O que liga este Porto-Sporting ao “Leão da Estrela”? Muito

04 Fevereiro 2017

Cinco clássicos, um filme e as crónicas do jornal que era feito no edifício onde agora está o Observador. O que tem a ver o Porto-Sporting do "Leão da Estrela" com o deste sábado? Descubra aqui.

— Eh, que grande jogo [e arruma o jornal “O Século”]. Aposto que vai ser 3-1 para o Sporting, atira António Silva.
— Ou ao contrário, provoca um colega de trabalho.
— Mordia-te todo [e António Silva levanta-se da secretária]. Lembre-se que o leão é o rei dos animais, até mesmo no futebol.
— Mas lembre-se que o desafio é no Porto, diz um outro colega de trabalho, este mais velho.
— Nem que fosse na China, atira António Silva. O Peyroteo remata no Terreiro do Paço e mete golo no Estádio do Lima. Ali como um limão.

Costuma dizer-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Aqui, não. No caso do “Leão da Estrela”, filme português de 1947, que conjuga humor com futebol, naqueles 121 minutos de acção não há cá transpiração. É 100% de inspiração. Comédia pura, portanto. Sem esforço, como deve ser. António Silva, sportinguista na vida real e também nesse filme, é o senhor Anastácio de viagem ao Porto para a casa dos pais do namorado da sua filha e a fazer-se passar por rico. O intuito é ver o clássico no Lima, o estádio portuense para os grandes jogos, alugado pelo FCP ao rival de então, o Académico do Porto.

No Estádio do Lima, as imagens de jogo são de arquivo (moeda ao ar com os capitães Guilhar e Manuel Marques, o do “Lenço”; os 22 jogadores com os braços esticados a fazer a saudação fascista) e constrói-se uma narrativa ficcional em que o Sporting ganha 2-1 ao Porto – mas o resultado não faz parte da comédia. Ou faz? O que interessa, afinal, são os “góis”, como diz um adepto portista. Peyroteo dá avanço aos leões, Araújo empata ainda na primeira parte (com a mão ou não, eis a questão) e Travaços garante a vitória numa jogada coletiva entre Vasques e Canário. Só que, curiosamente, Travaços nunca marca ao FCP no Porto. É ficção, está bom de ver.

Ora o que muita gente não sabe é que o célebre jogo que passa no filme são afinal dois. O que ali se vê são excertos do Porto-Sporting de 1946 e do Porto-Sporting de 1947. Os leões venceram, na realidade, os dois encontros. E pela primeira vez na história conseguiram duas vitórias em duas épocas consecutivas na casa dos dragões. O mesmo feito repetir-se-ia quase vinte anos mais tarde, em 1961 e em 1962. Este sábado pode voltar a acontecer, pela terceira vez, já que na época passada o clube de Alvalade ganhou no Dragão.

Como recordar então estes cinco jogos (de 46, 47, 61, 62 e 2016)? Com o trabalho que se fez no edifício onde se encontra hoje em dia a redação do Observador. Aqui, de onde escrevemos, na Rua Luz Soriano, Bairro Alto, Lisboa, funcionou a redação do Diário Popular, jornal lisboeta e vespertino, publicado de 1942 a 1991.

Por isso fomos também recuperar, na íntegra, os “relatos” feitos “pelo telefone directo à redacção” que eram publicados no próprio dia do jogo, se este se realizasse ainda cedo. E também as crónicas, quando o Diário Popular passou a ter um suplemento de desporto. Fique atento à linguagem da época, na época pré-vários Acordos Ortográficos.

E, no final, tem ainda a crónica do Observador sobre o desafio do ano passado (a deste ano só surgirá mais à noite, claro, quando o jogo deste sábado terminar).

É neste edifício que funciona a redação do Observador – no mesmo local onde até 1991 funcionou a redação do Diário Popular @Hugo Amaral/Observador (só o andar não é o mesmo)

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Época 45/46. O jornalista Artur Freire, do Diário Popular, assiste ao jogo e liga para a redação. O relato da vitória dos leões sai ainda na edição desse dia — o jornal era vespertino e os jogos realizavam-se cedo. O Sporting acabaria o campeonato — ganho pelo Belenenses — na terceira posição. O FC Porto em sexto.

Diário Popular

Diário Popular, edição de 27 de janeiro de 1946

F. C. Porto, 2 – Sporting, 3

(Diário Popular, 27 de janeiro de 1946)

PORTO, 27. – (Pelo telefone directo à Redacção). – O estádio do Lima teve hoje a animação de uma grande enchente. Havia entusiasmo pelo desafio. E registou-se, provávelmente, a maior enchente da época. Sob a direcção de Augusto Pacheco, de Aveiro, os grupos alinharam:

F. C. PORTO – Szabo; Alfredo e Camilo; Anjos, Romão e Juveniano (Nano); Lourenço, Araujo, Correia Dias, Gomes da Costa e Joaquim.

