Ao fim de 11 anos no Oceanário de Lisboa, «Florestas Submersas by Takashi Amano» prepara-se para se despedir, com encerramento marcado para 30 de junho de 2026. Ao longo de mais de uma década, milhões de visitantes entraram nesta floresta submersa, deixando o tempo abrandar ao ritmo dos peixes e do crescimento das plantas. Mais de uma década depois, a exposição é um ícone do Oceanário de Lisboa e uma referência mundial no aquapaisagismo, reconhecida tanto pela sua escala como pelo seu impacto emocional. Cada visita é um encontro com um ecossistema em permanente transformação, que nunca se apresenta exatamente da mesma forma.
Os últimos meses da exposição ganham, por isso, um significado especial. É o momento de ver de perto a obra no seu estado mais maduro, depois de anos de evolução, cuidado e dedicação. Ao mesmo tempo, o Oceanário abre os bastidores deste projeto, mostrando o trabalho invisível que tornou possível manter viva, durante onze anos, uma paisagem de grande complexidade. Se há um momento ideal para mergulhar em «Florestas Submersas by Takashi Amano», é este. Mas se ainda precisa de argumentos, seguem-se 11 razões para não deixar passar esta oportunidade.
1. A última grande obra de Takashi Amano
«Florestas Submersas» é a obra final de Takashi Amano (1954-2015), criada nos últimos meses da sua vida e pensada como culminar do seu percurso artístico e filosófico. Saber que o artista encarou este projeto como o “trabalho da sua vida” dá à visita uma intensidade especial. Cada pedra e cada planta foi escolhida para materializar a visão de Amano sobre a relação entre humanos e natureza. Visitar esta exposição é conversar silenciosamente com o artista, através da paisagem que ele nos deixou como legado.
2. O maior nature aquarium do mundo
Com 40 metros de comprimento e 160 000 litros de água doce, este é o maior nature aquarium do mundo. Ao contrário de um aquário tradicional, ele não é focado nos peixes que o habitam mas na construção de uma paisagem coerente, inspirada em florestas tropicais e rios de água doce, em escala monumental. Ver o maior nature aquarium do mundo ao vivo é uma experiência que possivelmente só acontece uma vez na vida.
3. Uma escala esmagadora
Com 40 metros de extensão, o aquário ocupa quase todo o campo de visão de quem se aproxima. A sensação é a de estar perante um “mural” vivo que se estende para além daquilo que o olhar consegue abarcar de uma só vez, obrigando a percorrer a paisagem com tempo, em busca de camadas e detalhes. Esta escala altera a forma como nos relacionamos com a obra: não a vemos apenas como um objeto, mas como um ambiente. Sentar‑se em frente ao aquário é como estar diante de uma grande paisagem natural – só que submersa.
4. Toneladas de natureza
A construção minuciosa desta paisagem conta com quantidades impressionantes de elementos naturais: 12 toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores e 78 troncos de árvores da Escócia e da Malásia. Cada rocha e cada tronco foram posicionados para criar profundidade, textura e movimento, como se fossem uma paisagem lentamente modelada pela água. Ao olhar com atenção, percebemos como as curvas e os desníveis conduzem o olhar e sugerem caminhos para a visita à exposição.
5. O equilíbrio de milhares de organismos vivos
O ecossistema integra mais de 10.000 organismos vivos, incluindo cerca de 40 espécies de peixes tropicais de água doce e 46 espécies de plantas aquáticas. Não estamos apenas a ver uma composição estática, mas um sistema em funcionamento, onde cada ser vivo desempenha um papel na dinâmica do conjunto. Os cardumes cruzam o espaço, ocupam zonas de sombra, exploram clareiras, enquanto as plantas crescem, ramificam-se e ocupam lentamente as estruturas.
6. Permanente inconstância
Nunca se vê exatamente o mesmo aquário duas vezes porque ele está em constante transformação. Quem regressa ao fim de meses ou anos encontra sempre algo familiar e, ao mesmo tempo, novo. A obra que se vê hoje é o resultado de onze anos de evolução – e visitá‑la nesta fase final é ver a paisagem no seu momento mais maduro.
7. Wabi‑sabi
O aquário reflete a filosofia japonesa wabi‑sabi, que vê beleza na imperfeição, na simplicidade e na passagem do tempo. Em vez de uma paisagem “perfeita” e imutável, valoriza-se um equilíbrio vivo, em que o crescimento, o envelhecimento e a mudança fazem parte da estética da obra. Esta etapa final de «Florestas Submersas by Takashi Amano» representa, também ela, o momento presente – esta versão da paisagem –, que é único e não se repetirá.
8. Trabalho invisível
Para lá da serenidade que se vê, existe um trabalho intenso e contínuo. A manutenção deste aquário vivo exigiu mais de 11.000 horas de mergulho especializado desde 2015, com equipas a podar plantas, ajustar elementos, monitorizar a saúde do ecossistema e garantir o equilíbrio entre todas as espécies. Esta obra de arte trata-se de um sistema complexo, que depende de conhecimento científico, dedicação diária e grande atenção ao detalhe.
9. A experiência que marcou milhões
Ao longo de mais de uma década, «Florestas Submersas by Takashi Amano» foi visitada – e vivida – por mais de 10 milhões de visitantes, tornando‑se uma das experiências mais marcantes do Oceanário de Lisboa. Esse número fala do impacto global da obra, mas a verdadeira medida está na resposta individual de quem se senta em silêncio diante do aquário e se deixa envolver. A visita é quase uma pausa meditativa no meio da cidade, um momento de descoberta estética, científica e emocional.
10. Despedida especial
Para assinalar o fim do ciclo, o Oceanário está a promover iniciativas especiais ligadas à exposição. Entre as propostas, destacam‑se sessões de poda subaquática ao vivo e visitas guiadas aos bastidores, que revelam o trabalho técnico e científico que sustenta este ecossistema. As visitas aos bastidores decorrem às quartas‑feiras, até 24 de junho, com uma sessão em inglês às 13h15 e outra em português às 13h30, cada uma com 60 minutos e incluindo acesso ao Oceanário. As podas ao vivo são uma oportunidade rara para ver de perto os mergulhadores em ação dentro do aquário e compreender os processos que mantêm a paisagem viva.
11. Agora ou nunca
A exposição encerra a 30 de junho de 2026, depois de onze anos em exibição. A sensação de “agora ou nunca” transforma qualquer ida ao Oceanário num momento que se quer guardar na memória. Saber que esta obra não será remontada noutro lugar, com esta escala e estas características, reforça a ideia de que cada visita faz parte de um capítulo final. Se há um momento ideal para mergulhar em «Florestas Submersas by Takashi Amano», é este.