Entrevista de vida com o psicanalista Carlos Amaral Dias, publicada em 2017, 5 anos depois de ter sofrido um AVC, que republicamos agora que foi conhecida a sua morte 

Queria ser jornalista mas acabou por seguir Medicina. Foi uma espécie de fatura a pagar por ser filho único, mesmo que os pais (os dois enfermeiros) nunca a tivessem cobrado. A verdade é que tentou pagar aquilo que viria a perceber que não tem preço — o amor — e continuou a fazê-lo ao longo da sua vida: dedicando-se às pessoas, escrevendo livros e por aí fora.

Provavelmente nunca teria associado as coisas desta forma se não estivesse habituado a remexer no inconsciente. Na Psiquiatria e, mais especificamente, na Psicanálise, Carlos Amaral Dias acabou por encontrar a outra parte do seu eu, aquela que convivia com a do comunicador e interessado em jornalismo.

Avesso à autoridade, chegou a estar preso, numa cela solitária em Caxias, e também foi detido pela PIDE em Coimbra, a sua cidade Natal. Diz que não poderia ser de outra forma. Começou a ler muito cedo e também muito cedo percebeu que só poderia sentir “desprezo” pelos ditadores.

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