SPORTING – Azevedo; Cardoso e Manuel Marques; Lourenço, Barrosa e Canário; Armando Ferreira, Cordeiro, Peyroteo, António Marques e Albano.

A notar: o reaparecimento de Gomes da Costa, na equipa portuense.

A presença de Gomes da Costa, na equipa azul-branca, provocou uma demonstração indescritível de carinho e alegria: os «vivas» ecoavam de todos os lados, na altura em que os portuenses deram comêço ao encontro. invadindo velozmente o meio-campo contrário.

E, desde logo, o jogo tomou características extremamente rápidas: os lances sucederam-se, por isso, num e noutro terreno; os portuenses, porém, tiveram movimentação mais incisiva e Azevedo pôs repetidas vezes á prova a sua excelente «forma», para defender remates potentes de Gomes da Costa e Correia Dias. Szabo, por sua vez, também não esteve inactivo, tendo até, em dada altura, numa primorosa defesa a remate de António Marques.

Aos 10 minutos, a velocidade inicial afrouxou e o jogo apresentou, então, alguns «precisiosismos» individuais. De uma vez, Peyroteo, no seu característico processo, e de outras Gomes da Costa, com «dribblings» estonteantes da sua marca. As linhas dianteiras desdobravam-se num trabalho intenso, mas só o F. C. Porto conseguiu, aos 12 minutos, colher resultado eficaz: a bola, passada com precisão por Anjos, e captada por Correia Dias, foi endossada a Araujo; este, próximo da grande área, emendou o passe com um potentíssimo remate, marcando, assim, o primeiro golo do encontro.

O Sporting não acusou o toque, e, mercê de melhor aplicação, delineou alguns ataques, que se perderam contudo, na extrema defesa adversária. O jogo apresentou então uma certa igualdade — o que elevou a sua boa qualidade, causando interesse permanente.

Aos 28 minutos, os «leões» igualaram a pontuação: os sportinguistas investiram pela direita, Armando Ferreira centrou — com «peso e medida» — e Peyroteo não teve dificuldade em estabelecer o empate com um golpe de cabeça bem dirigido.

Os portuenses, entretanto, enovelaram-se demasiado no ataque e isso facilitava o trabalho de desgaste do adversário.

Em contrapartida, o Sporting caminhou mais livremente para a baliza, tirando desse facto excelentes resultados, porque aos 36 minutos colocava-se na situação de vencedor, com novo golpe de cabeça de Peyroteo, que fez 2-1, em conclusão de centro de Albano.

Chegou-se, pois, ao intervalo com o Sporting a ganhar por 2-1, resultado que se harmoniza perfeitamente ao desenrolar do jogo.

Aos 8 minutos do recomeço, Cordeiro abandonou o terreno, lesionado — e os «leões» ficaram em campo com 10 homens; assim jogaram até final do encontro, pois Cordeiro não voltou mais ao campo.

Aos 10 minutos, registava-se novo empate; Correia Dias internou-se, levando Cardoso á ilharga, e junto da linha de baliza fez um passe curto, a Joaquim, para trás — e este rematou, serenamente, o tento que fez 2-2.

Com este novo ponto, os locais foram crescendo, «empurrando» o adversário para as 18 jardas e criando situações aflitivas aos Sporting. Este, pela má pontaria dos dianteiros «azuis-brancos», não teve dificuldade em sair vitoriosamente dos lances criados pelo adversário.

Na linha avançada do Sporting apenas Peyroteo foi acusando presença. Apesar de tudo, os visitantes foram ainda os que marcaram. Havia 28 minutos. O desempate saiu de um lance de Peyroteo, que recebeu a bola da sua defesa, chamou a si Camilo e passou, em seguida, a Armando Ferreira: este sózinho diante das redes rematou com serenidade o 3.º golo dos «leões».

Por A. Freire

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Época 46/47. Nova ida ao terreno do FC Porto e nova vitória, pelo segundo ano seguido. Era a primeira vez na História que isso acontecia. A equipa de Lisboa ganharia ainda o campeonato. O FC Porto seria terceiro (os tempos de glória só nos ans 80). O jogo contra os ‘dragões’ realizou-se a 20 de abril e no dia seguinte a edição do Diário Popular dava conta do que tinha acontecido.

Diário Popular, edição de 21 de abril de 1947

O Sporting garantiu o triunfo quando dominou o trabalho perfeito de marcação do F. C. Porto

(Diário Popular, 21 de abril de 1947)

A primeira visita que o Sporting fez este ano ao Porto para defrontar o Boavista não impressionou grandemente. E’ natural que, para isso, influisse a importancia restrita do jogo.

