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▲O hispano-georgiano vai participar num super combate na Casa Branca contra Justin Gaethje

Zuffa LLC

▲O hispano-georgiano vai participar num super combate na Casa Branca contra Justin Gaethje

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O histórico 17-0, a importância do irmão e o inédito evento na Casa Branca: como Ilia Topuria chegou ao UFC para fazer história

É o alvo a abater no UFC e tornou-se uma das referências no desporto. Toporia sagrou-se campeão mundial em três categorias e nunca perdeu um combate. Vai estar no histórico evento da Casa Branca.

É um fenómeno praticamente sem precedentes. Como é apanágio no mundo do desporto, também o Ultimate Fighting Championship (UFC) vive dos seus ídolos. Apesar de ser uma variante com pouca prática e diminuto destaque em Portugal, as artes marciais mistas, conhecidas como MMA, são um desporto em crescimento um pouco por todo o mundo e, nos últimos anos, têm produzido diversos talentos de destaque. É nesse contexto que se enquadra Ilia Topuria, um famoso lutador com nacionalidade espanhola e georgiana. Conhecido como El Matador, é com a famosa Canción del Mariachi, de Antonio Banderas, que Topuria se apresenta antes de subir ao octógono para escrever uma história que, para já, contempla um impressionante registo de 17-0, com sete vitórias por nocaute.

Apesar de partilhar as nacionalidades de Espanha e Geórgia, foi na Alemanha, em Halle, que Ilia Topuria nasceu, há 29 anos, depois de os pais, oriundos da região da Abecásia, na Geórgia, se terem refugiado na Vestfália. Contudo, quando tinha sete anos, Topuria mudou-se para a Geórgia, onde começou a praticar luta greco-romana numa escola local. O início da guerra entre a Rússia e a Geórgia fez com que Ilia tivesse de abandonar o país, mudando-se para Alicante, em Espanha, com apenas 15 anos. Foi aí que conheceu o jiu-jítsu brasileiro, que o levou a ingressar no Climent Club, antes de chegar às artes marciais mistas. Em 2015, Topuria estreou-se como profissional nas competições locais e, no ano seguinte, conquistou o seu primeiro título no Mix Fights Events 2, em Valência, organizado pela promotora MFE. Em 2018 teve o seu primeiro combate internacional no Cage MMA Finland e, poucos meses depois, teve a oportunidade de lutar pelo cinturão do campeonato de peso-galo da Cage Warriors, na Bélgica. Apesar de ter ganho o combate, Topuria não ficou com o cinturão por não ter atingido o peso exigido.

No ano de 2019, Ilia Topuria assinou com a Brave Combate Federation, que tem sede no Bahrain. A sua estreia aconteceu em Bogotá, na Colômbia, tendo derrotado por submissão Luis Gómez, conquistando o prémio de melhor prestação da noite. Em novembro, no Bahrain, derrotou Steven Goncalves por nocaute, igualmente no primeiro assalto. As exibições dominadoras levaram-no a estrear-se no UFC em outubro de 2020, embora como substituto de Seung Woo Choi. No UFC Fight Night 179, o espanhol derrotou Youssef Zalal por decisão unânime dos juízes e, no final do ano, voltou no ESPN 19 para bater Damon Jackson por nocaute no primeiro assalto. A caminhada de sucesso de Topuria no UFC continuou em julho de 2021, no UFC 264, quando derrotou Ryan Hall no primeiro assalto… por nocaute. Em janeiro de 2022, Ilia Topuria deveria ter combatido com Movsar Evloev no UFC 270, mas o russo retirou-se por razões desconhecidas e foi substituído por Charles Jourdain. Contudo, Topuria também se retirou, devido a razões médicas relacionadas com a sua perda de peso, a luta foi cancelada.

Depois de ter vencido o Fight Night 204, o Fight Night 213, o 282, o ESPN 46 e o ABC 5 do UFC, Ilia Topuria lutou pelo título mundial de peso-pluma do UFC no início de 2024, tendo derrotado Alexander Volkanovski por KO no segundo assalto. A defesa do título aconteceu em outubro, num embate contra Max Holloway que chegou ao terceiro assalto e durou 3.32 minutos até Ilia nocautear o rival. Após haver muita especulação sobre o reencontro com Volkanovski, Topuria abdicou de defender o título de peso-pluma e subiu de categoria, apresentando como justificações as dificuldades em reduzir o peso, a falta de interesse da divisão e o desejo de subir à categoria de peso-leve de forma permanente.

