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No coração da saúde portuguesa

A Becton Dickinson celebra 25 anos de presença em Portugal. Em entrevista ao Observador, Bruno Taveira, Country Lead da empresa no país, faz um balanço deste quarto de século.

Quando toma um medicamento, leva uma injeção ou vai tirar sangue para análises, é bastante provável que não pense como é que hoje temos acesso a todos estes dispositivos médicos que melhoram a nossa vida. A verdade é que muitos deles existem graças ao trabalho nem sempre visível, mas essencial, de empresas como a BD (Becton Dickinson), que se dedicam à inovação.

Das agulhas e cateteres utilizados diariamente, aos sistemas avançados de gestão de medicação e monitorização de doentes, as soluções da BD estão presentes na vida de doentes e profissionais de saúde em praticamente todos os momentos.

Fundada em 1897 por Maxwell Becton e Fairleigh Dickinson, a BD nasceu com uma visão simples, mas forte: criar produtos médicos que melhorassem a vida das pessoas. Ao longo de mais de 125 anos, essa visão traduziu-se em inovações que mudaram a prática clínica em todo o mundo. Entre elas contam-se, por exemplo, a primeira seringa descartável de produção em massa, o desenvolvimento do primeiro cateter urinário de Foley ou a introdução dos primeiros sistemas de proteção contra acidentes com agulhas para profissionais de saúde.

190

Países

60000

Colaboradores

34

mil milhões de dispositivos produzidos por ano

1000

milhões de dólares investidos anualmente em I&D

25 anos a melhorar a saúde dos portugueses

A BD chegou a Portugal em 2001, trazendo consigo décadas de inovação global, que se comprometeu a colocar ao serviço do sistema de saúde português.

“Celebrar 25 anos em Portugal é um momento de gratidão e de reconhecimento. Gratidão para com os profissionais de saúde que, ao longo destes anos, confiaram nas nossas soluções para cuidar dos seus doentes, e reconhecimento de que a nossa presença no país tem contribuído para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados”, conta Bruno Taveira, Country Lead da BD Portugal.   Com um portefólio, inicialmente, mais focado em soluções direcionadas ao funcionamento diário de hospitais e clínicas, o papel da BD dentro do sistema de saúde nacional cresceu de forma consistente ao longo dos últimos 25 anos. Não apenas em dimensão, mas também em profundidade e relevância.

“Hoje, as nossas soluções estão presentes em praticamente todas as áreas críticas do sistema de saúde: desde a colheita e gestão de amostras para diagnóstico, à automação de farmácia hospitalar, à monitorização avançada de doentes críticos com recurso a inteligência artificial, e soluções nas áreas urológica, oncológica, vascular e cirúrgica”, diz Bruno Taveira.

Um trabalho essencial desenvolvido nos bastidores

A marca de um produto ou dispositivo médico nem sempre é percecionada, quer pelo profissional de saúde que o utiliza, quer pelo doente que dele beneficia. E para Bruno Taveira isso é, de certa forma, algo de positivo. “O que importa é que, quando um médico precisa de monitorizar um doente em estado crítico, quando um enfermeiro prepara uma medicação de risco, quando um oncologista realiza uma biópsia minimamente invasiva, ou quando uma doente no pós-parto necessita de uma intervenção cirúrgica para recuperar a sua qualidade de vida, as soluções que os profissionais têm nas mãos sejam precisas, seguras e fiáveis. É nesses momentos que a BD está presente”.

A transformação que promovemos não é sempre visível a olho nu, mas é profundamente mensurável.” – Bruno Taveira, Country Lead BD Portugal

Num momento em que os sistemas de saúde enfrentam desafios significativos de eficiência e sustentabilidade, a BD posiciona-se como um parceiro estratégico, não apenas para o presente, mas para o futuro. “Ao longo de mais de 125 anos, a BD tem estado nos bastidores da saúde mundial. E fá-lo não apenas através da fiabilidade dos seus dispositivos, mas também através da capacidade de contribuir para cuidados mais seguros, mais consistentes e mais orientados para resultados concretos. E isso significa também ajudar as equipas a trabalhar com fluxos de trabalho mais padronizados, menos fricção, menos retrabalho e mais apoio à tomada de decisões seguras nos momentos críticos”, explica o Country Lead da BD.

