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Resistia ao ser despida, chorava quando a tentavam observar e tinha o impulso de fechar as pernas sempre que um médico lhe tocava. Os sinais no comportamento da menina de um ano e sete meses eram estranhos e suspeitos por si só. E poucas dúvidas restaram quando os médicos detetaram que a bebé tinha a zona genital muito inflamada. Menos ainda quando a mãe, sem que ninguém lhe perguntasse nada, começou a repetir: “Eu não fiz nada! Eu não fiz nada!” Ali, ficou quase certo que a menina tinha sido submetida a uma mutilação genital.

A mãe, então com 19 anos, tinha levado a filha a um centro de saúde na Amadora precisamente por causa da vermelhidão na zona genital. Explicou que tinha chegado há duas semanas de uma viagem à Guiné-Bissau, de onde é natural, e associou o problema ao uso de fraldas num país tão quente. Sugeriu até aos médicos que talvez fosse uma infeção urinária. Quanto ao choro, garantiu, não havia razão para se preocuparem: era normal a filha chorar quando estranhos a tentavam despir.

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O crime ocorreu entre o dia 4 de janeiro de 2019 e 15 de março do mesmo ano na Guiné-Bissau

AFP via Getty Images

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