A luta pelo título da nova categoria aconteceu em junho de 2025, frente a Charles Oliveira, num combate que o espanhol venceu por KO no primeiro assalto para se tornar no décimo lutador da história do UFC a sagrar-se campeão de duas categorias. Ainda assim, ao contrário de todos os outros, Ilia Topuria foi o único a consegui-lo de forma invicta. Essa vitória levou-o ao topo do ranking pound-for-pound do UFC, que classifica os lutadores independentemente da sua categoria de peso.

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A defesa do título de peso-leve vai acontecer a 14 de junho, no UFC Freedom 250 que, de forma inédita, vai acontecer na Casa Branca, tendo como cabeças de cartaz Ilia Topuria (que chega com um sólido 17-0) e Justin Gaethje (27-5). O evento conta com um número limitado de espectadores nos jardins da Casa Branca, sendo todos eles provenientes de convite do Presidente Donald Trump e do UFC. Ainda assim, no exterior, vão existir ecrãs gigantes e está prevista a presença de dezenas de milhares de adeptos.

O crescimento de Ilia Topuria e a chegada ao UFC deram-se através da base que construiu no jiu-jítsu brasileiro e da constante procura pela perfeição, que o levou a melhorar o jogo de pés. O seu estilo de boxe caracteriza-se pela precisão de golpes, combinações fluidas e uma potência notável no movimento. As suas inspirações derivam do boxe mexicano, em particular de Canelo Álvarez, que se caracteriza pelo seu golpe. Topuria chegou a treinar com Merab Dvalishvili, georgiano que já foi campeão de peso-galo do UFC. Aleksandre Topuria, El Conquistador, é o irmão mais velho de Ilia, sendo também lutador profissional de MMA e presença assídua do UFC.

Os problemas com o peso, o sacrifício de um atleta e o apoio do irmão: o que conta o novo documentário de Topuria

No seio dos desportos de combate, Ilia Topuria é conhecido pela sua mentalidade, que se baseia num nível de confiança absoluta, na disciplina extrema e na confiança inabalável de que vai chegar à vitória. A sua prestação não se fica pelos dias de combates, já que Ilia entrega tudo em cada treino, tendo na preparação uma grande extensão da sua identidade enquanto atleta. Debaixo de pressão, Topuria exibe um estado de calma e tranquilidade premeditadas, que lhe permite executar com precisão toda a sua estratégia. A mistura entre a serenidade e a agressividade faz com que se tenha tornado num lutador temido e respeitado no MMA e, quiçá, levou-o ao notável registo de invencibilidade. A mentalidade é “simples” e passa por entrar, dominar e fechar o combate como consequência natural de todo o trabalho que está por trás.

Foi nesse contexto que Ilia Topuria aceitou produzir a série documental The Topurias com a HBO Max, com os três episódios a passar pela sua carreira no UFC, desde a primeira luta nos pesos-plumas até à atualidade, quando se prepara para ser a atração principal do maior combate da história do UFC, no evento da Casa Branca. “A série oferece acesso exclusivo ao círculo íntimo do lutador e revela o seu lado mais pessoal, a sua relação com a equipa e os amigos, e a sua vida para além do octógono do UFC”, acrescenta a sinopse do documentário a que o Observador teve acesso em primeira mão. A série documental estreou esta sexta-feira e foi produzida pela Señor Mono para a HBO Max, tendo como produtores executivos Ilia Topuria e Íñigo Pérez-Tabernero para a Señor Mono, e María Rubio e Zaida Serrano-Piedecasas, para a plataforma da Warner Bros. Discovery.

O documentário começa com Ilia Topuria a explicar que a mudança para Madrid se deveu à maximização do tempo dedicado aos seus treinos e à preparação dos combates, procurando reorganizar a sua vida pessoal e profissional. Nos bastidores, o hispano-georgiano mostrou o que esteve por trás das quatro lutas que o levaram ao primeiro título de campeão do mundo, como o irmão, que na antecâmara de algumas lutas assumiu o papel do seu treinador, com Ilia a considerar inevitável lutar contra Aleksandre no futuro.