Inovação com impacto real

A BD tem cinco centros globais de excelência em I&D e mais de 1.700 cientistas de dados e engenheiros de software dedicados ao desenvolvimento de soluções de saúde conectada em todo o mundo. São números impressionantes, mas para Bruno Taveira a inovação, por si só, não é suficiente: “o que nos diferencia é a capacidade de traduzir essa inovação em soluções concretas que fazem a diferença no dia a dia dos hospitais e clínicas portuguesas”. E dá exemplos disso.

“A forma como integramos inteligência artificial na monitorização de doentes críticos: os nossos sistemas permitem antecipar complicações hemodinâmicas e apoiar decisões clínicas em tempo real, em contextos de cirurgia de alto risco ou de cuidados intensivos onde cada minuto conta. Outro exemplo é a automação da farmácia hospitalar – sistemas que gerem centralizadamente o armazenamento, a preparação e a dispensa de medicação, reduzindo erros e libertando os profissionais para tarefas de maior valor clínico”.

Mas a inovação da BD não se limita aos laboratórios e centros de pesquisa. É sentida, também, nos blocos operatórios, nas unidades de cuidados intensivos e nas farmácias hospitalares por quem trabalha, todos os dias, com estas soluções inovadoras.

“O nosso critério para avaliar o sucesso de qualquer inovação é sempre o mesmo: melhorou os resultados para o doente? Facilitou o trabalho do profissional de saúde? Contribuiu para a eficiência do sistema? Hoje, a inovação em saúde só é verdadeiramente relevante quando consegue mover indicadores concretos – reduzir infeções, prevenir complicações, diminuir erros de medicação, encurtar internamentos e libertar capacidade clínica. Se a resposta for sim, então estamos no caminho certo”, explica Bruno Taveira.

Em 25 anos, construímos relações de confiança com os profissionais e instituições de saúde em Portugal. Isso é, talvez, o nosso maior ativo e aquele que mais nos orgulha” – Bruno Taveira, Country Lead BD Portugal

A sustentabilidade do SNS

No primeiro semestre de 2025, quase um milhão de portugueses aguardava uma primeira consulta no SNS (mais 25,6% do que no ano anterior). As listas de espera para cirurgia oncológica também aumentaram 4,8% e os pagamentos diretos das famílias representam 29% da despesa total em saúde em Portugal – o dobro da média europeia. Para Bruno Taveira, estes “são números que nos devem preocupar a todos – à indústria, às instituições e aos decisores políticos”.

A tecnologia, ainda que não seja a solução para todos os desafios do SNS, pode ter um papel decisivo. “A automação de processos na farmácia hospitalar reduz erros de medicação e aumenta a rastreabilidade. A monitorização avançada de doentes críticos, com recurso a inteligência artificial, permite antecipar complicações. Os sistemas de gestão de acesso vascular reduzem as complicações associadas a procedimentos invasivos. Quando conseguimos reduzir dano evitável, atrasos, retrabalho e variação injustificada, não estamos apenas a melhorar a segurança clínica; estamos a libertar capacidade hoje bloqueada, a reduzir pressão sobre equipas já muito exigidas e a permitir que os hospitais tratem mais doentes com os recursos que já têm”, explica Bruno Taveira.

Mas a sustentabilidade do SNS é também uma questão ambiental. Como refere o Country Lead da BD, “o setor da saúde é responsável por 4,8% das emissões totais de gases com efeito de estufa em Portugal – acima da média europeia. Os blocos operatórios, por si só, geram 70% dos resíduos hospitalares e emitem até seis vezes mais CO2 do que outras áreas. A BD assume um compromisso de sustentabilidade concreto: metas de emissões neutras em carbono até 2050 e uma redução de 18% das emissões já alcançada em 2023. É por isso que segurança do doente, eficiência hospitalar e sustentabilidade ambiental não devem ser vistas como agendas separadas: quando reduzimos complicações, infeções, erros evitáveis, dias de internamento desnecessários, desperdício e transporte supérfluo, contribuímos para um sistema de saúde mais resiliente e sustentável”.

Em saúde, a verdadeira eficiência não é fazer menos cuidados; é fazer bem à primeira, com menos desperdício clínico e operacional. Porque acreditamos que a sustentabilidade do sistema de saúde é, simultaneamente, clínica, económica e ambiental” – Bruno Taveira, Country Lead BD Portugal

O compromisso com o futuro

Bruno Taveira explica que a estratégia de crescimento da BD assenta em dois pilares fundamentais: a inovação interna e a integração estratégica de novas tecnologias e competências, sempre tendo em conta um critério central – como é que a tecnologia pode melhorar a prática clínica?

