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TIAGO COUTO/Observador

TIAGO COUTO/Observador

Marco Paulo: “Não sei como vou reagir à despedida. Estou-me a arrepiar todo só de pensar nesse momento" /premium

O cantor prepara-se para um grande concerto em Lisboa. Em entrevista, recorda mais de meio século de carreira e o dia em que tentou escrever a letra de uma canção.

À chegada e à saída cumprimentou todas as pessoas, técnicos, assistentes, jornalistas. Sorriu, agradeceu. Marco Paulo, a caminho dos 75 anos, provavelmente o cantor romântico mais famoso de sempre em Portugal, esteve na Rádio Observador para uma entrevista a propósito do próximo grande concerto: a 12 de outubro, no Coliseu de Lisboa. O espetáculo baseia-se no álbum Marco Paulo, editado em maio, e incluirá vários convidados, cujos nomes ainda não são conhecidos.

O intérprete de “Eu Tenho Dois Amores” disse que o palco ainda lhe provoca alguma ansiedade, revelou que está a preparar um disco de duetos e lamentou nunca ter conseguido escrever uma canção. Comoveu-se ao falar sobre a saída definitiva de cena, ainda sem data. “Estou-me a arrepiar todo só de pensar nesse momento.”

Depois de meia hora em direto na rádio e no Facebook, Marco Paulo continuou à conversa com o Observador. A entrevista que se segue é a versão editada desses dois momentos.

[veja e ouça a entrevista de Marco Paulo na Rádio Observador:]

Ainda sente ansiedade antes de um concerto?
Ainda e estou ansioso para que chegue o dia 12, para que entre no palco e as pessoas delirem a ver-me e ouvir-me. Isso ainda é um prémio muito bom que o público me dá. Sabe que não é só ganhar tantos discos de outro, platina e diamante, correr o mundo inteiro, fazer os concertos lindos que faço. É depois o relacionamento com as pessoas.

É tudo isso que o alimenta enquanto artista?
É, é. Praticamente, no palco alimento-me: bebo, como e respiro o palco. Tenho o maior respeito pelo palco. O palco é a minha vida e tenho de corresponder, dentro das minhas possibilidades. Tenho de escolher um reportório e fazer um concerto em que as pessoas se sintam mais felizes, porque eu já estou feliz.

Agradar a todos não é fácil.
Não é fácil.

Há sempre alguém que quer ouvir determinada música que já não canta há muitos anos.
Tenho que saber fazer uma lista para um concerto de maneira a que possa apresentar as novas músicas, mas também aquelas que as pessoas conhecem tão bem ou melhor do que eu.

Há uns anos, ouvimo-lo dizer que há um certo preconceito em relação à sua música. Acha que isso já se dissipou?
Foi há tanto tempo, já não me lembro. Foi no princípio da minha carreira, não era fácil um jovem com 18 anos gravar um disco e fazer tanto, tanto sucesso. As pessoas ficavam um bocado admiradas, perguntavam-se “porquê o sucesso”, eu respondia “é a minha voz”. Não sou louro, de olhos azuis e não sou muito alto, mas a minha voz possivelmente dá as emoções que as pessoas querem ouvir. Por isso é que sorriem, choram. Representar é a minha maneira de entregar às pessoas aquilo que canto.

"Eu tinha caracóis e as pessoas nos concertos tinham muito a mania, no final, de virem por detrás de mim para me puxarem o cabelo, para ver se era natural. Desconfiavam. Depois era o problema do microfone. Quando gravei 'Eu Tenho dois Amores' [1980], havia aquela ideia de que um dia deixaria cair o microfone e as pessoas iam com essa curiosidade."

No início, teve uma imagem de marca muito forte.
Os caracóis foram uma coisa que aconteceu muito naturalmente. Eu tinha caracóis e as pessoas nos concertos tinham muito a mania, no final, de virem por detrás de mim para me puxarem o cabelo, para ver se era natural. Desconfiavam. Depois era o problema do microfone. Quando gravei “Eu Tenho dois Amores” [1980], havia aquela ideia de que um dia deixaria cair o microfone e as pessoas iam com essa curiosidade.

