1236,9kWh poupados 1236,9 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-1512418908
i

▲A maior parte das sondagens coloca o PSOE de Sánchez à volta dos 130 lugares

AFP via Getty Images

▲A maior parte das sondagens coloca o PSOE de Sánchez à volta dos 130 lugares

AFP via Getty Images

Habitação, voto útil e pressão no PP. Como Sánchez tenta sobreviver ao "salto mortal sem rede"

A janela de oportunidade é estreita e a aposta arriscada, mas os socialistas estão, pela primeira vez em meses, otimistas. Prioridade é manter habitação como foco nos menos de dois meses até à eleição

    Índice

    Índice

Primeiro, rebentou o caso Koldo. Depois, as acusações de corrupção tocaram a mulher do primeiro-ministro. Já em 2026, as investigações visaram o antigo líder dos socialistas, José Luis Rodríguez Zapatero, e nomes dentro da atual liderança. À acumulação de casos e suspeitas de corrupção somou-se, mais recentemente, a crise migratória em Ceuta. Em cada caso, o líder do PP Alberto Núñez Feijóo reagiu com o mesmo pedido: a demissão de Pedro Sánchez e eleições antecipadas. E a todas as críticas, o chefe do Governo insistiu que só iria a eleições em 2027.

Esta semana, o sonho de uma legislatura de quatro anos caiu por terra. Na segunda-feira, Sánchez anunciou a dissolução do parlamento e convocação de eleições para o dia 29 de novembro. “Finalmente, o povo espanhol vai poder decidir!”, celebrou Feijóo. Com menos de dois meses até ao dia da ida às urnas, inicia-se agora uma corrida em contrarrelógio: as listas têm de ser apresentadas entre 21 e 26 de outubro e a campanha começa no dia 13 de novembro. As sondagens não são animadoras para o PSOE e continuam a apontar que uma coligação entre o PP e o Vox será suficiente para uma maioria absoluta.

GettyImages-1785953813

▲ A recondução de Sánchez no cargo de primeiro-ministro em 2023 parecia impossível

Anadolu via Getty Images

Apesar de todos os obstáculos, Sánchez mostra-se, ainda assim, otimista. Isto porque, em vez de fazer campanha sobre corrupção ou imigração — ou seja, nos termos da oposição —, o líder socialista pode agora focar-se nas prioridades do seu Governo, especialmente na habitação, o tema que levou milhares de pessoas às ruas em Espanha e levou Sánchez a convocar as eleições antecipadas. A janela de sucesso parece impossível. Contudo, como nota a imprensa espanhola, o mesmo foi dito em 2023 e Pedro Sánchez acabou por sair por cima. Agora, tenta repetir o feito.

Feijóo arranca campanha em Ceuta e promete expulsar os migrantes que continuam no enclave dois meses depois

As duas sondagens positivas que fugiram à regra e animaram o PSOE

Ao longo dos últimos meses, as tendências das sondagens em Espanha apontavam num único sentido: uma maioria dos partidos à direita. Ora, este cenário já era antecipado pelas sondagens relativas às eleições legislativas de 2023, mas os problemas para a esquerda acentuavam-se agora, uma vez que os inquéritos indicavam uma possível maioria absoluta de uma coligação PP-Vox, uma possibilidade que ambos os partidos já aceitaram.

Uma sondagem do barómetro GAD3 realizada entre os dias 1 e 3 de setembro, apontava para uma vitória do PP, com 31,1% das intenções de voto. No parlamento, a percentagem traduzir-se-ia em 133 lugares, menos quatro do que conquistou em 2023. Do outro lado do espectro, também o PSOE caía em relação às últimas eleições, mas de forma mais acentuada. De 121, os socialistas passavam para 105 lugares (26,1%). Os dois partidos ficavam aquém dos 176 lugares necessários para uma maioria absoluta e o Vox emergia como decisivo: com 19,2% das intenções de voto e 69 lugares, o partido da extrema-direita triplicava os votos de 2023.

GettyImages-1645172755

▲ As sondagens apontam uma possível maioria absoluta entre PP e Vox

AFP via Getty Images

Esta divisão de forças era refletida de forma mais ou menos generalizada nos restantes inquéritos, com apenas uma exceção. Um estudo do CIS do início de setembro colocava o PSOE em primeiro lugar, com 31% das intenções de voto, cinco pontos percentuais à frente do PP. Este fim de semana, os resultados positivos para o partido do Governo surgiram num outro estudo: um inquérito encomendado pelo PSOE e que reuniu mais de 7 mil respostas.

Fontes socialistas, citadas pelo El Mundo, relatam que esta sondagem interna colocava o PSOE com 130 lugares, três a mais do que o PP. O jornal espanhol define este estudo como o fator que levou Pedro Sánchez a dar “um salto mortal sem rede”, ou seja, a convocar eleições antecipadas com poucas expectativas de vitória. Mas a estratégia dos socialistas não se baseia apenas na sorte e em duas sondagens contracorrente à tendência.