E’ que a competição valoriza-se tanto mais quanto maior fôr o equilíbrio de faculdades das equipas.

Então aproveita-se tudo: a maior eficiência técnica, o mais perfeito encaixe de movimentos táticos e o sentido ilimitado de luta e dedicação ao jogo.

Quando surge o contrário, o melhor grupo desconcentra os seus esforços e a medida de possibilidades não pode ser tomada sem grave risco de se cometerem lapsos.

Mas a exibição pouco brilhante do Sporting naquela sexta jornada podia derivar também do fraco ajuste entre as três linhas da equipa longe ainda de alcançarem a solidez que hoje apresentam.

O Sporting é portador de uma regularidade que só o F. C. do Porto atingiu em 1940, também treze vitórias consecutivas.

Não admira, portanto, que o Lima registasse a maior enchente da época, numa altura em que a mais categorizada equipa do País, pisava o seu relvado.

O balanço dos seus triunfos devia sentir-se no decorrer do encontro; por isso o seu trabalho foi seguido com interesse, e não desiludiu, embora deixasse de atingir a costumada utilidade durante os primeiros 45 minutos.

Quanto a execução técnica ela foi sempre igual e revelou-se na facilidade de movimentos, na preocupação do endosse e na procura de boa colocação no terreno. A diferença de trabalho existente entre as duas metades do encontro residem então na forma como o F. C. do Porto se dispôs na extrema defesa. A sua organização foi tão perfeita que constituiu o melhor elogio discutidíssimo sistema em M.

Enquanto durou a «combinação» de Alfredo, Guilhar e Carvalho, nunca o Sporting teve praticamente nos pés a hipótese de um golo. Bem porfiaram os dois médios de ataque em ligação intima á linha dianteira para manter o ritmo ofensivo. Ele quebrava-se invariavelmente no quinteto da rectaguarda adversária, enquanto os avançados «leoninos» se perdiam a meio campo com lances a queimar tempo, sem a marca das suas investidas frontais, tão exuberante de golos.

O F. C. do Porto manteve-se admiravelmente neste ritmo, e poderia levar bastante longe a expressão numérica do marcador se pudesse contar na frente com homens expeditos, ligados e generosos. Como isso não aconteceu o unico golo — na primeira parte — foi insuficiente para ilustrar o domínio territorial dos locais e os lances consentidos pela exibição modesta de Cardoso e Marques.

No segundo tempo os lisboetas dispuseram-se melhor para o ataque. A colocação no terreno foi a mesma, variando para a troca de lugares. Entraram a dominar e sairam da mesma maneira, isto é, impondo uma superioridade de ataque flagrantíssima, vantagem que não apareceu na extrema defesa.

Dissemos que o Sporting deve a sua vitória á variedade dos seus esquemas de jogo e ao trabalho de permuta realizada por interiores e extremos.

Foi realmente assim.

Enquanto no primeiro tempo os avançados «leoninos» variaram muito pouco as suas posições o desgaste do adversário saíu sempre vitorioso e matematicamente certo, porque a marcação não foi contrariada com o entrecruzar da troca de lugares que deu movimento mais largo e mais profundo à vanguarda lisboeta, o sistema de marcação do F. C. do Porto baralhou-se o suficiente para criar clareiras na grande área donde foram despedidos os quatro golos do vencedor. E o Sporting surgiu então com todos o poder da sua classe, dentro do ritmo certo do seu jogo e impondo um domínio territorial evidente e objectivo.

O adversário foi enleado na urdidura de lances em profundidade que deram animação e emotividade ao jogo.

Não terminamos sem aludir a um facto revelado pelos argentinos do São Lourenzo e para o qual chamamos a atenção dos orientadores das nossas equipas. Queremos referir-nos á posição dos médios de ataque que devem colaborar de muito perto com os avançados nas investidas.

Além de permitir uma protecção mais rápida favorecem — quase sempre — o sentido de desmarcação e o descongestionamento do jogo.

O árbitro conimbricense Adriano Gonçalves não forneceu grandes elementos á crítica. Trabalho honesto.

Por Artur Freire

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Época 61/62. Nos anos 60, o Diário Popular já tinha um suplemento de desporto e, além dos relatos, escrevia também crónicas de jogo, que eram publicadas no dia seguinte. A 1 de outubro de 1961, o Sporting venceu no Estádio das Antas por duas bolas a a zero. No final da época, terminou em primeiro lugar. O FC Porto foi segundo, a dois pontos (43 vs.41). O jornalista Rodrigues Teles escreveu a crónica de jogo e começou sem rodeios: nenhuma das equipas jogou bem.