Como é que surgiu esse movimento?
Foi com o ritmo do “Eu Tenho dois Amores”. Quando lancei, foi um sucesso enorme, que ainda hoje perdura. O grande público achava piada, os rapazes e raparigas mais jovens achavam piada, porque eu, com o ritmo das músicas mais alegres, mudava o microfone de uma mão para a outra e aquilo calhava sempre certo. O microfone passava, eu agarrava e as pessoas pensavam que aquilo era muito ensaiado. Não era ensaiado. Aconteceu-me duas vezes deixar cair o microfone. Em Viseu, na Feira de São Mateus, escorregou-me das mãos, e no Brasil, num programa da TV Globo, também deixei cair. Mas, pronto, nada do outro mundo. Tinha ido tentar lançar um álbum no Brasil, mas não consegui. Fiz várias apresentações em rádios importantes do Rio e de São Paulo, mas teria de ficar lá dois, três, quatro anos para poder entrar no mercado brasileiro e não queria deixar Portugal. Sabia que a minha oportunidade era em Portugal.

[“Eu Tenho Dois Amores”, Marco Paulo no início da década de 80]

Joselito, “La Campanera””. O que é que esta música lhe diz?
O Joselito… Foi a música que eu, pequenito, com 9, 10 anos, aprendi mais rapidamente, sem papéis à minha frente. Hoje estou a decorar letras para cantar no dia 12. Vou também participar numa gala e tenho de decorar uma música, tenho sempre papéis à minha frente. Quando gravamos, temos sempre a letra à frente. Não tive tempo ainda para decorar. Naquela altura, não precisava do papel.

"Só fui uma vez ao cinema, o meu pai só me autorizou a ir uma vez, porque pagar aos quatro filhos, naquela altura, não era fácil e ele achava que bastava ir uma vez. Tinha gostado tanto da experiência de ver o Joselito a cantar [no filme “O Pequeno Rouxinol”, de Antonio del Amo, de 1957], fiquei tão encantado, os meus olhos brilharam tanto naquele momento, eu no cinema a ouvir aquela voz de criança, maravilhosa, aquela voz brilhante."

Mesmo não sendo na sua língua materna.
Aprendi em espanhol. Nasci na fronteira, perto de Villanueva del Fresno, nasci em Mourão, Alentejo. E então aprendi [“La Campanera”] à porta do cinema de Alenquer, que era onde vivia com os meus irmãos e os meus pais. Só fui uma vez ao cinema, o meu pai só me autorizou a ir uma vez, porque pagar aos quatro filhos, naquela altura, não era fácil e ele achava que bastava ir uma vez. Tinha gostado tanto da experiência de ver o Joselito a cantar [no filme “O Pequeno Rouxinol”, de Antonio del Amo, de 1957], fiquei tão encantado, os meus olhos brilharam tanto naquele momento, eu no cinema a ouvir aquela voz de criança, maravilhosa, aquela voz brilhante. E disse assim: “Tenho de aprender esta música.” A maneira como a consegui aprender foi nas tardes do cinema. Sentava-me à porta da sala de cinema, ouvia a voz dele e decorava as palavras. Foi assim que mais tarde entrei num palco, em Alenquer, e cantei a “La Campanera” em espanhol. Não vou dizer que era uma imitação do Joselito, mas aproximava-se muito.

O disco que lançou há cinco meses, e que serve de base ao próximo concerto, é o seu último disco de sempre?
Não.

Está a pensar no próximo?
Sim, vai ser um disco de duetos. Não posso dizer com quem, porque ainda estou a fazer os convites, mas serão cantores e cantoras portugueses.

Para sair no próximo ano?
Isso também ainda não posso dizer.

