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[Este texto faz parte de uma série que o Observador está a publicar sobre os terramotos políticos provocados pelos partidos antissistema de direita radical em diferentes países da Europa Ocidental. Pode ler também sobre os casos da Alemanha, Espanha, Grécia e França.]
A culpa não foi do Nigel, os conservadores é que falharam no Brexit. O Nigel deu-nos o Brexit e agora saiu da reforma para nos vir tirar desta trapalhada.”
Lynn Tuckwell é uma esteticista reformada de Clacton-on-Sea que votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 2016. Em vésperas das últimas eleições legislativas (julho de 2024), quase dez anos depois do Brexit, sentia-se desiludida, disse ao New York Times. Achava que o Partido Conservador não fez o suficiente nos últimos anos e os trabalhistas liderados por Keir Starmer não lhe enchiam as medidas. A alternativa era um partido novo, com um líder veterano: o Reform de Nigel Farage.
Foi nessa mesma eleição de 2024 e naquele círculo eleitoral onde vota Lynn Tuckwell que Farage conseguiu algo que havia tentado sete vezes e tinha sempre falhado: ser eleito deputado para a Câmara dos Comuns. Nigel Farage fez campanha pela saída da União Europeia quando era líder do UKIP, e fundou de seguida o Partido do Brexit, influenciando a ala eurocética do Partido Conservador e alcançando o título de “pai espiritual” do movimento de saída da UE. Quando anunciou a retirada da política, em 2021, parecia que esse seria o legado que deixaria para a História.
▲ Nigel Farage liderou o UKIP e o Partido do Brexit. À altura tinha como principal prioridade a saída da União Europeia
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Mas eis que, três anos depois, Farage mudou de ideias: voltou ao Reform (novo nome do Partido do Brexit), focou o partido no combate à imigração, adotou partes do discurso da esquerda para consolidar o eleitorado de classe trabalhadora, profissionalizou o novo partido e quer agora substituir os conservadores no lugar de maior força da direita e principal oposição ao Labour.
Pode parecer um objetivo demasiado ambicioso — afinal, o UKIP e o Partido do Brexit chegaram a ter resultados históricos em eleições europeias, mas nunca foram além disso. Mas os sinais dados pelos estudos de opinião e pelas últimas eleições (legislativas e locais) são de que o Reform pode ter força para disputar um dos dois primeiros lugares na próxima eleição geral, o que representaria o fim do “sistema de dois partidos” no Reino Unido e a obliteração dos tories. Razões pelas quais trabalhistas e conservadores começam a encarar Nigel Farage como um sério desafio.
Não por acaso, o primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer endureceu recentemente o discurso contra a imigração e fez promessas de redução de entradas no país. Mas a verdadeira encruzilhada é para o Partido Conservador de Kemi Badenoch, cujos principais membros se dividem sobre como se posicionar para combater Farage — e alguns equacionam mesmo uma aliança com o partido antissistema.
Aposta no TikTok e distanciamento de figuras “tóxicas”. Como Farage profissionalizou o Reform
O que mudou para que, desta vez, o terceiro partido de Nigel Farage esteja a alcançar um sucesso que os anteriores não conseguiram?
Uma das razões está na própria estrutura. Quem o admite é mesmo o líder, que decretou que o Reform se devia “profissionalizar”: “Não éramos grandes o suficiente, ricos o suficiente, profissionais o suficiente para vetar decentemente candidatos a eleições. E isso falhou-nos, esse amadorismo falhou-nos”, reconheceu Farage sobre os primeiros tempos do Reform.
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No início, o Reform era, à semelhança do UKIP e do Partido do Brexit, uma operação caseira, gerida quase toda a partir da casa de Gaiwan Towler, um dos braços direitos de Farage, como conta o Politico. A certa altura, o político decidiu ir buscar um antigo banqueiro de investimento, o muçulmano e filho de imigrantes do Sri Lanka Zia Yusuf, para por um lado afastar a fama de partido racista e anti-islâmico e, por outro, o ajudar a moldar a força política. Yusuf ficou com o título oficial de presidente do partido, mas, na prática, o seu trabalho é sobretudo nos bastidores, enquanto Farage sobe ao palco nos comícios — muitas vezes ao som de Eminem, ouvindo-se por trás “Guess who’s back?”
