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Zona: a doença que afeta os portugueses e o país

Sabia que o vírus da varicela fica adormecido no nosso corpo e pode, mais tarde, causar uma patologia conhecida como Zona? Saiba como identificar e prevenir.

Sabia que a Zona pode afetar um em cada três de nós? É importante identificar e prevenir a doença que pode estar na origem de várias complicações e que leva ao internamento de um português a cada dois dias. Numa altura em que o SNS continua sobre pressão, esta doença leva cerca de 63 mil pessoas aos cuidados de saúde.

A varicela é uma doença que praticamente dispensa apresentações. Durante a infância, há um momento em que quase todos nos cruzamos com esta patologia de fácil transmissão e encaramo-la como parte do caderno de encargos necessário ao crescimento. Uma vez recuperados, fica praticamente esquecida. Contudo, a verdade é que o vírus varicela-zoster, responsável pela varicela, fica adormecido no nosso organismo, à espera pacientemente pelo nosso envelhecimento ou pelo simples enfraquecimento do sistema imunitário para poder regressar, mas desta vez com uma outra apresentação e consequências. Em causa está a Zona, ou herpes zoster.

Imagine uma lesão na pele, acompanhada por uma dor persistente, descrita como uma queimadura constante ou mesmo como um formigueiro intenso. Estes são alguns dos principais sintomas da fase aguda da Zona, mas que podem não desaparecer, mesmo após várias semanas ou meses. A dor crónica é uma das complicações mais temidas do herpes zoster. A Zona pode ter um impacto muito significativo na qualidade de vida de quem desenvolve a doença, sobretudo quando o recurso a cuidados de saúde não é feito de forma atempada.

O que é a Zona?

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Zona, também conhecida por Cobrão ou Herpes Zoster, é uma doença que se caracteriza pelo aparecimento de erupções cutâneas muito dolorosas. É causada pela reativação do vírus varicela-zoster, o mesmo vírus que causa a varicela. Depois de uma pessoa contrair varicela, o vírus permanece adormecido no corpo para toda a vida, podendo ressurgir em momentos específicos.

Após a infeção por varicela, este vírus traiçoeiro não sai do nosso organismo. Fica adormecido e escondido no nosso sistema nervoso, esperando por uma nova oportunidade para se fortalecer. Anos ou décadas depois do diagnóstico de varicela, o vírus pode ser reativado devido a múltiplos fatores, nomeadamente envelhecimento, stress ou imunidade comprometida, provocando o surgimento da Zona. Esta reativação ocorre em nervos específicos, resultando em erupções cutâneas dolorosas que seguem o trajeto da raiz nervosa onde o vírus esteve alojado, pelo que a localização das lesões varia de pessoa para pessoa.

“Não se trata apenas de uma doença estética ou de lesões de pele. A Zona pode causar complicações graves, incluindo a nevralgia pós-herpética, uma condição dolorosa e crónica, que muitas vezes é subestimada pela população em geral”, explica Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). O desenvolvimento desta dor crónica pode atingir 30% das pessoas que desenvolveram Zona.

62985

número de adultos em Portugal que se estima que tenham tido Zona em apenas um ano.

67 %

proporção de adultos que tiveram Zona e que tinham mais de 50 anos.

10000000

estimativa do impacto económico direto e indireto da Zona em Portugal.

Segundo Nuno Jacinto, a perceção equivocada de que o herpes zoster é algo simples ou apenas uma erupção cutânea pode atrasar o tratamento adequado e aumentar o risco de complicações. “Durante muito tempo esta doença foi um bocadinho negligenciada, e a população olhava para a Zona apenas como umas borbulhas, mas sem compreender efetivamente o seu impacto, até porque também não tínhamos muitas armas para a combater e isso hoje mudou, pois já a podemos prevenir”, acrescenta.

"A Zona pode causar complicações graves, incluindo a nevralgia pós-herpética, uma condição dolorosa e crónica, que muitas vezes é subestimada pela população em geral."
Nuno Jacinto

Importa, em primeiro lugar, saber os sinais a que devemos estar atentos. Os principais sintomas da Zona incluem erupções cutâneas em forma de bolhas, bolhas essas que podem ter um líquido característico, e que aparecem numa área delimitada, que corresponde ao nervo afetado. São, normalmente, acompanhadas de dor, formigueiro ou ardor na mesma região. “A dor é muitas vezes diferente de qualquer outra experiência, sendo descrita como uma sensação de queimadura ou sensação de choque elétrico, com alterações de sensibilidade. Dependendo da Zona afetada a mobilidade de alguns músculos também pode ser afetada. O surgimento dessas lesões e dos outros sintomas é um sinal claro de que algo está errado”, detalha Nuno Jacinto.

"A chave para o sucesso na prevenção é garantir que as pessoas saibam identificar os sinais iniciais e procurem tratamento adequado. Muitas complicações podem ser evitadas com uma abordagem precoce."
Nuno Jacinto

Outro ponto importante é a localização das lesões. Embora possam surgir em qualquer parte do corpo, são comuns no tronco, mas também podem ocorrer na face e nos olhos. Quando afetam a região ocular, o risco de complicações, como perda de visão, aumenta consideravelmente. “Por isso, reconhecer os sinais iniciais e procurar ajuda médica rapidamente é crucial. O tratamento antiviral, quando iniciado nas primeiras 48 a 72 horas, pode reduzir significativamente a gravidade da doença e o risco de complicações”, reforça Nuno Jacinto, frisando que os doentes devem procurar apoio nos cuidados de saúde primários, não sendo geralmente necessário um recurso direto a uma urgência hospitalar.