Neste álbum recente interpreta um tema de Pedro Abrunhosa, “Para Os Braços Da Minha Mãe”. Porquê esta escolha?
Há uns anos, tive oportunidade de fazer na RTP dois programas de televisão, “Eu Tenho Dois Amores” [1994] e “Música no Coração” [1995], e o Pedro Abrunhosa e os Bandemónio foram meus convidados várias vezes. O Pedro dizia-me sempre que se tivesse de escrever uma canção para alguém, seria para mim, porque achava que eu tinha das melhores vozes de Portugal. O tempo passou, passou. Quando ele lançou “Para Os Braços Da Minha Mãe” [2013], achei que o tema tinha muito a ver comigo, sobretudo a letra. Pensei logo em gravar e gravei. Quando a música já estava gravada, tentei, através da editora e do produtor, entrar em contacto com o Pedro, para lhe dizer que gostava muito de incluir o tema no meu disco. Este disco é só de autores nacionais e internacionais de que eu gosto muito: Julio Iglesias, Gal Costa, Amália, Luís Miguel, são vários.

"Gostava muito de fazer as minhas próprias músicas e de as cantar. Uma vez, numa viagem de avião, tentei fazer uma letra e não consegui. Não consegui rimar os versos. Música, muito menos. Tenho um piano em casa que me ofereceram, lindíssimo, mas não sei música."

E há um coro infantil no tema de Pedro Abrunhosa.
Foi uma pequena modificação que introduzi. O Pedro cantou o original com o Camané e eu fui buscar um grupo coral infantil de Alcáçovas, no Alentejo. Fiz o convite aos pais e à ensaiadora e gravámos. Entretanto, encontrei o Pedro em Viseu, num concerto de que sou padrinho, Viva a Vida, do “Correio da Manhã”. Ele já tinha ouvido uns zunzuns. Nessa altura, expliquei-lhe, pedi-lhe autorização e ele ficou arrepiado. Disse-me até que eu estava completamente à vontade e até se mostrou disponível para colaborar comigo num concerto numa grande sala.

Ele vai estar consigo no dia 12?
Não, por esta razão: também tem um espetáculo em nome próprio no Coliseu, em novembro. São datas muito próximas e não fazia sentido ele estar a ir ao meu concerto.

[“Para os Braços da Minha Mãe”, tema de Pedro Abrunhosa na versão de Marco Paulo]

Quer adiantar quem são os outros convidados?
Estou a fazer contactos. São pessoas de uma nova geração de cantores em Portugal, que o grande público está a conhecer bem. Vão cantar uma canção à escolha deste meu novo disco. A maior parte dos temas do concerto são deste disco, serão cantadas pela primeira vez, mas há também os clássicos, claro.

Qual é o seu critério para escolher uma canção?
Tenho liberdade total, mas nem tudo se adapta à minha voz.

É esse o critério?
Totalmente. Não sou muito intérprete de originais portugueses. Ainda não houve assim uma pessoa que me dissesse “vou escrever uma música específica para a voz do Marco Paulo”. Quando estou a ouvir uma versão, seja de que cantor for, mundial ou português, tenho de aprender a música uma ou duas vezes e pôr de lado, para depois fazer a minha própria interpretação, para não fazer uma imitação.

Quando escuta um tema, percebe logo o que fazer com ele?
Sim, porque decoro uma música assim que a oiço. As letras é que demoro mais, mas a música, em si, já a consigo saber à segunda ou terceira vez. Depois, faço a minha interpretação. Com o “Dez Anos”, da Gal Costa, não podia estar a fazer uma versão em que a imitasse, por exemplo. Tenho de me descolar e transportar a música e a letra para a minha maneira de cantar, para os meus altos e baixos, porque a minha voz é de muitos agudos e muitos graves. Portanto, é muito mais fácil cantar um original do que uma versão e a minha vida toda tem sido, discograficamente, de versões. Não é fácil.