Yusuf passa os dias na sede do partido, que agora é na Millbank Tower, um arranha-céus no coração de Londres, à beira do Tamisa, que já serviu de sede aos conservadores no tempo de David Cameron e aos trabalhistas de Tony Blair, como lembra o The Guardian.
Muito graças a donativos generosos, a equipa tem aumentado e inclui muitos funcionários dedicados às redes sociais. A aposta é sobretudo no TikTok, onde se movem os eleitores mais jovens, e Farage atualmente domina a plataforma: a sua conta tem mais seguidores do que todos os outros deputados juntos. E o líder está atento, envolve-se e recebe todos os dados sobre cada post que faz. “O TikTok quer coisas mesmo a sério. Quer coisas factuais”, resumiu Farage ao TheTelegraph. O que não significa que menospreze as outras redes sociais: “O Instagram gosta de uma foto engraçada, de uma risadinha. O Facebook é massivo, muitos dos leitores do Telegraph estão lá”, notou.
▲ Nigel Farage convidou Zia Yusuf para líder do Reform, a fim de "profissionalizar" o partido
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Para Farage, a “profissionalização” do Reform passa por outro ponto fulcral: a moderação parcial do partido, deixando à margem figuras mais radicais como as que em tempos pulularam no UKIP e no Partido do Brexit. “Não queremos extremistas, não queremos preconceituosos, não queremos pessoas que pensem assim, porque nós representamos a maioria silenciosa decente deste grande país”, afirmou o líder.
É uma escolha tática consciente, da qual o exemplo de Tommy Robinson é o mais flagrante. O ativista de extrema-direita — que em tempos pertenceu ao fascista British National Party e que está atualmente a cumprir pena de prisão por desobediência ao tribunal — chegou a fazer parte do UKIP. Farage nunca gostou dessa associação à direita mais radical e agora, no Reform, deixou claro que o partido deve manter-se longe de Robinson.
A decisão valeu-lhe até a crítica do em tempos amigo político Elon Musk, que pediu que Farage fosse demitido da liderança por essa decisão, dizendo que “não tem o que é preciso” para ter sucesso político. Apesar da proximidade demonstrada no passado não só com Musk como com todo o movimento MAGA de Trump, Farage acha que lhe é mais vantajoso manter o Reform longe de ativos vistos como mais tóxicos. “Tenho de me livrar de uns quantos idiotas para quem foi demasiado fácil juntarem-se”, disse aos jornalistas. “Vamos ser um partido não racista e não sectário.”
A estratégia de “profissionalização” parece estar a compensar, a avaliar pelos resultados eleitorais: nas legislativas de 2024, o Reform obteve 14% dos votos e elegeu cinco deputados (entre eles Farage); este ano, roubou um deputado ao Labour nas eleições intercalares do círculo de Runcorn and Helsby, elegeu dois presidentes de câmara (Greater Lincolnshire e Hull & East Yorkshire) e alcançou mais de 650 lugares em assembleias municipais e de freguesia em todo o país.
“Esta vez é quantitativa e qualitativamente diferente”, avaliou o cientista político Tim Bale em declarações ao The Guardian. “O Reform parece estar a conseguir transformar os seus resultados nas sondagens em mandatos. Apesar da vitória do UKIP nas europeias de 2014, os partidos de Farage não têm sido incríveis em eleições locais, em parte porque não têm botas no terreno.” Agora, com uma estrutura mais profissional montada, uma aposta nas redes sociais e uma estratégia firme de afastar membros polémicos, Nigel Farage está a alcançar resultados inéditos.