A defesa «leonina» fez tudo o que foi necessário para construir a vitória

(Diário Popular, 2 de outubro de 1961)

Poderá afirmar-se que nem o Sporting nem o F. C. Porto jogaram bem. Esta afirmação parece não definir rigorosamente o nosso ponto de vista e convém por isso um aditamento que imprima ao parecer do crítico outro mais exacto: o Sporting não jogou uma boa partida, aquilo que tem forçosamente de saber; e o F. C. Porto esteve muito longe de proporcionar uma exibição que tranquilize os seus adeptos, ontem desoladoramente afastados do Estádio das Antas. Não se confia no grupo.

Insistindo, ainda, com outra imagem: o Sporting sem exibição notável — ganhou por números que se ajustam à sua superioridade territorial e técnica; o F. C. Porto nunca chegou a constituir verdadeiro perigo para o adversário, facto que pressupõe, evidentemente, a denúncia duma fragilidade assustadora.

Assenta o nosso parecer, na modéstia do jogo de ambos; mas na certeza de que os vencedores tiveram para si o quinhão mais razoável, a única fatia saborosa de um desafio sem especial vibração, apenas condimentado pelos números

(Continua na 3.ª pág.)

A equipa «portista» terá de sofrer profunda remodelação

(Continuação da 1.ª pág.)

que não atraiçoaram a verdade lógica do jogo.

Afinal, nada contribuiu, de certeza, para o desnível entre os dois grupos, um em relação ao outro. Embora em volta do Sporting fossem tecidos pareceres marcadamente insuspeitos, sabíamos que a crise técnica do F. C. Porto, por variadíssimas razões, oferece aos olhos de toda a gente um volume assustador e difícil de impedir, pelo menos por enquanto.

A equipa portuense, por muito que se deseje, não pode enganar ninguém. As suas «pedras» mais valiosas, e ainda existem algumas, demonstraram uma extraordinária falta de capacidade física, absoluta carência de antecipação, destreza no salto, mocidade, enfim, e daí a vantagem que o Sporting não deixou de exibir, mesmo sem deslumbrar o público e naturalmente a si próprio.

Os «portistas» morosos, inseguros e sem colocação, tentando perfurar á custa de passes laterais, sem profundidade e sem escolha de espaços vazios ou desmarcações subtis, viram-se logo de entrada «espartilhados» por uma defesa que, além de segura no embate, chegou sempre primeiro a todos os lances de bola solta. A nossa convicção de que um golo na baliza «portista» não mais seria superado, foi garantida por dois factos irrecusáveis: o de ter acontecido assim mesmo, e o de haver saído o primeiro tento da própria defesa «leonina». Lúcio, com se sabe, lançou uma das suas habituais «pedradas», com a bola parada para a execução de um castigo, e o segundo golo serviu apenas para uma natural confirmação de superioridade — onde não há uma réstea de dúvida, ou de ilegalidade.

O ataque «leonino» não teve uma acção que possa considerar-se esmerada. Entrou muitas vezes na zona de remate, mas a vitória ficou a dever-se inegàvelmente aos sectores recuados, principiada no «livre» «demolidor» de Lúcio, e garantida a seguir pelos colegas da linha, onde Pérides esteve primoroso de colaboração e de engodo nos próprios remates à baliza de Américo.

Perguntar-se-á: se foi a defesa que venceu o jogo, no Sporting, é porque o adversário atacou…

Responderíamos: isso é que não!

O F. C. Porto atacou menos, jogou menos, mas o ataque «leonino» teve atrás de si quem lhe emprestasse forças para se manter com maior segurança sobre a baliza contrária. Assim como quem lhe diz: mantenham-se lá na frente e tentem, pelo menos, um golo, que a gente cá o segura. E se não o conseguirem… faremos nós por isso. E assim foi: a defesa «leonina» começou por aí mesmo!

Claro que o F. C. Porto procurou algumas vezes o empate, mas sem nunca nos dar a impressão de que o saberia conquistar.

Faltou-lhe nervo, faltou-lhe velocidade, alegria, descontracção e… jogo. Depois, tornou-se incompreensível a insistência de manter Serafim a extremo-esquerdo, quando em breves minutos provou capacidade como avançado-centro, o seu antigo lugar de junior. Os melhores momentos do ataque portuense, poucos, apareceram por influência de Serafim, uma vez que Hernani, empurrado para o meio-campo, por vontade própria ou por decisão dos «leões», só de longe a longe aparecia para unir os colegas, para dar uma pitada de ordem à sua gente.

Infere-se de tudo isto que o vencedor jogou quanto precisava para obter dois preciosos pontos, sem surpreender fosse quem fosse, tanto na «maré baixa» da sua exibição, como na inferioridade, conhecida e reconhecida, dos seus adversários de ontem.

