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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Pedro Nuno tem um novo full-time job: dar tudo na campanha para chamar eleitores e desgastar Governo

Pedro Nuno Santos está sempre na campanha -- só esta quarta-feira esteve em três ações, em terreno pró-Chega, e é para continuar. Disparou críticas ao Governo, para ativar a base eleitoral do PS.

Pedro Nuno Santos chega depois da hora de almoço ao seu part-time, que se arrisca a tornar-se um full-time job. Nesta quarta-feira, isso implica chegar à Docapesca, em Olhão, ao início da tarde, e juntar-se a Marta Temido, que espera pelo secretário-geral para visitar a lota. Pela segunda vez em três dias, o secretário-geral do PS está pronto a juntar-se à campanha ao lado da cabeça de lista. E não é um aparecimento simbólico: junta-se a nada menos do que três iniciativas só esta tarde (e quinta-feira voltará ao terreno), provando que para o PS esta é uma eleição europeia onde também se joga o seu futuro nacional.

O PS tinha avisado: Pedro Nuno Santos tinha planos para se juntar de forma “intensa” e “permanente” à campanha. Depois, foi Marta Temido quem, já no terreno e dedicada a dar a volta ao país, explicou aos jornalistas que a presença do secretário-geral do partido seria “absolutamente essencial” para fazer a ligação à “dimensão nacional” destas europeias. E se há coisa que interessa ao PS, como ficou claro desde o dia em que Pedro Nuno declarou que tenciona “ganhar na Europa para logo a seguir ganhar Portugal“, é que essa ligação fique clara. Desta vez, não se recusam leituras nacionais sobre as eleições.

Na caravana socialista, garante-se que a ideia não é centrar a campanha especificamente em Pedro Nuno Santos — até porque se destacam a notoriedade e a empatia que a candidata tem, sem precisar de ajuda –, mas sim ter um envolvimento grande do partido, mostrar que está mobilizado e “ativar a base eleitoral” para umas eleições que são consideradas decisivas.

Ainda assim, no caso de Pedro Nuno, é importante que o líder participe precisamente para frisar a relevância destas eleições, e “ser o primeiro a dar o corpo ao manifesto”. Idealmente, cruzando a dimensão nacional e europeia através das mensagens que irá deixando sobre as prioridades que o PS escolheu — habitação, jovens e emprego à cabeça.

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Pedro Nuno ao ataque. Alvo: Governo, Governo e mais Governo (e Marcelo)

No caso desta quarta-feira, depois de dar uma volta pela lota e de se inteirar dos níveis de exportação do peixe ou das queixas dos pescadores sobre o estado envelhecido dos portos, Pedro Nuno dedicou-se a disparar ataques, neste caso inteiramente sobre atualidade nacional. Alvo: o Governo. Motivos: variados, sendo que iam sendo introduzidos pelos jornalistas mas terminavam com respostas que tornavam claro que o PS tem na cabeça um guião bem definido, e que desemboca em críticas a um Governo que “governa para uma minoria“, que faz constantes Conselhos de Ministros para correr atrás do prejuízo e que não tem uma “visão” de futuro.

Tudo aspetos que Pedro Nuno Santos parece querer ver avaliados pelos portugueses no próximo dia 9 de junho. Desta vez, começou pelo plano de emergência do Governo para a Saúde, que classificou como um “Powerpoint” (ironicamente, uma crítica que a oposição costumava lançar com frequência à apresentação de propostas do Governo socialista) e uma “grande desilusão”; foi ao plano do Governo para ajudar a Ucrânia, falando num “padrão” de o Executivo anunciar apoios que já vinham do Governo anterior; e comentou o adiamento das negociações parlamentares sobre a redução do IRS com uma dupla crítica ao PSD — a redução do IRS tem de ser mais justa, e portanto mais negociada, e não é o PS que procura apoios no Chega quando precisa.

Depois, Pedro Nuno atirou-se ainda a Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência das várias declarações que o Presidente da República tem feito a pressionar os partidos para que não chumbem o próximo Orçamento do Estado. E, enquanto lançava críticas duras ao Presidente da República, recordando que há “separação de poderes” e que se Marcelo quisesse estabilidade não teria dissolvido a Assembleia da República, aproveitou para voltar a disparar sobre o Governo e registar a “distância” que diz estar a aumentar entre PS e Aliança Democrática “a cada pacote de medidas que é apresentado”.

Boa parte das críticas coincidiu, de resto, com as que já tinha feito na sua primeira aparição de campanha, no dia de arranque, num comício em que, como esta quarta-feira, classificou o Executivo como “um Governo de combate ao anterior” que só está focado em “governar para a minoria”. Isto é, quando não está ocupado apenas a “fazer campanha”, marcando Conselhos de Ministros em catadupa quando o PS o ultrapassa no Parlamento ou quando o cabeça de lista às europeias, Sebastião Bugalho, faz má figura na televisão, ironizava então Pedro Nuno Santos.