O partido anti-imigração que está a “estacionar os tanques” no “relvado da Muralha Vermelha”
Nigel Farage já faz parte da paisagem britânica há tantos anos que, para muitos, se tinha tornado ruído de fundo. Mas, com a sua eleição e de mais quatro colegas nas últimas legislativas, essa perceção começou a mudar, como contou um deputado trabalhista ao Politico, recordando a reação da sua bancada quando Farage entrou pela primeira vez na Câmara dos Comuns, no passado mês de julho: “Foi como se tivesse entrado o Voldemort.”
Há razão para preocupação nas fileiras trabalhistas, já que o Reform parece desmentir o velho adágio de que a classe trabalhadora vota tendencialmente à esquerda. Foi assim no Reino Unido até ter surgido um tsunami chamado Brexit, que baralhou todas as tendências eleitorais que até aí eram dados adquiridos. Por causa do desejo de sair da União Europeia, em 2019 o Labour perdeu os seus bastiões do norte de Inglaterra, as antigas zonas industriais cheias de operários que formavam a chamada “Muralha Vermelha”. Esta foi conquistada pelos conservadores, à altura liderados por Boris Johnson, numa vitória histórica. Mas há um detalhe muito relevante sobre essa eleição: é que Nigel Farage, focado no objetivo do Brexit, decidiu ficar na sombra e retirar os candidatos do seu partido para facilitar a vida aos tories.
Consumado o afastamento definitivo de Bruxelas, o norte de Inglaterra realinhou-se. Muitos daqueles que votaram em Boris voltaram a confiar nos trabalhistas, contribuindo para a vitória de Keir Starmer. Mas não todos: uma parte decidiu apostar no Reform. Agora, nas recentes eleições autárquicas de 1 de maio, o partido conquistou muitos deles.
▲ O Reform tem conquistado muito do voto da classe trabalhadora que apoia habitualmente o Labour e que disse sim ao Brexit
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“Não há nenhum novo eleitor mágico do Reform e nenhum problema novo que os políticos tenham de perceber como resolver. Estas são as mesmas pessoas que nos ‘surpreenderam’ no Brexit, nos ‘surpreenderam’ em 2019 e nos estão a ‘surpreender’ agora”, aponta a ex-conselheira do Partido Conservador Rachel Wolf. O primeiro deputado do UKIP (e agora apoiante do Reform), Douglas Carswell, acrescenta que este é o resultado de um descontentamento da classe trabalhadora com “o sistema”: “Estes são eleitores de colarinho azul tradicionais, muitos dos quais historicamente sempre votaram Labour, a dizer que estão fartos e que querem votar em algo diferente”, declarou ao Politico. “É uma revolta totalmente justificada com o conceito de pessoas que têm cursos de ‘Política, Filosofia e Economia’ de Oxbridge”, acrescenta, usando a expressão que combina as prestigiadas universidades de Oxford e Cambridge.
A desconfiança é gritante: 45% dos eleitores dizem que “quase nunca” acreditam que os governos colocam os interesses do país em primeiro lugar. Segundo os estudos de opinião, há dois temas que preocupam neste momento os eleitores britânicos acima de todos os outros: a economia e a imigração. E o Reform tem habilmente abandonado o tópico do Brexit e adaptado o seu discurso para responder a estas duas preocupações.
A imigração não é surpresa, já que é um tópico há muito cavalgado por Nigel Farage. Num país que recebeu mais de 700 mil migrantes no ano passado, muitos eleitores consideram que há uma competição entre britânicos e imigrantes por acesso a habitação, emprego e saúde. A proposta de Farage é garantir que há menos pessoas a entrar no país do que a emigrar e retirar o Reino Unido da Convenção dos Direitos Humanos para poder levar a cabo deportações em massa.
