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Jovem foi alvo de tentativa de assalto em pleno parque de Monsanto. Amigo esperou que ficasse "desorientada" pelo consumo de droga e atacou de seguida
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Jovem foi alvo de tentativa de assalto em pleno parque de Monsanto. Amigo esperou que ficasse "desorientada" pelo consumo de droga e atacou de seguida

Jovem foi alvo de tentativa de assalto em pleno parque de Monsanto. Amigo esperou que ficasse "desorientada" pelo consumo de droga e atacou de seguida

Oito mil euros em notas, nove facadas, um vídeo e a ajuda da mãe do agressor. Jovem resiste a assalto violento em Monsanto

Conheciam-se há um mês e combinaram trocar poupanças num escritório que nunca existiu. Em Monsanto, tentou roubá-la com uma faca de cozinha de 21cm, mas a jovem resistiu. Foi detido com ajuda da mãe.

Na primeira vez que passou de carro pela Estrada do Alvito, em Monsanto, umas luzes de lanterna na zona de mato, ao lado da estrada, despertaram-lhe a atenção e “fizeram-no sentir algo estranho”. Por isso, voltou para trás. À segunda passagem, percebeu que alguém estava a ser agredido violentamente no escuro. Já passava da meia-noite da passada terça-feira quando um jovem de 20 anos se apercebeu de um confronto entre duas pessoas, a escassos metros de um carro encostado na berma da estrada que serpenteia o parque. Sem o saber naquele instante, o rapaz já se tinha tornado testemunha de uma tentativa de assalto com extrema violência a uma rapariga de 20 anos.

Nessa segunda passagem pelo local, o jovem estaciona o carro do lado oposto da estrada, a cerca de 10 metros dos dois vultos. Ainda dentro do carro, buzina, grita por ajuda e ameaça chamar a polícia. Depois, começa a filmar.

O vídeo que capta tem apenas quatro segundos, mas nele é possível ver a jovem, já caída no chão, ensanguentada, enquanto o agressor tenta, com sucessivos e violentos puxões, arrancar-lhe das mãos a bolsa que segurava. Lá dentro, estavam guardados oito mil euros em notas. A testemunha ainda consegue filmar a matrícula do Audi A3 cinzento escuro, no qual o suspeito de 21 anos desaparece logo a seguir. Ouvem-se sons de luta, alguns gritos, mas não é possível perceber o que é dito, apurou o Observador junto de fonte conhecedora do processo.

Os dois jovens, ambos portugueses e residentes na zona de Lisboa, conheciam-se há cerca de um mês. Tinham combinado encontrar-se nessa noite com um propósito concreto: fazer a troca de oito mil euros em notas que a jovem tinha juntado com o sonho de ir estudar para Inglaterra. O suspeito de a roubar, e que levou para aquele encontro uma arma branca, acabou por ser detido poucas horas depois, com a colaboração da própria mãe. Ficou em prisão preventiva e remeteu-se ao silêncio no interrogatório judicial. Contudo, durante o momento da detenção, negou tudo. Garantiu que estaria no local com outra pessoa e não com a rapariga que acabara de ser esfaqueada nove vezes.

Prisão preventiva para homem que esfaqueou mulher em Lisboa para roubar 8.000 euros

Um escritório que nunca existiu e a tentativa de deixar a rapariga “atordoada”

Quando fugiu apressadamente de Monsanto, o rapaz deixou para trás a arma do crime: uma faca de cozinha com 21 cm de comprimento, 11 dos quais de lâmina. Ao todo, foram desferidos nove golpes na jovem — cinco nas costas, um no abdómen, dois nos braços e um na perna —, além de murros e pontapés. Tudo no decorrer de uma “guerra pela bolsa” em que a rapariga guardava oito mil euros. No entanto, as notas nunca chegaram a sair do seu interior.

Os dois conheceram-se cerca de um mês antes daquele encontro, numa praia. Desde aí, desenvolveram uma relação de amizade e proximidade. “Não eram namorados”, explica fonte ligada ao processo. “Ele foi conseguindo ganhar a confiança dela. Iam conversando através das redes sociais e estando juntos esporadicamente. Tinham em comum o facto de planearem ir estudar para Inglaterra”, acrescenta.

Numa das conversas que trocaram através do Instagram, a rapariga “acabou por lhe contar [ao suspeito] que tinha oito mil euros em dinheiro para levar para Londres já durante este mês” de setembro. “Foi nesse momento”, de acordo com a mesma fonte, que o rapaz percebeu que podia “apoderar-se” das poupanças da nova amiga.