Gostava de ter sido compositor?
Muito, gostava muito de fazer as minhas próprias músicas e de as cantar. Uma vez, numa viagem de avião, tentei fazer uma letra e não consegui. Não consegui rimar os versos. Música, muito menos. Tenho um piano em casa que me ofereceram, lindíssimo, mas não sei música.

Não tem poemas na gaveta?
Nada, não faço mesmo poesia. O meu afilhado é que toca no piano. Ele está a estudar música em Amesterdão, na Holanda, e também toca na minha banda. Ele é que faz uso do piano. Antigamente, quando ele não era o músico que é hoje, adorava quando alguém ia lá a casa e tocava. Adorava ouvir o som do piano. Se tivesse de tocar um instrumento musical, seria o piano.

[“Abraça-me”, original de Julio Iglesias que Marco Paulo gravou este ano]

Que cantores o fascinam hoje?
Atualmente, não… Olhe, gosto muito da voz Raquel Tavares, do Marco Rodrigues… Mas não queria falar em nomes, porque há muitos que cantam bem e depois posso ser injusto.

Participou por duas vezes no Festival da Canção, em 1967 e em 1982. O que achou da vitória de Salvador Sobral na Eurovisão em 2017?
Emocionou-me bastante, porque era Portugal que estava ali a ser representado. A música é muito bonita, é uma balada lindíssima e só ele a podia cantar.

“Amar Pelos Dois” resultaria bem na sua voz?
Passado este tempo, acho que sim, era capaz de cantar, dava-lhe uma interpretação diferente, como fiz com o tema do Pedro Abrunhosa. Mas é uma canção que tinha mesmo de ser para o Salvador Sobral, adapta-se àquele estilo de voz, àquela voz um bocadinho melada, só ele é que sabe cantar assim e cativou a Europa. Só por isso, está de parabéns.

Ainda acompanha o Festival da Canção?
Sim, mas vejo mais as finais. Acho que antigamente não acontecia as pessoas esquecerem-se das canções do festival e hoje esquecem-se muito, não nos lembramos dos títulos, dos artistas.

Hoje os cantores românticos fazem grandes concertos em grandes salas, com orquestras, com aparato visual, o que não acontecia no passado. O público é mais exigente?
As pessoas têm de estar bem sentadas, não querem passar frio nem calor, compram um bilhete e têm o direito de exigir esse conforto e todo o aparato visual e de som. Por isso é que me dá gozo fazer grandes salas, já fiz sete vezes o Campo Pequeno. Não era assim há 30 ou 40 anos. Mas também continuo a cantar na Feira de São Mateus, com condições muito diferentes destas, e gosto muito.

"Aconteceu-me duas vezes deixar cair o microfone. Em Viseu, na Feira de São Mateus, escorregou-me das mãos, e no Brasil, num programa da TV Globo, também deixei cair. Mas, pronto, nada do outro mundo"

TIAGO COUTO/Observador

No princípio, os concertos eram com “playback” musical.
Sim, porque era mais fácil, não podia andar com muitos músicos na estrada. Mas tínhamos uma equipa grande, eu trabalhava todos os dias. Alentejo, Algarve, Bragança. Tudo isso se fez e valeu a pena ter sido feito. A nível de trabalho, foi muito bom, porque me ajudou a construir um futuro. Em alturas em que possa haver menos concertos, tenho ali uma segurança. O princípio, seja de quem for, é sempre difícil. Comecei a ser muito conhecido e muito popular desde muito jovem. Aos 14 já tinha começado a ter a noção do que é um palco, mas sem experiência nenhuma, sem ter alguém para me dizer “faz assim ou faz assado”. Era um diamante em bruto.

Foi guiado pelo instinto?
Absolutamente. Era o instinto. No início, fazia sem saber, mas as coisas corriam bem, o público a gostar cada vez mais e eu a vender muitos discos, o que me ajudou muito, porque não sou de famílias ricas.