Em tempos, os trabalhistas criticaram as propostas de Farage nesta matéria, acusando-o repetidamente de xenofobia. Mas, agora, Starmer promete reformas: “Cada área do sistema de imigração — a laboral, a familiar, a dos estudos — será apertada, para que possamos ter mais controlo”, prometeu o primeiro-ministro a 12 de maio, num discurso criticado à esquerda por Starmer ter incluído a expressão “corremos o risco de nos tornarmos numa ilha de estranhos”. Alguns deputados do próprio partido consideraram que o líder trabalhista estava a evocar o famoso discurso conhecido por “Rios de Sangue”, do conservador radical Enoch Powell, onde este afirmou que os britânicos brancos se iriam tornar “estranhos no seu próprio país” devido à imigração.
▲ O primeiro-ministro Keir Starmer endureceu o discurso sobre a imigração
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Starmer não desarma e prossegue a estratégia que o seu chefe de gabinete, Morgan McSweeney, define como “Blue Labour” — uma tentativa de puxar o Partido Trabalhista o mais para o centro possível, quiçá para a direita em alguns pontos, para conseguir combater a perda de votos para o Reform.
Mas não é só na questão da imigração que o partido de Farage faz sombra a Starmer. Ao longo dos últimos meses, o Reform tem defendido medidas económicas mais à esquerda, focando na necessidade de “reindustrializar” o país. O seu líder já defendeu até a nacionalização total da British Steel, empresa da indústria siderúrgica, e a nacionalização parcial da Thames Water, responsável por fornecimento e tratamento de água.
A mensagem ressoa junto das classes trabalhadoras e os sindicatos começam a sinalizar desconforto. E Nigel Farage admite claramente o seu propósito: “O Reform está a estacionar os tanques nos relvados da ‘Muralha Vermelha’”, decretou na campanha das eleições locais. “Vamos apanhar o Labour, não tenham dúvidas disso”, tinha já avisado nas legislativas de 2024.
Reform tem ambição de substituir o Partido Conservador — e este está dividido sobre como reagir
Mas não se pense que o centro-esquerda é o único afetado pela ascensão do Reform. Na verdade, o que os resultados das eleições locais demonstraram é que o partido de Nigel Farage é ainda mais letal para os conservadores, que perderam mais de 670 lugares em autarquias, incluindo nas regiões do sul de Inglaterra, tradicionalmente tory. Para além disso, o partido está a roubar aos conservadores funcionários, financiadores e políticos — como Andrea Jenkyns, em tempos membro do governo de Boris Johnson e agora autarca eleita pelo Reform.
“É significativo que o Reform esteja a sugar os dois partidos. Mas sem dúvida que representam uma ameaça existencial maior para os tories”, avisou Andrew Defty, professor de Ciência Política, no Washington Post.
Keir Starmer sabe-o e explora isso como ataque: “O deputado de Clacton [Farage] está a fazer o que faz sempre: comer o partido tory ao pequeno-almoço”, declarou recentemente o primeiro-ministro na Câmara dos Comuns. E Nigel Farage não só não o nega, como vai ainda mais longe: diz que quer ocupar o lugar do Partido Conservador, uma das forças de centro-direita mais antigas da Europa.
“O que Trump fez foi fazer refém o partido conservador da América. Adorava tentar fazer o mesmo neste país”, declarou o líder do Reform, que não tem tido pudor em assumir que, mais do que o Presidente dos Estados Unidos, o seu modelo é o do Partido Reformador canadiano, que em 1993 contribuiu para o fim dos Conservadores Progressistas e acabou por dominar a força política que lhe sucedeu, o Partido Conservador.
Perante esta ameaça, os conservadores britânicos estão divididos sobre qual a melhor forma de reagir. Nada que surpreenda num partido que a Economist caricaturou da seguinte forma: “Se uma bomba atómica eleitoral reduzisse o Partido Conservador a dois deputados, este continuaria a estar profundamente dividido.”
Oficialmente, a líder Kemi Badenoch (há apenas seis meses no cargo) tem mantido a linha de que o partido não se deve misturar com o Reform e precisa de tempo para forjar o seu próprio caminho. Mas são muitas as vozes conservadoras que sugerem que a solução poderia estar numa aliança com Farage — é o caso de Robert Jenrick, ex-adversário de Badenoch na corrida à liderança do partido, que defende que “a direita deve estar unida”. Já lhe valeu a alcunha de “ministro das Finanças de Nigel” junto de alguns membros do partido.