Max Holloway teve um papel importante na carreira de Topuria, que foi ao limite para enfrentar o norte-americano, que acompanha desde que chegou às artes marciais: analisou todos os seus movimentos, construiu um plano para o levar ao chão nos primeiros segundos e perdeu 12% do peso nas duas semanas antes da luta, medindo as calorias gastas por músculo. Para lá da rotina, que consistia em acordar cedo, ler, correr, treinar e contemplar momentos de FIFA e karts, Topuria media meticulosamente o gasto de energia em todo o tipo de atividades, como conversar ou respirar.

No que concerne aos treinos, Ilia chegou a treinar os olhos e a velocidade de reação, tendo melhorado cerca de 200 milissegundos. Para se inspirar, o lutador revia-se na história bíblica de Sansão, que explora o contraste extremo entre a força física e a fragilidade emocional humanas. Nas 24 horas antes do combate, a passagem na pesagem foi a primeira vitória de Ilia Topuria, que sentia que “atravessava o deserto” sempre que tinha de perder peso, considerando insustentável continuar naquela categoria. O momento imediatamente antes da luta é o seu preferido. Depois de um processo de rehidratação perfeito e sofisticado, estava tudo pronto para o combate, que acabou com um nocaute. A sua filha, que curiosamente nunca comeu sushi até a sua cozinheira fazer pela primeira vez, é peça fundamental na história de Ilia, que tem a convicção de que a criança tem algo de especial. O regresso a Toledo dá-se na condição de campeão.

Para lá de trabalharem juntos, Ilia Topuria acompanha bem de perto a evolução competitiva do irmão, ao ponto de dizer no documentário que acredita que os dois vão ser campeões do UFC em simultâneo. A ligação familiar e profissional é forte, ao ponto de Aleksandre surgir como figura central do projeto dos Topurias. Na parte final do segundo episódio, Ilia assume que a mudança de categoria lhe trouxe mais qualidade de vida, dado que sofre menos, tem de comer mais e sente-se melhor fisicamente no peso-leve.

O último episódio é aquele que tem uma dimensão emocional mais forte, começando com Ilia a sagrar-se campeão do mundo na nova categoria. Depois, a questão do divórcio com Giorgina Uzcategui, mãe da sua filha, também é focada, dado que Topuria decidiu voltar à Geórgia para se reencontrar com as suas origens, visitando a antiga casa, a sua escola e os avós. O regresso deu-se depois do evento que lançou Aleksandre na cena mundial, realizado no Qatar, com Topuria a ser convidado, em março, para o evento da Casa Branca. A figura global de Ilia Topuria ultrapassa o UFC, com o lutador a participar no podcast de Joe Rogan e a aparecer numa campanha publicitária da Adolfo Domínguez.

Os sacrifícios até ao topo, o dilema da “felicidade eterna” e o exemplo do açúcar: aos 29 anos, Topuria sente-se grato

Em conversa com o Observador, Ilia Topuria explicou que tinha “muitas coisas” para partilhar nesta série documental, preferindo contar a história até se tornar campeão no UFC. “Ouvimos sempre dizer que uma coisa é tornar-se campeão do mundo e outra é manter-se no topo, que dizem ser muito mais difícil. Queria partilhar esse percurso, mostrando tudo o que tens de passar na vida para alcançar o topo em qualquer coisa que faças. Muitas vezes a perceção que se tem é que as coisas nos são oferecidas, que é fácil, que só te vêem dentro do octógono, mas não sabem por tudo o que tiveste de passar, a forma como tiveste de te dedicar, as pessoas com quem tiveste de te rodear e dos momentos que tiveste de ultrapassar. Acho que a série é um exemplo claro de que, se queres algo, isso tem um custo, e mostra um pouco tudo o que tive de passar para estar no lugar em que estou”, começou por dizer o lutador.