Tem muitos cuidados com a voz?
Agora, quando gravei o disco, pedi ao meu produtor, o Valter Rola, diretor musical da minha banda, que me deixasse ouvir a primeira música que eu gravasse, para saber se havia alguma diferença. Achei que a minha voz estava melhor do que no disco anterior, continua a ter aquele brilho a que as pessoas estão habituadas. Possivelmente, canto melhor do que cantava quando comecei, tenho mais experiência. Nessa altura, a minha voz era em bruto.

Imaginava que a voz tivesse a longevidade que tem? Viveu com o fantasma do envelhecimento da voz?
Pode acontecer, aconteceu à própria Amália. Em certa idade, a voz já não tinha o brilho e os requebros de quando ela tinha 20, 30, 40, 50 anos. A minha voz de eleição é a voz da Amália, é por isso que falo dela. Mas, sim, isso é a preocupação de qualquer cantor. A preocupação de enrouquecermos, de a voz nos falhar, de termos um problema de saúde grave na voz. Isso acontece a muitos cantores e locutores. Eu tenho essa preocupação. Agora, fiquei contente, por ter feito este disco, que é tão bonito. Em termos orquestrais, de canções, de fotografias que estão no álbum, é muito bonito. Aliás, nas fotografias peço sempre para nunca usarem o Photoshop. Não gosto. As fotos, que são da minha querida amiga Carla Portugal, funcionam só com a luz. Peço apenas que a iluminação seja boa.

"A preocupação de enrouquecermos, de a voz nos falhar, de termos um problema de saúde grave na voz. Isso acontece a muitos cantores e locutores. Eu tenho essa preocupação. Nas fotografias peço sempre para nunca usarem o Photoshop. Peço apenas que a iluminação seja boa."

[“Joana” ao vivo no Campo Pequeno, um dos maiores êxitos de Marco Paulo]

A questão de envelhecer: encara-a com naturalidade?
Levo com naturalidade, faz parte da vida, não posso travar, não dá para contrariar. Hoje ainda olho para o espelho e gosto de me ver, ainda me vejo na televisão e gosto de me ver. Quando achar que já não me agrada, sou eu próprio a ter que arranjar outra maneira de saber dizer “obrigado”, que é aquilo que mais dificuldade tem qualquer artista, em qualquer parte do mundo.

Esse momento está para breve?
Não está para breve, mas posso dizer que às vezes estou sozinho e começo a pensar: como é que vou conseguir despedir-me de uma coisa que me deu tantas oportunidades, tantos momentos de alegria, eu que não sou nada, sou um cantor que as pessoas fazem o favor de gostar de ouvir cantar? Como é que um dia me vou despedir de pessoas a quem dei tanta alegria e que me deram tanta alegria a mim? Não é fácil. Não sei se vai ser agora no dia 12, se vai ser para o ano. Não sei. Estou com muita dificuldade em saber como é que vou reagir a uma despedida. Estou-me a arrepiar todo só de pensar nesse momento.

"Estou com muita dificuldade em saber como é que vou reagir a uma despedida. Estou-me a arrepiar todo só de pensar nesse momento."

Como é que quer ser recordado quando um dia se afastar do palco?
Não sei. Chegar aqui custou-me muito, enfrentei muitas tempestades. Claro, na vida tudo tem um princípio, um meio e um fim.

Muitos cantores, com a idade, adaptam-se a temas e a espetáculos mais calmos, aparecem sentados, mudam o tom.
Não posso fazer isso, estaria a enganar-me. Mas, é fácil? Não é. É como ir a Espanha e ninguém me reconhecer. Não gosto, porque ninguém me diz “bom dia, boa tarde”, nem me arranjam um bom lugar para me sentar. Em Portugal, vou a qualquer lado e as pessoas têm uma grande ternura por mim, pela longevidade da minha carreira. Vou sentir essa falta. Não é por vaidade. Não fiz uma passagem pela música como quem tira férias, não. Entreguei-me de alma e coração. Só não fui compositor, mas fui o intérprete, fui o ator que transmitiu emoções a milhões de pessoas e estou-lhes eternamente grato.

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