A mudança de data e o local deixaram antever este desfecho. Ao contrário do que tem sido habitual, o The Best passou de janeiro para dezembro e realizou-se no Qatar, que acolhe a Taça Intercontinental, prova que será decidida esta quarta-feira entre Real Madrid e Pachuca. Para além disso, só no início desta semana se ficou a saber que a gala anual da FIFA iria acontecer… 24 horas depois. A “pressa” em marcar o evento saltou também à vista, dado que é uma prática incomum da entidade que rege o futebol mundial.
Os sinais estavam todos lá e, ao final do dia desta terça-feira, confirmou-se o esperado: Vinicius Jr. foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. A realização do certame no Qatar serviu também para evitar que, como aconteceu em janeiro com Messi, o vencedor não estivesse presente na atribuição dos prémios. Inicialmente, a FIFA ainda pensou em realizar uma gala totalmente virtual, mas depois de conhecer o vencedor, terá optado pelo novo modelo — quase 100% virtual e com apenas Vini e Ancelotti em palco —, aproveitando para celebrar os 20 anos da Aspire Academy e os dois anos da final do Campeonato do Mundo, entre Argentina e França.
Depois de Romário (1994), Ronaldo (1996, 1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho (2004 e 2005) e Kaká (2007), Vinicius tornou-se no sexto brasileiro a ser galardoado com o prémio de melhor jogador do mundo pela FIFA, que começou a distinguir os atletas a partir de 1991. O Brasil tem agora nove prémios de melhor do mundo, embora tenha estado em jejum nos últimos 17 anos. Este prémio surge quase dois meses depois de o internacional brasileiro ter ficado em segundo na Bola de Ouro, atribuída pela France Football, a qual perdeu para Rodri. Na última época, o extremo apontou 24 golos e 11 assistências em 39 jogos, vencendo a Liga dos Campeões, LaLiga e a Supertaça de Espanha. Já esta temporada conquistou a Supertaça Europeia.
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Com apenas 24 anos e seis meses, Vinicius é o segundo brasileiro mais jovem a tornar-se melhor jogador do mundo, superando Ronaldinho por cerca de cinco de meses e perdendo apenas para Ronaldo que, em 1996, venceu o prémio aos 21 anos. O recorde absoluto pertence mesmo ao avançado brasileiro e, se olharmos ao top 10 de mais jovens, Vini é o nono mais jovem da história, atrás de Michael Owen (22 anos e quatro dias), Lionel Messi (22 anos e cinco meses), George Best (22 anos e sete meses), Oleg Blokhin (23 anos e um mês), Cristiano Ronaldo (23 anos e nove meses), Eusébio (23 anos e 11 meses) e Marco van Basten (24 anos e um mês). Para trás ficou Johan Cruyff (24 anos e oito meses).
▲ A cerimónia do The Best 2024 aconteceu em Doha, no Qatar
FIFA via Getty Images
2023/24 foi uma temporada de sonho para o jovem brasileiro, conhecido no seu país pela alcunha Malvadão, que arrancou da melhor forma o período de avaliação de desempenho da FIFA (1 de agosto de 2023 a 10 de agosto de 2024). No final de outubro, Vinicius Jr. renovou contrato com o Real Madrid até junho de 2027, ficando com uma cláusula de rescisão de mil milhões de euros. O acordo foi finalizado ainda na pré-temporada e estabeleceu que o salário anual do avançado triplicasse, passando para os 10,5 milhões. O primeiro troféu da época apareceu em janeiro e em grande estilo: o camisola 7 apontou um hat-trick frente ao Barcelona e ajudou os madrilenhos a conquistar a Supertaça de Espanha. Com esses três golos, Vini tornou-se no primeiro brasileiro a fazer um hat-trick pelos blancos na história do El Clásico. Evaristo de Macedo (1958) e Romário (1994) tinham alcançado o feito, mas pelos blaugranas.