O amigo foi buscá-la a casa de carro. Mas, pelo caminho, decidiu parar em Monsanto para fumarem aquilo que as autoridades acreditam ser canábis. Já fora do carro, ele espera que a jovem fique "mais atordoada". Depois, tenta ficar com a bolsa do dinheiro.

Os dois já tinham estado juntos várias vezes. Antes do último encontro que teriam, o rapaz “conseguiu convencê-la a levar os oito mil euros” consigo. A ideia era trocar aquele maço mais volumoso por notas de maior valor, para que o pacote a transportar para Inglaterra fosse mais pequeno. Para isso, “vendeu-lhe a história de que trabalhava num escritório na zona de Lisboa e que a conseguiria levar lá para fazerem a troca”. Só que, até agora, a polícia não encontrou rasto de nenhum escritório ou empresa em nome do jovem.

Na noite da tentativa de assalto, o rapaz vai buscá-la a casa de carro, mas, pelo caminho, decidiu parar em Monsanto para fumarem aquilo que as autoridades acreditam ser canábis. Já fora do carro, ele, mais habituado àqueles consumos, tinha a expectativa de que a jovem ficasse “mais atordoada e desorientada por causa do efeito das substâncias”. É nesse momento que o rapaz passa a tentar agarrar a bolsa com o dinheiro — só que a rapariga resiste. Logo a seguir, começam as agressões, precisamente “porque ela resistiu e não se deixou assaltar”.

Ao ver que a jovem não larga a mala, o agressor começa a desferir vários murros e, logo a seguir, puxou da faca que trazia consigo — e atingiu-a nove vezes. Desde que pararam o carro, até ao momento em que ele fugiu, passaram cerca de 20 minutos. E, até esse momento, as autoridades acreditam que a jovem não desconfiou de nada. “O que ela pensou é que iam estar ali a conversar, a fumar como costumavam fazer, e que depois iam ao tal escritório — que nunca existiu”, refere ainda fonte próxima do processo.

A investigação afastou "negócio obscuro" ou tráfico de droga. "Às vezes, as pessoas também são estranhas e o que é lógico para mim pode não ser lógico para uma vítima de 20 anos", afirma a fonte próxima do caso.

Mesmo “sofrida” e no hospital, a vítima “não teve dúvidas” na identificação do rapaz

Na mesma noite em que a rapariga é esfaqueada e levada para o Hospital de São Francisco Xavier, os agentes da PSP conseguem falar com ela. Apesar de estar “sofrida”, “não teve dúvidas” a identificar o suspeito.

Ainda durante a madrugada, o Audi A3 foi localizado graças ao vídeo gravado pela testemunha, que permitiu confirmar a “matrícula e as características do carro”. Quando se deslocaram à casa do suspeito, os agentes depararam-se com a mãe do jovem — uma peça que se revelaria “fundamental” para a investigação, pela forma como colaborou com as autoridades. A mulher confirmou que era o filho quem usava o carro dela na data e na hora do ataque e acabou por ajudar as autoridades a localizá-lo. Indicou aos agentes, em detalhe, o local onde o poderiam encontrar, perto de casa.

"É uma rapariga de 20 anos, que tem o sonho de ir estudar para Inglaterra e que juntou algumas poupanças. Após ganhar confiança com o rapaz, têm uma conversa aberta — como temos com tantos outros amigos —, acaba por ser transparente e, se calhar, demasiado ingénua."

Ao que o Observador apurou, o suspeito já foi reconhecido tanto pela vítima como pela testemunha. O vídeo gravado pelo rapaz que, por acaso, passava por Monsanto naquela noite ajudou a fazer as comparações e a garantir que “não houvesse qualquer dúvida” sobre a identidade do agressor. Por localizar e apreender continua apenas o telemóvel do autor do ataque.

Pelo caminho, a investigação afastou qualquer cenário ligado a um “negócio obscuro” ou tráfico de droga. “Não há qualquer tipo de indícios de tráfico de droga, de qualquer ilícito criminal que pudesse estar a ser praticado ali e que levasse a isto”, garante fonte ligada ao caso. “É um pouco estranho, mas às vezes as pessoas também são estranhas e o que é lógico para mim pode não ser lógico para uma vítima de 20 anos”, afirma ainda a mesma fonte.

“É uma rapariga de 20 anos, que tem o sonho de ir estudar para Inglaterra e que juntou algumas poupanças para ir. Após ter alguma confiança com este rapaz e ter uma conversa aberta com ele — como temos com tantos outros amigos —, acaba por ser transparente e, se calhar, demasiado ingénua. E por causa disso acaba por ser enganada”, conclui.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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