“Houve muitos momentos que me marcaram. A nível profissional, acho que algo que me marcou foi o facto de às vezes termos um sonho e acreditarmos que, assim que o concretizarmos, teremos felicidade eterna, que seremos felizes para sempre e que já não precisamos de fazer mais nada. Eu tinha o sonho de me tornar campeão do mundo e pensava que já ia ser feliz para sempre. Lembro-me de acordar no dia seguinte e perguntar a mim mesmo: ‘E agora? O que vou continuar a fazer na minha vida?’ Depois pensei: ‘Está tudo certo, vou defender o título contra alguém lendário’. Era alguém que eu considerava lendário naquele peso, o Max Holloway. Defendi o título e voltei a fazer a mesma pergunta. Subi de categoria, ganhei o segundo cinturão e aparece sempre a mesma pergunta. Cheguei sempre à conclusão de que não posso basear a minha felicidade e ter esperanças num resultado, que o que realmente importa é aproveitar o presente e cada segundo que temos como um presente”, refletiu Ilia, descrevendo esse como “um dos maiores exemplos” da sua vida.

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▲ Os irmãos Topuria são as figuras principais do documentário

HBO Max

Quanto ao futuro, Ilia Topuria considerou que já fez tudo o que tinha por fazer no desporto. “Acho que já fiz muitas coisas aos 29 anos. Não é fácil tornares-te campeão do mundo, defenderes o título, conquistares um segundo título… já são três títulos mundiais. O que me falta? Como se costuma dizer, quanto mais açúcar, mais doce. Estou realmente a aproveitar cada segundo. Já não baseio nada nos resultados, partilho o meu caminho com os meus entes queridos e rodeio-me das pessoas que amo. Simplesmente desfruto da minha vida e de tudo o que consegui construir até agora. E agradeço imenso que Deus me tenha feito passar por tudo aquilo por que me fez passar e que hoje tenha a vida que tenho. Agradeço tudo. Vivo a partir da gratidão”, acrescentou Topuria.

Quanto ao alinhamento do documentário, o atleta de 29 anos explicou que foi difícil escolher o que colocar e deixar de fora da história. “Uma coisa é quando vives o momento e não tens tanta consciência, porque não te vês a ti próprio de um plano geral, não te vês de longe, és o protagonista, estás a viver as coisas por dentro… Quando te mostram o resultado final, há momentos em que te vês e dizes: ‘Eu não sou assim, mas a verdade é que disse mesmo isto e acabei de fazer isto’. É como se te conhecesses de uma perspetiva muito diferente e é difícil partilhar esses momentos com o mundo, porque o critério que usas para te avaliares é muito diferente da forma como vês os outros. A tua voz incomoda-te, a tua aparência incomoda-te, há planos que não te convencem mas, no final, chegas à conclusão de que sabes que isso é quem tu és, que essa é a verdade e que tens de partilhá-la. Há momentos na série em que choro ou em que já estou um pouco cansado de haver tantas câmaras. Há muitos momentos que vês e, se dependesse de mim, teria cortado. Ao falar com os guionistas e os realizadores, o ponto de vista deles convenceu-me e levou-me à conclusão de deixar tudo tal como está. Eu gostei e espero que o público também goste”, partilhou com o Observador.

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▲ A série documental passa em revista o crescimento de Topuria nos últimos dois anos

HBO Max

“Acho que ainda não cheguei a uma conclusão e não consegui assimilar tudo o que construí, porque a minha vida tem sido, nos últimos anos, uma correria sem fim. Sempre me meti em mais e mais desafios e, nesses momentos, parece que não há tempo para assimilar tudo. Tenho tempo suficiente. Só se tem 29 anos uma vez na vida. Tenho de continuar a esforçar-me, a construir o meu legado, a escrever a minha história e a aproveitar o presente. Depois chegará o momento de aproveitar tudo o que construí. Acho que ainda é preciso continuar a construir, de continuar a colocar tijolo em cima de tijolo. Casa Branca? Desde o primeiro momento que soube que iria fazer parte desse evento. Não sei, não me perguntes porquê, mas sempre soube que iriam contar comigo e que iria fazer parte do evento. Quando me ligaram, já estava tão convencido de que iria participar que não fiquei muito surpreendido, mas obviamente senti-me muito grato por ter a oportunidade de liderar, provavelmente, um dos maiores eventos da história, não só do UFC, mas do desporto. Sem dúvida que ficará na história como um dos eventos mais especiais do mundo. Por isso, fazer parte deste evento e liderá-lo é algo pelo qual estou muito grato”, concluiu Ilia Topuria.

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