De qualquer modo os adeptos saíram a lamentar-se. Os dois grupos, mesmo o Sporting, têm forçosamente de melhorar, este dando um jeito ao seu ataque, pois a defesa não lhe resolverá algumas vezes certos problemas. Os atacantes do Sporting não souberam lançar o pânico sobre jogadores que complicaram tudo, desde o «falhanço», à prisão de movimentos, até à infantilidade do passe ao seu próprio guarda-redes.

Possuiu o Sporting, ainda, um homem para o «meio-campo», mais esclarecido do que outro qualquer: Pérides. Enquanto Lúcio actuou com o seu estilo demolidor, forte e feio, potente no golo, Pérides salientou-se pela «expressão» do passe limpo, do próprio remate conjugado pela sua infiltração oportuna, feita na sombra dos companheiros na ânsia de lhes transmitir confiança e poder ofensivo.

No entanto, o F. C. Porto nunca conseguiu atingir a mesma bitola; nem modestos conseguiram ser, embora Hernani e Serafim o tentassem, embora Ivan ainda fosse à grande área preparar o impossível. Nada mais: o F. C. Porto não tem equipa e não a terá frente ao Sporting ou a outro qualquer se continuar a desconhecer as desvantagens da remodelação há muito aconselhada.

Por Rodrigues Teles

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Época 62/63. Nova vitória dos leões na visita às Antas, pelo segundo ano seguido. Era a segunda vez na História que isso acontecia. O resultado ficou 1-3 para a equipa de Lisboa. E, nesta altura, o Sporting vencer nas Antas, era, pelos vistos, habitual, como escreve o jornalista do Diário Popular, na crónica publicada no dia seguinte ao jogo. Atenção ao caso de arbitragem, que deve ter feito correr bastante tinta nos dias que se seguiram. Lugar no campeonato? Terceiro. E o FC Porto? Segundo. Campeão: o Benfica.

A organização defesa-ataque encadeada por jogo mais ordenado deu a superioridade aos «leões»

(Diário Popular, 26 de novembro de 1962)

O facto de Serafim, nos primeiros minutos da partida, ter abandonado o campo visivelmente incapaz para o jogo, e ter regressado um quarto de hora depois, mas sem força muscular para se exibir á altura do seu reconhecido valor — pode constituir uma desculpa de ter em conta nesta derrota sofrida pelo F. C. Porto. Desculpa, de resto, muito ligeira.

É que a equipa do Sporting, mesmo sem o peso desta facilidade, foi inegávelmente superior ao grupo nortenho, mercê da organização defesa-ataque em todos os momentos encadeada por futebol mais ordenado, mais solto, autoritário em remate e rude na luta, senhor de um pontapé demolidor, muito capaz de abalar algumas vezes o sistema defensivo do Sporting ou de qualquer outra equipa portuguesa. Ao F. C. Porto faltou, portanto, sem duvida alguma, a unidade que mais poderia dar uma valiosa achega ao seu possível triunfo.

Mas este colapso físico de Serafim trouxe precisamente ao de cima a inferior capacidade quanto a manobra e quanto a remate dos seus restantes companheiros. Nenhum se mostrou esclarecido (talvez queiramos dizer mentalizado) sobre o que a cada um convinha fazer em tal emergência e a defesa do Sporting pôde assim neutralizar descidas que nunca levaram o selo de grande perigo, salvo uma ou outra que Joaquim Jorge e Hernanin produziram na tessitura do meio-campo, aqui e além continuadas pela fogosa boa vontade revelada pelo montijense Pinto.

Ora tudo isto foi muito pouco para dobrar a ausência de Serafim. Se o avançado-centro Azumir, por exemplo, soubesse prender um pouco mais a bola em vez de dar imediato seguimento ao passe, rematando de qualquer angulo á pressa, talvez a defesa do Sporting não brilhasse como brilhou, tantas e tantas facilidades lhe foram proporcionadas pelos avançados válidos do F. C. Porto.

Explicada, portanto, toda a importancia da lesão de Serafim na marcha dos acontecimentos, chegamos agora e já não é sem tempo, á justiça do triunfo «leonino». Tal como costuma suceder nas Antas, o Sporting ganhou o encontro após uma exibição que talvez não tinha sido brilhante, mas que foi inapelá-

(Continua na 3.ª pág.)

O único golo dos «portistas» foi precedido de «fora de jogo»

(Continuação da 1.ª pág.)

velmente superior á do seu adversário. E o termo «inapelável», ao fim e ao cabo, abrange a própria quebra do seu voluntarioso extremo-esquerdo que ainda foi criador, afinal, de algumas situações complicadas para a baliza de Libanio.