Mas Jenrick não é o único a defender essa ideia. O autarca Ben Houchen acha que deve haver “uma coligação ou algum tipo de pacto” entre os dois partidos; Jacob Rees-Mogg, antigo ministro de Boris Johnson, acha que sem uma direita unida “a porta fica aberta” para o Labour se perpetuar no poder; e a ex-ministra do governo de Rishi Sunak Suella Braverman afirma que “não há muita diferença” entre os programas dos dois partidos.
Estes são os que defendem uma aliança em público. Muitos conservadores discutem a hipótese, outros defendem-na, mas sem audácia para ir contra a linha oficial em público. “Os tories e o Reform deviam tornar-se a CDU/CSU. Tories no sul, Reform no norte”, alvitrou ao The Times um antigo conselheiro do partido, referindo-se à força política do centro-direita alemão e ao seu partido-irmão da Baviera.
▲ Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, tem-se mantido firme a rejeitar uma aliança com o Reform
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Outros discordam veementemente da ideia. O ex-ministro das Finanças George Osborne declarou que “perseguir a cauda de Nigel Farage não vai funcionar”; o antigo governante Robert Goodwill considera que isso seria deixar Farage destruir o partido “a partir de dentro”; e até o próprio Boris Johnson comparou a ideia a uma “operação de transplante ou de fusão de uma glândula de macaco” que “não funciona”.
A equipa de Kemi Badenoch já decidiu internamente que, para já, a guinada mais à direita não vai ser o caminho dos conservadores. Um dos principais entraves prende-se com o facto de que Nigel Farage, em trajetória de crescimento neste momento, não tem qualquer incentivo para fazer um acordo. “Os nossos eleitores odeiam o Partido Conservador. Essa é a última coisa que eles querem que eu faça. E, sinceramente, quando faço um acordo com alguém, aperto-lhe a mão, olho-o nos olhos e confio nele. E eu não confio neles”, disse o líder do Reform durante a campanha autárquica.
Eleições de Gales podem consolidar tendência de crescimento, mas verdadeiro desafio é 2029
A curto prazo, o próximo desafio eleitoral para o Reform serão as eleições para o parlamento regional do País de Gales, onde o partido já surge empatado com o partido regional Plaid Cymru, apenas atrás do Labour — os conservadores aparecem num pouco empolgante quarto lugar nas intenções de voto.
É mais um passo na estratégia de Farage de se assumir como principal partido de oposição aos trabalhistas. E de suplantar os tories e caminhar para uma posição em que, nas próximas legislativas, disputaria o primeiro lugar com o Labour.
Dentro do Partido Conservador, há quem alerte que muita coisa pode ainda acontecer até 2029 — com destaque para os problemas internos no passado de Farage com outros membros dos seus partidos. “Não queremos parecer complacentes, mas ainda falta muito até à eleição e pode argumentar-se que o Reform pode estar a chegar ao seu pico”, alertou um deputado ao The Guardian. “Quanto tempo até vermos a presidente da câmara de Lincolnshire a levar o partido a tribunal?”, provocou outra fonte do partido, em conversa com a BBC.
▲ Nigel Farage já assume a ambição de ser primeiro-ministro
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Ninguém consegue prever com segurança o que vai acontecer, mas as sondagens mostram que os britânicos já não olham para Nigel Farage como o ruído de fundo pró-Brexit que fez parte da paisagem política durante anos: 39% consideram provável que o líder do Reform venha a ser primeiro-ministro. Por comparação, só 25% pensam o mesmo sobre a líder dos conservadores.
O próprio não esconde ter essa ambição. “O Brexit era uma causa. Isto agora é a sério, é sobre tomar conta disto tudo”, disse Nigel Farage ao The Times. “Quero ganhar. Quero provar a todos que estavam errados.”