugado

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A sua mãe tinha acabado de ir buscar o pequeno-almoço ao café mais próximo dentro da área em que podiam circular. O dono deste estabelecimento, Hélder Vieira, percebeu que algo se passava ao longo da manhã pela afluência superior ao normal e porque ouviu os clientes, que são principalmente trabalhadores da zona, a gabar-se do “furo” que tiveram esta manhã, quase como se fossem estudantes. Segundo descreveu ao Observador, outros pareceram-lhe preocupados pelo impacto que a falta de acesso aos locais de trabalho e respetivos veículos de transporte teria nos negócios.

Luís Caldas, responsável por uma operação dos CTT dentro da zona vedada, foi um dos que reagiu com apreensão. Começou a manhã em sobressalto com o contacto dos funcionários que entram mais cedo ao serviço, por volta das 7h00 da manhã. “Desde essa hora que a zona foi vedada, evacuaram o armazém porque tinha havido uma fuga de amoníaco”, relatou ao Observador, tendo nessa altura vários trabalhadores impedidos de fazer a distribuição de encomendas agendadas para o dia.

"Perto da 13h00 da tarde os níveis de qualidade do ar ainda não estavam regularizados. Trata-se um produto muito corrosivo, perigoso para as vias respiratórias"
Ricardo Leão, Presidente da Câmara Municipal de Loures

Segundo fonte da presidência da Câmara Municipal de Loures, só por volta das 18h00 foi reposto o acesso à maioria das ruas que tinham sido vedadas. No início da noite decorriam ainda trabalhos de descontaminação e fiscalização dentro da empresa alimentar onde se registou o incidente.

Fuga na tubagem causou libertação de amoníaco usado nos sistemas de refrigeração

Junto da empresa onde decorreu a fuga da substância tóxica e onde foi montado um perímetro de segurança de 500 metros, Guilherme Teixeira, motorista na Aviludo, explicou a função do amoníaco naquele negócio. “Pelo que sei serve para manter as temperaturas nas câmaras de refrigeração, nomeadamente nos congelados, e a fuga ter-se à dado através das tubagens adjacentes”, esclareceu ao Observador.

Chegou ao local de trabalho por volta das 6h45 e não conseguiu entrar no edifício. Diz que nunca recebeu formação para uma situação como esta, já que a fuga de amoníaco não é algo que aconteça todos os dias e nem sequer é suposto existir um manuseamento direto do produto. Aguardou várias horas para que a carrinha que conduz pudesse ser carregada para fazer a distribuição de alimentos habitual, mas ao final da manhã ainda estava à espera. “Não podemos fazer nada”, lamentou.

Armando Batista, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, disse ao Observador, que, à chegada da primeira equipa ao local, foi verificada a existência de uma fuga de substância tóxica desconhecida, mais tarde identificada enquanto amoníaco. “Procedemos ao fecho do reservatório que estava a libertar o produto”, disse, referindo que primeiro foi evacuada a empresa, que por volta das 4h00 tinha 39 pessoas no interior e, logo depois, as casas adjacentes ao edifício devido ao perigo de contaminação pelo ar.

▲ Perímetro de segurança só foi removido ao final da tarde

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Inicialmente, o perímetro de segurança foi montado numa área de 200 metros, mas foi necessário ampliá-lo para 500 metros devido à “quantidade de amoníaco e ao os indícios que havia no ar” nas primeiras horas de quarta-feira. “Isolámos a fuga e os bombeiros sapadores em colaboração com os técnicos fizeram a sua reparação”, descreveu, acrescentando que ao longo da manhã se procedeu à “descontaminação do material dentro da empresa, que é feita através de produtos que recolhem o líquido que é colocado numa área de contenção para ser manuseado mais tarde, tentando evitar-se o risco de nova contaminação”.

▲ Moradores desalojados temporariamente regressaram às casas por volta das 17h00

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Simultaneamente avaliámos o nível de perigosidade quer do solo quer da atmosfera”, acrescentou. O comandante dos bombeiros confirmou ainda o registo de dois feridos — uma mulher de 60 anos que se sentiu mal, “talvez pelo efeito de pânico do aparato”, justificou, e a quem foram prestados cuidados médicos no local. Foi ainda assistido um homem de 52 anos que teve uma crise de hipertensão, que o comandante disse não estar, à partida, relacionada com o incidente.

O Observador  contactou a direção da empresa mas não obteve qualquer resposta até à hora de publicação deste texto.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.