Nesse mesmo mês, Vinicius foi eleito pela FIFA como um dos melhores jogadores do mundo, esteve presente no onze do ano no The Best-2023 e chegou aos 70 golos pelo Real Madrid, tornando-se no segundo marcador brasileiro da história do clube, só atrás de Ronaldo (104). Já em março, o internacional canarinho atingiu os 250 jogos pelos merengues, numa partida que marcou o seu regresso ao Mestalla, palco onde, na época anterior, tinha sido vítima de insultos racistas. Na 32.ª jornada de LaLiga, Vinicius voltou a marcar frente ao Barcelona e tornou-se no melhor marcador brasileiro em El Clásicos, contribuindo de forma decisiva — fez ainda uma assistência — para o jogo que colocou o Real Madrid com as duas mãos no título.
Vinícius Júnior: the first Brazilian to score in two different finals ????????#UCLfinal pic.twitter.com/RfbNzlH93n
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) June 2, 2024
Na Liga dos Campeões e já depois de ter brilhado frente a RB Leipzig e Manchester City, Vini voltou a aparecer nas meias-finais e, na primeira mão, permitiu que o Real Madrid empatasse frente ao Bayern Munique e continuasse na discussão da eliminatória (2-2). O brasileiro bisou e tornou-se no terceiro jogador a marcar nas meias-finais da prova em três anos seguidos, igualando Cristiano Ronaldo e Litmanen, e também passou a ser o brasileiro com mais golos naquela fase, superando Élber, Kaká, Neymar e Lucas Moura. Na segunda mão não marcou nem assistiu, mas teve uma das melhores atuações da carreira, tendo terminado o jogo com o prémio de melhor em campo.
Já em junho e em Wembley, Vinicius não podia perder a oportunidade de mostrar todo o seu nível num dos anfiteatros mais históricos da história do futebol e no jogo que todos os futebolistas querem disputar: a final da Liga dos Campeões. Frente ao B. Dortmund, Vini fez o segundo golo da partida e ajudou o Real Madrid a conquistar a 15.ª Champions, tornando-se no primeiro brasileiro a marcar em duas finais diferentes (já o tinha feito em 2022) e no mais novo da história a fazê-lo, superando… Messi. Na competição europeia terminou como melhor jogador e, naturalmente, um dos elementos do melhor onze. Feitas as contas, Vinicius fechou 2023/24 como melhor marcador dos merengues, repetindo o que o compatriota Ronaldo fizera 18 anos antes.
▲ Vini ajudou o Real Madrid a conquistar a última Champions e foi eleito o melhor jogador da prova
Anadolu via Getty Images
“Parecia impossível chegar até aqui quando era pequeno. Era uma criança que jogava à bola descalça nas ruas de São Gonçalo, perto da pobreza e do crime, e poder chegar até aqui é muito importante para mim. Quero agradecer ao todos, ao presidente [Florentino Pérez], ao mister Carletto [Carlo Ancelotti], ao clube, que me fez chegar até aqui e acreditar que eu podia fazer a diferença e alcançar grandes feitos. O Real Madrid é o maior clube do mundo”, começou por dizer Vinicius numa curta declaração em português na gala do The Best.
“Não posso deixar de agradecer ao Flamengo, que foi o clube onde comecei e que me colocou em campo. Agradeço a todos os jogadores da seleção brasileira e ao meu país, que me tem apoiado e me dá muita força para continuar na minha luta”, completou o novo The Best, que se tornou no terceiro jogador do Real Madrid a conquistar o prémio, depois de Ronaldo e Modric e, esta quarta-feira, pode conquistar mais um troféu pelos merengues: a Taça Intercontinental.
Vinicius Jr. não foi o único protagonista do Real Madrid eleito na gala desta terça-feira, já que o treinador Carlo Ancelotti também foi distinguido pela FIFA. Para além disso, os merengues colocaram cinco jogadores no onze do ano, que teve o português Rúben Dias: Carvajal, Rüdiger, Bellingham, Kroos e o brasileiro. No top 10 do The Best terminaram ainda mais quatro jogadores dos espanhóis — Bellingham, Carvajal, Kroos e Mbappé —, ao passo que Valverde foi 11.º. Como não podia deixar de ser, os campeões europeus dominaram a gala, num dia em que foi apresentada a nova versão da Superliga Europeia (agora Liga Unify), que tem como um dos seus principais defensores… Florentino Pérez — um dos poucos dirigentes que estiveram na gala.
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— Real Madrid C.F. (@realmadrid) December 17, 2024