O portefólio da BD cobre, atualmente, quatro grandes áreas:

  • Medical Essentials – garante os dispositivos de base essenciais, de alto volume e muito utilizados no funcionamento hospitalar diário;
  • Connected Care – uma área que utiliza a automação, inteligência artificial e análise de dados para transformar os cuidados ao doente;
  • Interventional – soluções para urologistas, cirurgiões, oncologistas e especialistas vasculares;
  • BioPharma Systems – focado no desenvolvimento de dispositivos para a indústria biofarmacêutica.

“Esta abordagem integrada permite-nos ser um parceiro cada vez mais completo para os hospitais, não apenas fornecendo dispositivos, mas cobrindo toda a cadeia de valor dos cuidados ao doente. Permite-nos também atuar sobre fluxos de trabalho críticos de forma mais coordenada, reduzindo variação injustificada, reforçando a fiabilidade dos processos e ajudando os hospitais a responder melhor à pressão sobre equipas, camas e recursos. O objetivo é estar sempre um passo à frente das necessidades do sistema de saúde, antecipando os desafios e oferecendo soluções que façam a diferença”, afirma o Country Lead da BD Portugal.

Um dos grandes exemplos do posicionamento da BD para o futuro, que se quer afirmar não só como um fornecedor de tecnologia médica, mas como um parceiro estratégico, é o projeto SCORE. “O SCORE nasceu da convicção de que a cadeia de abastecimento hospitalar pode – e deve – ser gerida como uma alavanca estratégica de continuidade assistencial, eficiência e sustentabilidade”, explica Bruno Taveira.

Em fase de implementação com um dos maiores grupos de saúde privados do país, este projeto ajudou a redefinir a cadeia de abastecimento hospitalar – desde a gestão de stocks até à forma como os dispositivos médicos chegam aos profissionais de saúde. “O objetivo era garantir que o dispositivo certo está no lugar certo, no momento certo, eliminando desperdícios, reduzindo custos operacionais e libertando os profissionais de saúde de tarefas administrativas”.

Quer em termos de eficiência económica, quer de impacto em sustentabilidade, os resultados foram francamente positivos. “Este projeto já é reconhecido como pioneiro a nível europeu e, face aos resultados obtidos, estamos em fase final de negociações para a sua implementação”, refere o Country Lead da BD.

“O que o SCORE demonstra é que há um enorme potencial na colaboração entre a indústria e o sistema de saúde, quando trabalhamos juntos, com uma visão partilhada e objetivos comuns, conseguimos gerar valor que nenhuma das partes conseguiria gerar sozinha. Acredito que este é o modelo de parceria do futuro: não transacional, mas verdadeiramente estratégico e integrado.”
Bruno Taveira, Country Lead BD Portugal

Uma empresa MedTech pura focada em soluções impactantes

O compromisso da BD com o futuro é reforçado pela recente decisão estratégica da empresa de separar o seu negócio de Life Sciences e Diagnóstico, que passou a operar de forma independente em fevereiro de 2026. Bruno Taveira explica que esta “foi uma decisão estratégica importante, que reforça o nosso foco naquilo que sempre foi o coração da BD: a tecnologia médica que impacta diretamente os cuidados de saúde do dia a dia”.

A nossa missão mantém-se clara e inalterada – ‘Fazer avançar o mundo da saúde’ e, em Portugal, este compromisso é renovado todos os dias.” – Bruno Taveira, Country Lead BD Portugal

“Este maior foco não é uma limitação, é uma oportunidade. Permite-nos concentrar o nosso investimento, a nossa inovação e o nosso talento nas áreas onde podemos gerar o maior valor para os doentes, para os profissionais de saúde e para os sistemas de saúde. Significa também reforçar a nossa ambição de ajudar os sistemas de saúde a melhorar resultados. Em Portugal, isso significa continuar a ser um parceiro de confiança do SNS e do sistema de saúde privado, trazendo soluções inovadoras que respondam aos desafios reais dos hospitais portugueses, desenvolvendo parcerias estratégicas como o projeto SCORE, participando ativamente no debate sobre políticas de saúde através da APORMED, e contribuindo para um sistema mais eficiente, mais seguro e mais sustentável para todos os portugueses”, conclui.

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