O objetivo é sempre o mesmo: desgastar o Governo e agarrar esta oportunidade para isso, fazendo da campanha eleitoral uma plataforma que também serve para transmitir o discurso do PS contra o Executivo. Depois de não ter conseguido bons resultados em nenhuma das primeiras eleições que o PS disputou durante a era pedronunista — foram já três (regionais dos Açores, regionais da Madeira e legislativas, em março) em meio ano –, é particularmente importante conseguir uma vitória e criar uma tendência positiva, diferente da que existiu nos últimos tempos. Depois de umas legislativas renhidas, em que AD e PS quase empataram (a AD teve mais 1%) dos votos), a ideia é voltar a ir a jogo com uma figura popular, Marta Temido, lançada nas ruas — e o seu líder, Pedro Nuno, a chamar os eleitores socialistas para si.

A estratégia pode ter riscos, mas o PS desvaloriza-os, até por estar convicto de que as leituras nacionais existiriam sempre. Assim sendo, prefere puxá-las para si e tentar defini-las — começando por tentar definir o Governo como uma equipa sem estratégia e que está a trabalhar no curto prazo, na tal campanha permanente.

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Uma tarde em terreno pró-Chega

Depois da visita à lota, Pedro Nuno Santos lançou-se às ruas de Portimão para alguns momentos mais fotografáveis ao lado de Marta Temido. Teoricamente, estariam em terreno pouco favorável, uma vez que a ascensão do Chega foi particularmente assinalável no Algarve: o partido ficou em primeiro lugar no distrito e em primeiro também em Portimão, ultrapassando o PS. Ainda assim, as interações foram maioritariamente simpáticas e inconsequentes, com Temido a mostrar-se mais uma vez pró-ativa e a entrar em loja sim, loja também.

Ao lado tinha a também candidata (em sétimo lugar) e ex-autarca de Portimão Isilda Gomes, que foi demonstrando o seu vasto conhecimento sobre o comércio portimonense, assinalando a cada passo qual era a “sua” ourivesaria, o oculista a que vai habitualmente, a mercearia em que se abastece ou a sapataria preferida, e pedindo aos lojistas os seus votos. Enquanto isso, e brincando com a grande diferença de estatura entre os dois, Temido ia perguntando a Pedro Nuno o que se via “dali de cima” (segundo o secretário-geral, viam-se pessoas à espera para cumprimentá-la).

Provocada por uma jornalista sobre estar menos “expansiva” do que no arranque da campanha, Temido voltaria a falar na presença do líder: “Temos sempre um problema de alturas. É uma questão de planos: estou expansiva, só que estou um bocadinho abaixo do que vocês me veem habitualmente”, gracejou, acrescentando que é uma experiência “estranha” ver o líder a distribuir panfletos com a sua fotografia — “normalmente é ao contrário“.

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O protagonismo era agora dividido com Pedro Nuno e as abordagens na rua foram partilhadas — sempre com Temido a incentivar à conversa (entregou um panfleto a uma esteticista que tratava das unhas de uma cliente sugerindo que segurasse o papel com a outra, mas com cuidado, “se não lá se vai uma unha”) e Pedro Nuno mais discreto (mas sem deixar de comentar o interior das lojas de algarvia ou o corte de cabelo de um cliente num barbeiro — “impecável!”).

A conversa mais longa terá sido com um grupo de senhoras que registaram com espanto que Temido parece “mais magrinha” ao vivo, assim como que Pedro Nuno parece “mais forte” na televisão. Concluindo que os ecrãs engordam sempre, como é costume dizer-se, seguiram. Com poucas reações desagradáveis, os dois protagonistas — a candidata e o líder omnipresente — foram ainda assim comentando as dificuldades do terreno em que estavam a trabalhar.

Se Pedro Nuno Santos disse apenas ter “muita confiança” num bom resultado no Algarve, apostando na “muito boa relação que as pessoas têm com a Marta”, Temido reconheceu as “especificidades dos problemas teste território”, frisando a importância de dizer aos algarvios que “há caminhos que parecem caminhos e não são caminhos”, são formas de “pôr uns contra os outros, que não trazem soluções concretas”.

O dia acabaria ainda com os dois juntos em visita a um andar de habitação a custos controlados, construído com investimento do Plano de Recuperação e Resiliência (um T2 por 110 mil euros). Pedro Nuno e Temido aproveitaram assim para tentar puxar pelos feitos do Governo anterior num dossiê em que é tão criticado como no da Habitação e deixar pressão ao novo Executivo, defendendo que é preciso um mecanismo “permanente” pós-PRR para esta área, como o PS defende no seu manifesto. “É a única forma de resposta sustentável e robusta passa por investimento da habitação pública”, defendeu Temido, com Pedro Nuno Santos a acenar com a cabeça ao seu lado.

Habitação: T2 em Olhão por 100 mil euros

A participação do líder estava, por este dia, feita: Temido seguiu para o comício da noite, onde também nacionalizou estas eleições, pedindo aos eleitores que não se iludam nem vão em “cortinas de fumo” como, garantiu, aconteceu nas legislativas e com os anúncios supostamente enganadores do Governo. E Pedro Nuno meteu-se no carro para seguir viagem. Esta quinta-feira de manhã já estará de volta à estrada, com quase tanta assiduidade como ainda há três meses, na campanha das legislativas, estava. Desta vez também há muito em jogo.

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