Houve por parte do Sporting a preocupação clara, dominante, de não perder tempo em jogadas de ataque e nesse estilo frutuoso teve sempre muita influência qualquer dos três brasileiros da frente que chegaram a ser preciosos na tabelinha entre si ou na cedência da bola para Morais, elemento de bons pés e ontem felicíssimo nas desmarcações para a zona frontal da baliza. Houve, também, na maneira de esgrimir dos defesas, uma determinação que deve ter perturbado os portistas da frente onde Azumir cedeu todos os lances corpo-a-corpo, tão fácilmente o subjugou Morato. E para além disso, que é muito, complete-se o quadro com a opinião de que a entreajuda pela banda dos vencedores constituiu em todas as alturas o melhor condimento desta sua vitória nas Antas.

Logo, excluida por obrigação crítica a incapacidade que atingiu um dos mais influentes jogadores do F. C. Porto, conceda-se ao Sporting o mérito de ganhar bem, de ter sido autoritário em três partes do desafio e, ainda para mais, de saber reagir ao golo de empate do F. C. Porto, obtido nos primeiros segundos da segunda parte de «fabrico» irregular, quanto a nós, e ainda a tempo de combalir as mais sólidas aspirações.

O público queixou-se imenso da arbitragem. Não nos pareceu que tivesse razão, embora a equipa do F. C. Porto reclamasse enérgicamente junto do árbitro quando do terceiro golo do Sporting. Não vimos qualquer falta e até nos pareceu que o tento saiu de uma série de más intercepções da defesa portista — que ainda confirmou a entrada da bola na rede. Já a legalidade no que toca á marcação do ponto de Azumir — deixou-nos sérias duvidas. A bola foi passada por um jogador deslocado.

Por Rodrigues Teles

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Época 2015/2016. 30 de abril de 2016. Na Rua Luz Soriano já não mora o Diário Popular, nem tão pouco a gráfica onde era impresso o jornal (na cave). No piso que era ocupado pela administração do vespertino lisboeta está agora a redação do Observador, onde estes dois trabalhos que pode ler em baixo foram produzidos. O “relato” do jornal deu lugar a um liveblogue:

E a crónica, bom, a crónica continua a ser feita como antigamente. Só saiu do papel para o online. Assim contou o Tiago Palma o que aconteceu naquela noite em que o Sporting marcou três golos no Dragão:

Classificação: Benfica campeão, Sporting em segundo apenas com menos dois pontos e o FC Porto num terceiro lugar muito distante.

Daqui não saio, daqui ninguém me tira

(Observador, 30 de abril de 2015)

O Benfica jogou primeiro, venceu, e ficaria a uma vitória do título caso o Sporting perdesse hoje com o FC Porto. Não perdeu. E não perdendo, o título será disputado até à última gota de suor.

Não havia cá espaço para patrocinadores e nomes longuíssimos. Ainda se chamava Campeonato Nacional da I Divisão. Só. Estávamos na temporada de 1969/1970. Mais concretamente a 8 de fevereiro de 1970. Nessa tarde, o Sporting treinado por Fernando Vaz, com Damas (ainda catraio, apenas na sua segunda época como titular) na baliza, o capitão Hilário na lateral canhota e o ponta-de-lança Lourenço a pairar na área adversária, foi vencer ao velhinho estádio das Antas por 1-0. O golo foi precisamente de Lourenço — o tal que fez um “póquer” na Luz em 1965. Esse foi o derradeiro ano em que o Sporting, sendo campeão no final, venceu o FC Porto como visitante.

Está época poderá ser ou não. Não é líder, mas não dá o título por entregue ao Benfica. E podia, se perdesse ou empatasse na deslocação ao estádio do Dragão. Não perdeu. E na frente, continua tudo na mesma: o Benfica é líder com dois pontos de vantagem sobre o rival da Segunda Circular, vai à Madeira na próxima ronda defrontar o Marítimo, e recebe os também madeirenses do Nacional na derradeira jornada. O Sporting, por sua vez, recebe o V. Setúbal no próximo fim de semana e termina o campeonato na “Pedreira”, em Braga. Vai ser até à última, isso é certo.

Mas vamos ao jogo. Esta noite não houve Lourenço, mas houve Slimani. Muito Slimani. Slimani em todo o lado e não somente a marcar. Curiosamente, foi João Mário, outro que encheu o relvado do Dragão, a criar perigo primeiro. E cedo: aos 5′. Tudo começou em Adrien, que cruzou da direita do ataque para a área, um cruzamento que Casillas tirou de lá a punhos. A bola acabou à entrada da área nos pés de William, este chutou de primeira, um remate torto, mas que ainda desviou (quase sem querer, diga-se) no calcanhar de Ruiz, desmarcando João Mário na área. O médio do Sporting rematou à ninja, de pé direito e todo no ar, mas a bola saiu por cima do poste. Artur Soares Dias anulou a jogada pouco depois. O camisola 17 estava em fora-de-jogo.