“Podemos mudar a narrativa”. Maricarmen permitiu a Sánchez fazer campanha sobre a habitação

Quarta-feira, dia 23 de setembro. Em Madrid, no bairro do Retiro, Maricarmen, de 87 anos, é despejada do apartamento onde viveu as últimas sete décadas. A ação de despejo conta com a presença de ativistas que lutam pelo direito à habitação e muitas câmaras fotográficas. O momento inspira protestos, críticas e, para o Governo, uma oportunidade. Foi ainda em Nova Iorque, onde se tinha deslocado para a Assembleia Geral das Nações Unidas, que Sánchez recebeu um alerta dos seus conselheiros, relata o El País, que reconstituiu a ação do Governo nas últimas semanas.

epa13267428 People camp in protest at Puerta del Sol in Madrid, Spain, 27 September 2026. The encampment began on the evening of 26 September following a demonstration over the eviction of Maricarmen, an elderly woman forced to leave the rental home where she had lived for more than 70 years, and calling for measures to address the housing crisis.  EPA/BORJA SANCHEZ-TRILLO

▲ Os protestos sobre o estado da habitação deram a Sánchez a oportunidade de se colocar do lado da opinião pública

BORJA SANCHEZ-TRILLO/EPA

“Por que não utilizar o momento e a atenção da opinião pública para avançar as medidas antidespejo que o Governo andava a negociar com os parceiros no Parlamento há meses?”, terá sugerido a equipa da Moncloa. O Governo avança com o anúncio, dá-lhe o nome de “decreto Maricarmen”, mas quando chega ao plenário, o projeto já vai com chumbo certo. O Junts, o partido independentista da Catalunha e o mesmo que tinha bloqueado as negociações internas, já tinha informado o Executivo de que iria votar contra os dois projetos.

Para alguns membros do Governo, o virar de costas do Junts era um mau prenúncio para a aprovação do Orçamento de Estado, mas, para outros, era uma “oportunidade” para ir a eleições. “Podemos mudar a narrativa, falar de habitação, saúde, educação, os temas que importam. Temos de ir com tudo”, sintetiza o jornal espanhol, que ouviu várias fontes da Moncloa. A mudança de rumo da opinião pública já se fazia sentir na imprensa, onde se falava agora de protestos sobre habitação e não sobre protestos relativos à crise em Ceuta.

Atento aos apelos dos seus conselheiros, Sánchez justificou o anúncio de eleições antecipadas exclusivamente deste ângulo — deixando para trás os meses de pressão para que fosse às urnas por outros motivos. “Se a maioria do Parlamento vira as costas aos seus cidadãos num tema como a habitação, então os cidadãos têm de eleger um novo Parlamento“, simplificou, ao anunciar as eleições.

"Definir sobre o que vai ser a campanha é em si mesma uma vitória política. Se ele consegue manter este foco durante dois meses e convertê-lo em votos, ainda é incerto."
Asbel Bohigues, professor de ciência política na Universitat de València

“Definir sobre o que vai ser a campanha é, em si mesmo, uma vitória política”, argumenta Asbel Bohigues, professor de ciência política na Universitat de València. Num artigo de análise, o especialista salienta que a definição de um tema fraturante procura mobilizar os eleitores frustrados e abstencionistas — estudos citados pela imprensa internacional apontam que é provável que perto de um milhão e meio de eleitores de esquerda se abstenha nas próximas eleições. “Se ele consegue manter este foco durante dois meses e convertê-lo em votos, ainda é incerto”, remata Bohigues.

A aposta no voto útil e a esperança de “implosão” do PP. A estratégia socialista

Com o tema de campanha definido, o PSOE passou então à estratégia no terreno. Nesta dimensão, os socialistas estão à procura do voto útil dos círculos eleitorais de pequena e média dimensão. A estratégia foi relatada por fontes dentro do partido ao El Mundo, mas mesmo vista de fora, é fácil de compreender: os socialistas procuram mobilizar o voto mais à esquerda, uma jogada facilitada pelo caos interno dos parceiros minoritários da coligação de Governo, o Sumar.

Nos últimos dias, a coligação de esquerda que apoia o Executivo de Sánchez anunciou uma reformulação: são agora a Frente Amplio. Os partidos integrantes da coligação só serão revelados no dia 17 de outubro, mas enquanto a esquerda se organiza em contrarrelógio, a máquina do PSOE pode avançar em pré-campanha.

GettyImages-1785874739

▲ Apesar de ser parceiros de coligação, a confusão interna no Sumar pode ajudar o PSOE

Anadolu via Getty Images

Não quer isto dizer que Sánchez tenha virado as costas aos parceiros. Pelo contrário, o ainda primeiro-ministro continua a reconhecer a necessidade de a esquerda maximizar os seus votos — desde que o faça nos grandes círculos eleitorais, onde estes se podem traduzir efetivamente em lugares no Parlamento. Depois das eleições, o PSOE espera poder voltar a fechar acordo com o Sumar (ou qualquer nova reformulação destes atores políticos). Pelo menos foi isso que Sánchez terá dito aos ministros do Sumar durante uma reunião do Conselho de Ministros na mesma segunda-feira em que anunciou as eleições antecipadas: “Vocês têm de ter pelo menos 10%” dos votos, atirou aos colegas do Executivo, segundo o El País.

Na visão dos socialistas, nem uma maioria de direita — desde que não seja uma maioria absoluta — pode travar um novo Governo da esquerda. Segundo o El Mundo, a liderança do PSOE acredita que o crescimento exponencial do Vox — os cenários mais extremos colocam a extrema-direita com 80 lugares no Parlamento — possa ser perigoso, não é do partido de Santiago Abascal que depende um acordo minoritário à direita, mas do PP. Um segundo lugar dos conservadores, atrás do PSOE, faria o partido “implodir” e poria em risco a liderança de Feijóo, escreve o jornal, que cita fontes socialistas.

O professor Asbel Bohigues faz a mesma análise, destacando que, depois do fracasso em chegar à Moncloa em 2023, apesar de ter ficado em primeiro lugar nas eleições, “uma segunda tentativa falhada seria mais difícil de explicar”. Ainda assim, é inegável que a maior parte da pressão paira sobre o PSOE. Lançados os dados, Sánchez saberá em menos de dois meses se a aposta compensou.

[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.