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A quimioterapia começou a ser usada contra o cancro nos anos 1970. Na altura, como agora, a vantagem em relação à ausência de tratamento era clara: o tempo de sobrevivência dos doentes aumentava significativamente. O problema era que os tratamentos também eram tóxicos, o que obrigou médicos e investigadores a preocuparem-se desde cedo com o impacto dos efeitos secundários na saúde e vida dos doentes. As limitações a esse objetivo eram o desenvolvimento da investigação científica, da tecnologia e dos cuidados de suporte aos doentes, mas também isso mudou, para melhor. Atualmente, os doentes sofrem menos com vómitos e náuseas, conhecem-se melhor os efeitos nocivos dos tratamentos e já existem (ou estão em estudo) soluções para os evitar e combater.

“Quando se usa um medicamento é porque o benefício é superior aos efeitos nocivos. E o benefício de salvar vidas [como na quimioterapia] supera os riscos do tratamento”, diz ao Observador Fátima Cardoso. A médica oncologista reforça que “não existe nenhum medicamento, por muito simples que pareça, que esteja livre de efeitos secundários”. Sabendo isto, os doentes terão mais ou menos facilidade em aceitar a toxicidade de um tratamento consoante a gravidade da doença. “Para tratar uma dor de cabeça, os doentes não estão dispostos a usar tratamentos com muita toxicidade.” Mas se a doença for grave e se houver confiança na eficácia do tratamento, os doentes estarão mais disponíveis para enfrentar os efeitos nocivos, diz a médica.

Isso não impede que a investigação científica e clínica trabalhe no sentido de melhorar a qualidade de vida dos doentes. Por um lado, estudam-se novos fármacos e novas formas de dar os medicamentos com a mesma eficácia, mas com menos toxicidade. Por outro, procuram-se formas de controlar os efeitos secundários, quer prevenindo que aconteçam, quer tratando os que se manifestam. “A preocupação com a prevenção sempre existiu, mas não havia tecnologia, não existiam os medicamentos ou a forma de os fazer”, diz Fátima Cardoso. A diminuição das defesas causada pela quimioterapia, que ataca os glóbulos brancos, é um bom exemplo disso. “Atualmente existem medicamentos que estimulam a produção de glóbulos brancos, mas a produção é muito complexa.” Foram as limitações técnicas que não permitiram que surgissem mais cedo.

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