No começo, e como é hábito, contam-se espingardas, ninguém se superioriza a ninguém. Mas o FC Porto, no seu primeiro ataque com pés e cabeça, acertou no poste. Com o pé. O de Herrera. O cruzamento é de José Ángel desde a esquerda do ataque (Schelotto não o pressionou e o espanhol teve tempo para tudo), Aboubakar falhou o desviou ao primeiro poste, Rúben Semedo também falhou o corte, e surgiu atrás dos dois (e à frente de Coates) Herrera, a rematar em desequilíbrio. Patrício estava batido, mas a bola foi caprichosamente para o poste esquerdo do guarda-redes do Sporting, agarrando-a Patrício depois e evitou males maiores — Aboubakar estava lá para o desvio.

Bola cá, bola lá. Ora contra-atacas tu, ora eu. Os ataques superiorizavam-se às defesas. E viam-se fífias nas zonas mais recuadas num e noutro lado. A do Sporting meteu água aos 17′. E meteu água logo a dobrar. Primeiro é William a não cortar para fora da área uma bola bombeada pela FC Porto lá para dentro. E nem tinha oposição de ninguém com camisola listada de azul-e-branco, William. Depois, no seguimento da jogada, é Marvin a cortar, sim, mas para dentro da própria área. O holandês, diga-se, tinha Corona (que até é meia-leca e Marvin um matulão) nas costas. O “corte” de Marvin Zeegellar foi ter com Aboubakar, que ainda desviou nas barbas de Patrício para o golo. Desviou a bola, errou o alvo, mas tocou também nas luvas do guarda-redes do Sporting com a pontinha da bota. Artur Soares Dias marcou falta de pronto.

O Sporting não tem Aboubakar, tem Slimani. O que não é bem, bem a mesma coisa. E quando a defesa do FC Porto compromete, ele aproveita. Aos 23′ o goleador de Alvalade fez o 1-0 no Dragão. Mas o trabalho de João Mário é um primor de técnica e força. William, nos terrenos que são seus, bem no centro do meio-campo, viu João Mário sozinho na direita, e assim o viu, assim lá pôs a bola. João Mário recebeu-a, uma receção orientada que deixou José Ángel nas covas, avançou para a área, e mal lá meteu o pezinho (e os de João Mário são de “lã”), cruzou. Slimani, na pequena área, viu a bola chegar-lhe no espaço entre Martins Indi e Casillas, e desviou com calma para o 1-0. É o 4.º jogo seguido de Slimani a marcar. O seu 25.º golo no campeonato, o terceiro ao FC Porto esta época.

Aos 32′, quase, quase que Slimani voltava a molhar a sopa. E do mesmo sítio. Adrien abriu em Schelotto na direita, o ítalo-argentino cruzou rasteiro para a área, encontrou Slimani ao primeiro poste, mas o desvio foi defendido por Casillas. No minuto seguinte, penálti. Mas do lado contrário. Brahimi é derrubado por Coates na área do Sporting. O toque não é ostensivo, mas aconteceu. No um-contra-um, o argelino trocou as voltas ao central do Sporting com uma finta, ganhou-lhe a frente e caiu. É Herrera, de penálti, a empatar o jogo no Dragão. E este é daqueles sem espinhas: Patrício caiu para a esquerda, o mexicano rematou rasteiro para o lado contrário. O mexicano volta a marcar num Clássico depois de ter marcado na Luz, frente ao Benfica.

Continuavam as defesas a ter má-pinta. Sabendo nós como Jesus é, Semedo e William ainda devem estar por esta altura com as orelhas a arder. Nem um nem outro acompanharam a desmarcação de Herrera pelas suas respetivas zonas de marcação, o mexicano foi desmarcado por Brahimi (que vinha a ziguezaguear desde a esquerda e a arrastar com ele Schelotto e Adrien) aos 36′, recebeu a bola, avançou para a área e rematou. Errou o alvo, mas sentia-se o nervosismo, a tremedeira na defesa do Sporting. Afinal de contas, era proibido perder — ou sequer empatar.

A história repetiu-se. A defesa do Sporting deu uma abébia, o FC Porto não quis nada com ela. Mas quando a sua também deu, Slimani aproveitou e recolocou o Sporting na frente. Foi mesmo em cima do intervalo, aos 44′. Martins Indi fica muito mal na fotografia. Mas não foi só ele. Marvin tinha a bola nas mãos, rodopiava-a, lançou-a num ápice para Bryan Ruiz, e com isso deixou Corona e Maxi de candeias às avessas. Ruiz esgueirou-se pela esquerda, ergueu a cabeça, e só tinha Slimani na área, lado a lado com Martins Indi. Cruzou para lá, e nos segundos entre a bola sair da sua canhota e chegar à área, Slimani deu um passou atrás (Indi não), e cabeceou para o 2-1. O priii, priiiii de Artur Soares Dias soou logo a seguir.