O risco de termos Zona nasce no dia em que temos varicela, mas com variações em vários momentos da vida. Embora qualquer pessoa que tenha tido contato com o vírus da varicela possa desenvolver esta doença, o risco aumenta com a idade. “Acima dos 50 anos, e especialmente após os 65, a probabilidade cresce significativamente. Além disso, pessoas imunodeprimidas, como doentes oncológicos, diabéticos ou com doenças crónicas, também estão em maior risco”, aponta o médico, que considera que a população mais vulnerável poderia beneficiar da inovação que surgiu na área da prevenção. De doenças cardiovasculares, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), passando pela asma e por outras doenças autoimunes, são várias as patologias que nos podem fragilizar e fazer a Zona acordar.

Segundo Nuno Jacinto, alguns estudos apontam também para uma relação direta entre o stress e outras condições de vida que têm impacto no sistema imunitário e a reativação do vírus. A promoção da saúde, nomeadamente de estilos de vida mais saudáveis, faz, por isso, também sentido neste contexto. “Alturas de maior stress ou o surgimento de outras doenças, sejam mais físicas ou do foro da saúde mental, podem fazer com que estejamos mais suscetíveis ao aparecimento de Zona ou de outras doenças”, salienta o especialista.

A Zona pode ter complicações?

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Embora a maioria das pessoas recupere totalmente, algumas podem ter complicações. A complicação mais comum da Zona é a Nevralgia Pós-Herpética, caracterizada como uma dor incapacitante que persiste após a cicatrização das erupções cutâneas da Zona e que pode atingir 30% das pessoas que desenvolvem a doença.

A Zona não afeta apenas os indivíduos, mas também representa um desafio para os sistemas de saúde, com custos elevados para o tratamento das complicações. Segundo um estudo que foi apresentado no congresso da APMGF, estima-se que entre julho de 2023 e junho de 2024, 62.985 adultos tenham tido Zona em Portugal. Destes, 67% tinham mais de 50 anos.

“É importante compreender que, apesar de não ser tão comum como outras doenças infeciosas, a Zona tem um impacto significativo no SNS devido às suas complicações e ao elevado número de casos anuais”, diz Nuno Jacinto.

Em ambulatório, cada caso de Zona custa, em média, 114 euros, o que representa uma fatura anual de mais de 7 milhões de euros. O internamento hospitalar, necessário em casos mais graves, pode chegar a 3000 euros por episódio, obrigando a internamentos de quase duas semanas. Estima-se que, a cada dois dias, um português seja internado devido a esta doença.

"A vacinação representa uma arma poderosa. Todos os adultos com mais de 65 anos ou com condições crónicas que comprometem a imunidade poderiam beneficiar desta vacina."
Nuno Jacinto

Além disso, as complicações a longo prazo, como a nevralgia pós-herpética, podem levar a absentismo laboral prolongado, impacto na produtividade e custos diretos e indiretos para a economia. “Há uma dimensão de custo indireto que não deve ser ignorada, como o impacto na capacidade de trabalho e na qualidade de vida”, acrescenta o presidente da APMGF. Dimensão essa que faz o impacto económico da doença ultrapassar os 10 milhões de euros anuais.

Atualmente, existem diversas formas de prevenir esta doença, incluindo a vacinação. Esta aposta na prevenção não reduz apenas o risco de desenvolver a doença, mas também pode diminuir a gravidade e a probabilidade de complicações. “A vacinação representa uma arma poderosa. Apesar de ainda não estar integrada no Programa Nacional de Vacinação, podemos dizer que todos os adultos com mais de 65 anos ou com condições crónicas que comprometem a imunidade poderiam beneficiar desta vacina”, enfatiza o especialista, que considera que o Programa Nacional de Vacinação tem trazido a Portugal resultados de excelência em várias doenças, sobretudo nas crianças, sendo importante estar atento à inovação que tem surgido, em especial para os adultos, e que pode motivar um novo olhar sobre estes programas.

As campanhas de sensibilização também desempenham um papel crucial. Iniciativas como “Por uma Vida Inteira pela Frente”, lembra Nuno Jacinto, têm como objetivo aumentar a literacia da população e dos profissionais de saúde sobre a prevenção e o tratamento desta doença. “A chave para o sucesso na prevenção é garantir que as pessoas saibam identificar os sinais iniciais e procurem tratamento adequado. Muitas complicações podem ser evitadas com uma abordagem precoce”, diz o especialista.

Para mais informações consulte o seu médico.

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Referências:
1Helmuth IG, Poulsen A, Suppli CH, Mølbak K. Varicella in Europe—A review of the epidemiology and experience with vaccination. Vaccine. 2015;33 (21):2406–13.
2Luis JG et al, Rev Port Med Geral Fam 2021;37:446-5.
3Johnson R et al. Herpes zoster epidemiology, management, and disease and economic burden in Europe: A multidisciplinary perspective. Ther Adv Vaccines. 2015; Vol.3(4) 109–120.
4Harpaz R, et al. MMWR Recomm Rep. 2008 June;57(RR-5):1-30.
5DH Green Book Ch 28a. Shingles. 2021. Accessed: Aug 2021. Disponível aqui.
6Gauthier A et al. Epidemiology and costs of herpes zoster and postherpetic neuralgia in the United Kingdom. Epidemiol Infect. 2009; 137 38-472.
7Silva F. et al. Poster “Landscape of Herpes Zoster Infections in Portugal”, in Encontro de Outono 2024 (APMGF), Nov 21-23 2024; Fátima, Portugal.
8Silva F, et al. Burden of Hospitalization Related to Adult Herpes Zoster Infection in Portugal“. Apresentado no 26º Congresso annual do International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR-EU 2023; Nov 12-15, 2023; Copenhaga, Dinamarca).
NP-PT-HZU-PRSR-250001, 01/2025

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