O jogo recomeçou num corrupio. E que minuto louco foi o primeiro. O primeiro remate do jogo foi de Slimani, de fora da área e à figura de Casillas. No contra-ataque do FC Porto, Corona ganha a frente a Marvin, entra na área, e cai. Penálti não há, mas a verdade é que o mundo parou por segundos. Marvin, com Corona por terra, não cortou a bola; William também não. Maxi andava por lá, e com ele não há paragens enquanto houver jogo: rematou de canhota. Patrício defendeu para a frente, por reflexo. Ufaaaaa!

51′. O livre era frontal, ligeiramente descaído sobre a esquerda, e só Sérgio Oliveira lá estava para marcar. Não tomou muito balanço, aguardou de mão na anca pelo apito de Soares Dias, e rematou quando se fez ouvir. Um remate em arco, forte, ao qual Patrício (mesmo voando como voou) dificilmente chegaria. A trave ainda estremece por esta hora. O FC Porto entrou melhor do que na primeira parte. Disso não há dúvida. Ainda assim, o Sporting também estava perto do 3-1. Cinco minutos depois do remate de Sérgio Oliveira, o lance não deu em golo, mas podia. Ah, de podia. Que combinação foi a dos avançados-centro do Sporting. Schelotto, num dos seus vai-e-vem pela direita, encontrou Slimani à entrada da área, o argelino, como é matulão, aguentou a marcação, e isso deu tempo para que Teo se desmarcasse. Depois, Slimani “picou” a bola sobre a defesa do FC Porto, Teo recebeu-a na área, e cruzou. Mas cruzou para a frente. Se isso é um problema. É. E é-o quando Ruiz acha que o cruzamento será dois passos para trás e faz o movimento contrário.

José Peseiro tinha que mexer no jogo. Se queria vencer, tinha que mexer. E mexeu. Aos 61′ tirou Sérgio Oliveira e fez entrar André André. Depois, aos 68′, entrou Varela para o lugar de Corona. E isso mudou tudo. O FC Porto tornou-se mais perigoso pela direita, uma vez que Varela é veloz e André André também cai nesse flanco. Marvin e Ruiz não estavam a dar conta deles. Mas isso era na defesa. No ataque o Sporting dizia sempre presente. Ruiz cruzou da esquerda para a área aos 69′, Slimani saltou nas costas de Danilo e Chidozie ao segundo poste, falharam os dois o corte, e Slimani cabeceou só. E cabeceou com a potência que muitos avançados não têm nas botas, quanto mais na cabeça. Casillas, todo no ar, defendeu só com a luva esquerda, para longe. Cheirou a 3-1 e a hat-trick de Slimani. Voltando às mexidas do FC Porto. Jesus anulou-as. E bastou-lhe para isso chamar Bruno César, colocá-lo na vez de Teo, e ganhou aquela lateral.

A lateral e o jogo. Aos 85′, Casillas entrega a vitória ao Sporting num lance onde é mal batido. Mas o mérito é todo de João Mário, que vindo da direita se pôs na esquerda num ápice, avança pelo meio-campo fora, e ainda teve força para desmarcar Bruno César nas costas de Chidozie. O brasileiro, acabadinho de entrar, deu razão a quem o apelidou de “chuta-chuta”, e chutou mesmo. O remate foi forte e rasteiro, Casillas fez-se ao lance, mas a bola passou-lhe entre o peito e o braço direito, num lance em que se pedia mais. Depois foi ver o espanhol a correr atrás da bola, mas não foi a tempo de a tirar de dentro da baliza. Os adeptos saíram aos magotes do estádio depois do 3-1. O jogo acabaria logo a seguir.

Não sabemos se o Sporting voltará a ser campeão como foi em 1969/1970, ano em que também venceu na Invicta. Mas Jesus já matou um “borrego”: o treinador dos leões só venceu um dos 15 jogos no Dragão — e já perdeu 18 vezes diante do FC Porto. Quanto aos verde-e-brancos, não ganham lá desde 2007.

Por Tiago Palma

***

Época 2016/2017. Este sábado, o FC Porto recebe o Sporting no Estádio do Dragão. As duas equipas estão separadas por seis pontos e o FC Porto está apenas a um ponto de distância do líder do campeonato, o Benfica. Se o Sporting conseguisse ganhar no Porto, seria a terceira vez na História que o faria em dois anos seguidos. Mas só vamos saber isso daqui a umas horas. Para acompanhar o liveblogue e ler a crónica do jogo, passe por aqui a partir das 20h30.

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